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Dinâmica da produção suína latino-americana: balanço de 2025 e perspectivas para 2026

A produção suína latino-americana consolidou em 2025 um ciclo de expansão estrutural, alcançando marcos históricos em produção, exportações e consumo interno. No entanto, para 2026, o setor enfrenta um cenário de alta complexidade, no qual o crescimento previsto deverá lidar com a volatilidade de um ambiente geopolítico instável e com crescentes pressões sanitárias que colocam à prova a eficiência e a rentabilidade regional.

O ano de 2025 foi caracterizado por uma forte expansão da produção de carne suína na região. O desempenho dos principais países ratificou essa tendência, com taxas de crescimento positivas que consolidaram um volume total superior a 9,5 milhões de toneladas (Mt), o que representa um aumento de 4,6% em relação a 2024. No comércio internacional, as importações alcançaram cerca de 2,3 Mt, com crescimento de 11,3% em comparação ao ano anterior; por sua vez, as exportações aumentaram 7,1%, atingindo 1,9 Mt. O consumo aparente regional chegou a 10 Mt e foi composto por 77% de produção interna e 23% de produto importado.

Gráfico 1: Resultados e balanço das variáveis fundamentais do setor suinícola latino-americano em 2025, variações anuais.

Elaborado pelo Departamento de Economia e Sustentabilidade da 333 Latinoamérica com dados do IBGE, SIAP, SAGyP, Porkcolombia e ODEPA.
Gráfico 1: Resultados e balanço das variáveis fundamentais do setor suinícola latino-americano em 2025, variações anuais. Elaborado pelo Departamento de Economia e Sustentabilidade da 333 Latinoamérica com dados do IBGE, SIAP, SAGyP, Porkcolombia e ODEPA.

A seguir, é apresentada a análise técnica dos principais indicadores para os maiores produtores latino-americanos, detalhando os fatores determinantes e as tendências que marcaram o ritmo da atividade em 2025:

Brasil: Em 2025, a produção suína brasileira apresentou um crescimento excepcional, consolidando o país como o terceiro maior exportador mundial após atingir um recorde histórico de exportações, com 1,48 Mt, destinadas principalmente a mercados-chave como Filipinas, China e Chile. Esse dinamismo foi acompanhado por uma produção em forte expansão, que chegou a 5,56 Mt. Além disso, o mercado interno reafirmou sua solidez com um aumento de 1,9% no consumo aparente e, embora as importações tenham crescido de forma significativa, seu volume geral continuou sendo muito marginal em comparação ao restante da indústria.

México: A produção suína mexicana se destacou em 2025, alcançando um recorde histórico de produção de 1,92 Mt e registrando um crescimento sólido de 6,0%, superior ao das carnes de aves e bovinos. Paralelamente, o país enfrentou um fluxo sem precedentes de importações (1,91 Mt), provenientes majoritariamente dos Estados Unidos e do Canadá, com destaque para o surpreendente avanço de 76,8% nas compras do Brasil. Por outro lado, diante da redução das exportações, o mercado operou com uma oferta robusta que permitiu ao consumo aparente crescer 9,3%, possibilitando a elevação do consumo per capita para 23,5 kg/habitante.

Argentina: Durante 2025, a produção suína argentina viveu uma fase de expansão marcada por uma produção superior a 810 mil toneladas (t). Esse crescimento foi impulsionado pela forte demanda interna, que elevou o consumo aparente para mais de 870 mil t, com um consumo per capita médio estimado em 18,9 kg/habitante. Em relação ao comércio internacional, observou-se uma retração de 14,9% no volume exportado, enquanto as importações cresceram de forma significativa, mantendo o déficit comercial característico dos últimos anos e ampliando a presença do produto importado no mercado interno, que passou a representar 6,3% do consumo aparente.

Gráfico 2: Produção de carne suína em 2025 para os principais países da América Latina e total regional, variações anuais.

Elaborado pelo Departamento de Economia e Sustentabilidade da 333 Latinoamérica com dados do IBGE, SIAP, SAGyP, Porkcolombia e ODEPA.
Gráfico 2: Produção de carne suína em 2025 para os principais países da América Latina e total regional, variações anuais. Elaborado pelo Departamento de Economia e Sustentabilidade da 333 Latinoamérica com dados do IBGE, SIAP, SAGyP, Porkcolombia e ODEPA.

Colômbia: O setor encerrou 2025 com um avanço histórico e um dinamismo generalizado, impulsionado principalmente pela força da demanda. Nesse contexto, a produção de carne suína cresceu 9,1%, superando 660 mil t, enquanto o consumo aparente ultrapassou 840 mil t, refletindo um consumo per capita de 15,8 kg/habitante. Apesar de as importações terem aumentado 6,6%, a produção nacional manteve participação de 79% no consumo total.

Chile: O setor suinícola chileno apresentou uma produção estável, caracterizada pelo fortalecimento do mercado interno apesar de uma leve contração no comércio internacional. De fato, foram registrados aumentos moderados na produção de carne suína, que alcançou cerca de 590 mil t. Em contraste, tanto as importações quanto as exportações apresentaram leves quedas de 1,8% e 3,4%, respectivamente. Esse cenário impulsionou e confirmou uma expansão sustentada da demanda interna, levando o consumo aparente para quase 460 mil t, onde a produção nacional aumentou sua participação para 71,9%.

Projeções para 2026

Os resultados consolidados de 2025 refletem um crescimento estrutural da capacidade produtiva da região, que guarda correlação direta com o fortalecimento do consumo interno, apesar do elevado fluxo de importações. Esse cenário, somado à trajetória ascendente do setor suinícola latino-americano, estabelece uma base sólida para projetar a produção de carne suína no curto e médio prazo.

De acordo com nossos modelos econométricos para o fechamento de 2026, as expectativas de produção para os principais mercados da região continuam muito positivas, com um volume agregado para a América Latina projetado em 9,85 Mt. A seguir, são detalhados os indicadores e fatores-chave por país:

Gráfico 3: Projeções da 333 LATAM para a produção de carne suína em 2026 nos principais países da América Latina e no total regional. Valores em toneladas e crescimento percentual estimado em relação a 2025.

Elaborado pelo Departamento de Economia e Sustentabilidade da 333 Latinoamérica com dados próprios.
Gráfico 3: Projeções da 333 LATAM para a produção de carne suína em 2026 nos principais países da América Latina e no total regional. Valores em toneladas e crescimento percentual estimado em relação a 2025. Elaborado pelo Departamento de Economia e Sustentabilidade da 333 Latinoamérica com dados próprios.

Brasil: Continuaria se consolidando como potência produtiva e exportadora em nível global, alcançando uma produção estimada de 5,7 Mt. Espera-se que o gigante sul-americano fortaleça sua presença em mercados estratégicos do Sudeste Asiático, o que lhe permitiria compensar a menor demanda projetada da China. Essa produção estaria respaldada por vantagens competitivas-chave, como as excelentes previsões para as safras de milho e soja da nova temporada. Isso não apenas manteria estáveis os custos de produção, mas também garantiria margens favoráveis para os produtores.

México: A demanda interna continuaria atuando como o principal motor do setor, impulsionando tanto a produção nacional (projetada em 2,0 Mt) quanto as importações. No entanto, as compras externas poderiam enfrentar um “freio” devido às recentes modificações na política comercial, com destaque para as cotas de importação isentas de tarifas para o Brasil e a imposição de impostos a países sem tratados de livre comércio (TLC). Somam-se a isso as investigações antidumping e antissubsídios contra as importações de pernis e paletas dos Estados Unidos. Essa conjuntura poderia incentivar um efeito de substituição de importações e dar um impulso adicional à indústria nacional, apesar da pressão sanitária exercida por doenças endêmicas como a PRRS.

Argentina: As medidas governamentais voltadas ao ambiente macroeconômico e ao comércio internacional manteriam um impacto positivo, projetando uma produção de 876 mil t. A alta competitividade da carne suína frente às carnes bovina e de aves (tanto em preço quanto na preferência do consumidor) sugere que o volume de importações pode aumentar para atender à crescente demanda. Além disso, após alcançar novas admissibilidades sanitárias em 2025, prevê-se uma recuperação no volume de exportações para 2026.

Colômbia: Espera-se que o setor mantenha um crescimento moderado, com uma produção que alcançaria 686 mil t. No entanto, a atenção se concentra na conjuntura dos preços pagos ao produtor, que está pressionando consideravelmente as margens de lucro dos produtores e pode desequilibrar o mercado.

Chile: O cenário aponta para estabilidade produtiva, situando-se em 600 mil t. Estima-se que cerca de 40% da produção seja destinada ao mercado internacional, enquanto as importações continuariam em alta para compensar a diferença da demanda interna e, assim, garantir o abastecimento do mercado local.

O complexo ambiente geopolítico e seus riscos de oferta

Embora o cenário e as projeções apresentadas anteriormente indiquem um horizonte positivo para a região, a escalada e prolongação do conflito entre Estados Unidos e Irã em 2026 podem gerar um choque crítico de oferta para a produção suína latino-americana, impulsionado pela volatilidade nos preços da energia e pelo encarecimento dos insumos. De fato, o aumento dos preços do petróleo e do gás natural possui uma relação diretamente proporcional ao custo dos fertilizantes nitrogenados e do transporte em geral, o que pressionaria para cima os preços do milho e da soja, apesar da abundante disponibilidade global. Essa distorção logística seria agravada pela instabilidade em rotas comerciais marítimas estratégicas, como o Estreito de Ormuz, convergindo, ao final, em uma queda da rentabilidade do setor e, consequentemente, em uma redução significativa das margens de lucro dos produtores regionais.

Além disso, em nível macroeconômico, a incerteza global gerada pela guerra fortalece o dólar como ativo de refúgio, provocando a desvalorização das moedas locais e encarecendo a importação de insumos-chave para o setor, como genética, núcleos nutricionais, tecnologia, entre muitos outros. Da mesma forma, as pressões inflacionárias derivadas do conflito obrigariam os bancos centrais a manter taxas de juros elevadas, limitando o acesso ao crédito e freando projetos de investimento, como infraestrutura ou ampliação do plantel suíno. Essa combinação de fatores configura um cenário muito desafiador para o setor, exigindo uma gestão técnica e financeira eficiente que permita manter a competitividade em tempos de crise.

Como conclusão

O balanço de 2025 ratifica que a produção suína latino-americana atravessa um ciclo de expansão estrutural, impulsionado por uma produção sólida, maior participação no mercado internacional e um consumo interno em crescimento contínuo. Esse dinamismo permitiu que a região absorvesse de forma eficiente maiores volumes de carne suína, tanto de origem nacional quanto importada, ampliando sua participação no mercado de proteína animal, ao mesmo tempo em que fornece um produto de qualidade para mercados exigentes, como o Sudeste Asiático.

No entanto, embora a tendência para 2026 aponte para a continuidade desse caminho de crescimento, a indústria volta a enfrentar um cenário externo desafiador. Se, por um lado, a escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã introduz uma volatilidade crítica nos custos de energia e insumos, podendo encarecer direta ou indiretamente a operação regional, por outro, a ameaça latente da entrada da PSA na América Latina e a pressão de doenças endêmicas, como a PRRS, também podem limitar o potencial de expansão do setor.

Nesse contexto, o sucesso da indústria em 2026 dependerá de sua capacidade de gerenciar esses choques externos. Assim, a estabilidade do setor estará condicionada a uma administração financeira rigorosa, à busca por índices ideais de eficiência nas granjas e ao reforço das medidas de biosseguridade, elementos indispensáveis para mitigar a pressão sobre as margens de lucro e manter a competitividade em um ambiente global marcado pela incerteza.

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