Quando o prejuízo começa no pulmão: os impactos silenciosos da pleuropneumonia suína

06-jul-2026
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Comprometimento pulmonar afeta metabolismo, desempenho e eficiência alimentar, tornando o controle da doença um ponto crítico na suinocultura moderna

Em sistemas produtivos cada vez mais eficientes, nos quais pequenas variações de desempenho têm impacto direto no resultado econômico, a saúde respiratória dos suínos ocupa papel estratégico. Entre os desafios mais relevantes está a pleuropneumonia suína, causada pela bactéria Actinobacillus pleuropneumoniae (App), uma enfermidade que pode se manifestar de forma aguda, com sinais clínicos evidentes, mas que também pode provocar perdas silenciosas ao longo do ciclo produtivo.

O grande desafio da doença está justamente nessa dupla característica. Nos quadros agudos, a pleuropneumonia costuma chamar a atenção rapidamente, com dificuldade respiratória, queda brusca de desempenho e, em situações mais severas, mortalidade. Já nas formas crônicas ou subclínicas, o impacto é menos evidente. O animal pode não apresentar sinais claros no manejo diário, mas o comprometimento pulmonar reduz sua capacidade de expressar desempenho, afetando ganho de peso, conversão alimentar e uniformidade do lote.

Do ponto de vista fisiopatológico, parte desse impacto está relacionada à ação das toxinas Apx, importantes fatores de virulência do App. Elas participam do dano ao tecido pulmonar, favorecendo inflamação, hemorragia e áreas de necrose. Com o pulmão lesionado, o organismo precisa direcionar energia para responder ao desafio sanitário e reparar tecidos, reduzindo a eficiência com que os nutrientes são convertidos em crescimento. Na prática, o prejuízo aparece não apenas nos animais clinicamente doentes, mas também em lotes que crescem abaixo do esperado.

Outro fator que amplia o desafio é a diversidade do agente. Existem diferentes sorotipos de Actinobacillus pleuropneumoniae, e mais de um pode circular simultaneamente em uma mesma granja. Isso significa que o cenário sanitário pode mudar ao longo do tempo, exigindo acompanhamento contínuo. Atribuir os problemas respiratórios sempre ao mesmo histórico, sem atualização diagnóstica, pode levar a decisões menos precisas e a estratégias de controle insuficientes.

A persistência do agente no plantel também merece atenção. Animais recuperados de quadros agudos ou portadores de formas crônicas podem contribuir para a manutenção da bactéria no sistema produtivo, favorecendo a recorrência do desafio respiratório. Por isso, lesões como pleurites e aderências pulmonares observadas no frigorífico são importantes indicadores de que a doença pode ter atuado ao longo do ciclo, mesmo quando os sinais clínicos não foram evidentes na granja.

Segundo Felipe Betiolo, médico-veterinário e gerente de marketing e produtos da Unidade de Suínos da Ceva Saúde Animal, a principal dificuldade está em dimensionar o impacto real da pleuropneumonia quando ela se manifesta de forma menos visível. “A doença não deve ser analisada apenas pelos quadros agudos. Muitas vezes, o maior prejuízo ocorre na forma crônica ou subclínica, quando há comprometimento contínuo do desempenho sem sinais claros no manejo diário”, destaca.

Esse impacto também chega ao abatedouro. Estudos indicam que, a cada 1% de elevação no nível de pleurite em um grupo de suínos, há uma redução média de 70 gramas no peso de carcaça por animal, resultante do menor ganho de peso diário e das perdas de toalete da carcaça. Além disso, uma prevalência de 10% de pleurite ao abate pode reduzir em 8,5% a velocidade da linha. (Tucker,2013)

O quadro se torna ainda mais desafiador quando há interação com outros agentes respiratórios. Coinfecções podem intensificar a resposta inflamatória, agravar lesões pulmonares e ampliar os efeitos sobre desempenho e uniformidade. Além disso, fatores de ambiência e manejo, como ventilação inadequada, alta densidade, oscilações térmicas e falhas no fluxo de produção, influenciam diretamente a expressão clínica da doença. Por isso, a pleuropneumonia deve ser compreendida dentro de um contexto mais amplo de equilíbrio sanitário e produtivo.

Diante desse cenário, o controle exige uma abordagem integrada, combinando biosseguridade, manejo, diagnóstico, monitoria e vacinação. A redução da pressão de infecção dentro da granja é fundamental para limitar a disseminação do agente e diminuir seus impactos ao longo do ciclo. A avaliação de indicadores produtivos, associada à observação clínica, à monitoria de lesões, ao abate e ao diagnóstico laboratorial, ajuda a identificar perdas que nem sempre aparecem de forma clara no campo.

A vacinação, nesse contexto, desempenha papel estratégico dentro dos programas sanitários, contribuindo para reduzir a intensidade do desafio, limitar a ocorrência de lesões associadas à doença e preservar o desempenho dos animais. Mais do que uma ação isolada, ela deve estar alinhada ao histórico sanitário da granja, ao fluxo de produção, à pressão de infecção e às demais medidas de controle.

“Quando bem posicionada dentro do programa sanitário, a vacinação ajuda a reduzir a intensidade do desafio e a ocorrência de lesões associadas à pleuropneumonia. Na prática, isso contribui para preservar o desempenho, melhorar a uniformidade dos lotes e dar mais previsibilidade aos resultados produtivos”, explica Betiolo.

Em granjas com histórico de desafios por Actinobacillus pleuropneumoniae, vacinas como Coglapix®, da Ceva Saúde Animal, podem integrar estratégias preventivas voltadas à redução do impacto da pleuropneumonia. A formulação reúne antígenos somáticos e toxóides ApxI, ApxII e ApxIII, associados à resposta imune contra componentes relevantes do agente. Sua adoção, no entanto, deve estar inserida em um programa sanitário estruturado, com manejo adequado, biosseguridade, ambiência e monitoramento contínuo.

Ao considerar a relação direta entre sanidade respiratória e desempenho, fica claro que o comprometimento pulmonar não é um problema isolado. O que começa no pulmão pode comprometer o ganho de peso, a eficiência alimentar, a uniformidade e a rentabilidade de todo o sistema — do campo ao abatedouro.

Mais do que reagir a surtos, o desafio da suinocultura moderna é identificar e controlar perdas que muitas vezes não são visíveis no dia a dia da granja. Nesse cenário, preservar a saúde pulmonar é uma decisão técnica diretamente ligada à eficiência produtiva e à sustentabilidade econômica da atividade.

Sobre a Ceva Saúde Animal

A Ceva Saúde Animal (Ceva) é a 5ª maior empresa global de saúde animal, liderada por veterinários experientes, cuja missão é fornecer soluções de saúde inovadoras para todos os animais e garantir o mais alto nível de cuidado e bem-estar. Seu portfólio inclui medicina preventiva, como vacinas, produtos farmacêuticos e soluções de bem-estar para animais de produção e de companhia, além de equipamentos e serviços que contribuem para oferecer a melhor experiência aos clientes.

Com 7.000 funcionários em 47 países e distribuição de produtos em mais de 110 países, a Ceva trabalha diariamente para dar vida à sua visão como uma empresa One Health: “Juntos, além da saúde animal.”

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