Termografia infravermelha: uma nova ferramenta para uma produção de suínos mais eficiente

05-Out-2026
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Bart Peijnenburg
Especialista em Cadeia de Suprimentos e Carne

A eficiência alimentar é um dos principais fatores que determinam a rentabilidade na produção de suínos. Quanto mais eficientemente um suíno converte alimento em crescimento, menor é o custo de produção da carne suína. Pesquisadores no Canadá vêm explorando uma tecnologia que ajuda a identificar animais naturalmente mais eficientes, criando novas oportunidades para os programas genéticos da Hendrix Genetics Swine.

A tecnologia, conhecida como Termografia Infravermelha (IRT, na sigla em inglês), utiliza câmeras térmicas para medir o calor emitido pelo corpo do animal. Embora possa parecer uma tecnologia moderna, suas origens remontam ao século XIX, quando Sir William Herschel descobriu a radiação infravermelha. Atualmente, a imagem térmica é amplamente utilizada na área da saúde, na engenharia e, cada vez mais, na produção animal.

Na seleção genética de suínos, a termografia infravermelha ajuda a identificar animais que utilizam a energia de forma mais eficiente. Pesquisadores da Hendrix Genetics Swine observaram que alguns suínos naturalmente perdem menos energia na forma de calor e direcionam uma parcela maior dela para o crescimento. Essa descoberta levou ao desenvolvimento do Índice de Eficiência Térmica (TEI, na sigla em inglês).

O conceito é simples. Quando os suínos consomem alimento, parte da energia é destinada ao crescimento e outra parte é perdida na forma de calor. Os animais que perdem menos energia como calor tendem a ser mais eficientes, pois convertem uma proporção maior do alimento em produção de carne. Ao medir a temperatura superficial com câmeras infravermelhas, os melhoristas podem estimar quão eficientemente um suíno utiliza a energia.

O TEI foi desenvolvido por meio de uma colaboração entre a Hendrix Genetics Swine, a PhenoGeneSys Metrics, a University of Alberta e outros parceiros canadenses. Após vários anos de testes e validação em rebanhos-núcleo no Canadá, a tecnologia demonstrou seu valor em condições comerciais de melhoramento genético e agora está sendo introduzida na Europa.

Como o Índice de Eficiência Térmica funciona no programa de melhoramento genético

O TEI é uma ferramenta de seleção genética e não uma ferramenta de manejo. As imagens térmicas coletadas de suínos em rebanhos-núcleo são analisadas juntamente com dados de desempenho para gerar uma pontuação de TEI. Animais que desperdiçam menos energia na forma de calor recebem pontuações mais favoráveis.

Esses resultados são então combinados com outras características importantes, incluindo taxa de crescimento, eficiência alimentar, robustez, reprodução e qualidade de carcaça.

Os animais com maior mérito genético global são selecionados como pais da geração seguinte. Como o Índice de Eficiência Térmica apresenta herdabilidade moderada, a seleção contínua pode melhorar gradualmente a eficiência energética de toda a população.

Os resultados obtidos no Canadá mostram que suínos com pontuações favoráveis de TEI normalmente apresentam melhor eficiência alimentar, crescimento mais rápido, melhor aproveitamento energético, menor desperdício de alimento e melhor regulação térmica.

Para os produtores, o benefício é claro. A alimentação representa o maior custo na produção de carne suína, e selecionar animais que direcionam uma proporção maior da energia para o crescimento pode melhorar o desempenho e a rentabilidade ao longo do tempo.

Além disso, a termografia infravermelha é completamente não invasiva, o que a torna uma tecnologia favorável ao bem-estar animal e que pode ser implementada de forma eficiente em larga escala.

À medida que o setor continua concentrando esforços em eficiência, sustentabilidade e bem-estar animal, o Índice de Eficiência Térmica oferece uma nova ferramenta para o melhoramento genético. Após comprovar seu valor no Canadá, a tecnologia agora está ajudando programas de melhoramento genético na Europa a identificar suínos que aproveitam melhor a alimentação e contribuem para um futuro mais sustentável da produção de carne suína.

“Ao medir a perda de calor de forma não invasiva, o TEI nos ajuda a identificar suínos que utilizam a alimentação de maneira mais eficiente, promovendo melhor crescimento e maior rentabilidade.”

Bart Peijnenburg
Especialista em Cadeia de Suprimentos e Carne

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