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O futuro da rentabilidade na produção suína: Parte 2 – a magnitude do investimento

O sucesso depende de investimentos específicos que tornem os sistemas de produção mais precisos, previsíveis e resilientes. Reduzir custos por si só raramente é um caminho sustentável para a rentabilidade.

Em qualquer negócio, a rentabilidade é a recompensa pelas boas decisões tomadas ao longo do tempo. No entanto, na produção suína, essa relação é mais complexa. A rentabilidade não se limita à diferença entre custo e preço; é o reflexo de quão bem convertemos o potencial biológico em valor econômico. Quanto mais eficientemente transformarmos os insumos em produtos consistentes e de alta qualidade, mais resiliente e rentável será o sistema.

Na primeira parte desta série, apresentamos o princípio do cofrinho: o que se obtém dos suínos está diretamente relacionado ao que se investe neles. Reduzir custos por si só raramente é um caminho sustentável para obter benefícios. O sucesso depende de investimentos específicos que tornem os sistemas de produção mais precisos, previsíveis e resilientes.

A rentabilidade como um processo, não como uma foto fixa

A contabilidade tradicional costuma considerar os benefícios como uma foto fixa no tempo: receitas menos despesas. No entanto, em sistemas biológicos como a produção suína, o benefício é melhor compreendido como um fluxo, o efeito acumulado de muitas pequenas eficiências, riscos evitados e oportunidades aproveitadas ao longo do tempo.

Por exemplo:

  • Uma melhoria de apenas um ponto percentual na taxa de crescimento pode parecer pequena, mas em um sistema com 10.000 animais seu impacto se acumula com o tempo.
  • Reduzir a variabilidade entre os suínos de terminação em apenas alguns quilos pode gerar economias importantes na classificação, comercialização e processamento.

Quando essas melhorias são consideradas em conjunto, formam um retorno sistêmico do investimento, um padrão de benefícios que reforça tanto o resultado final quanto a resiliência do negócio diante das dificuldades.

Produção de precisão como um tipo de investimento

A produção de precisão redefine a variação biológica como uma variável econômica, algo que deve ser medido, modelado e gerenciado. Implica destinar capital não apenas a insumos como a ração ou instalações, mas também à informação, a base da precisão.

Os principais investimentos costumam ser classificados em três categorias:

  1. Tecnologias de medição: sensores, câmeras e balanças que registram automaticamente o crescimento, as condições ambientais e o uso de insumos.
  2. Infraestrutura de dados: sistemas que integram e interpretam as informações ao longo das fases produtivas até os resultados finais no frigorífico.
  3. Algoritmos de decisão: ferramentas e modelos preditivos que orientam intervenções em tempo real e otimizam o uso de recursos.

Deve-se prestar atenção especial à infraestrutura dos dados, já que é uma categoria em que a maioria das granjas pode começar a investir imediatamente. Em particular, os dados do frigorífico podem oferecer uma visão sem precedentes dos suínos em nível individual que, ao serem conectados com outros conjuntos de dados disponíveis, podem fornecer informações imediatas e práticas.

Figura 1: Os dados do frigorífico, combinados com outros dados, como nutrição, status sanitário, granja de reprodutoras etc., podem ajudar a identificar as causas da variação, bem como as medidas necessárias para resolvê-las.
Figura 1: Os dados do frigorífico, combinados com outros dados, como nutrição, status sanitário, granja de reprodutoras etc., podem ajudar a identificar as causas da variação, bem como as medidas necessárias para resolvê-las.

Quando analisados a partir de uma perspectiva econômica, esses investimentos geram três tipos de retorno:

  1. Ganhos em eficiência, ao ajustar os insumos com maior precisão às necessidades de cada animal.
  2. Ganhos em consistência, ao reduzir a variação e melhorar a previsibilidade ao longo do fluxo de produção.
  3. Ganhos em resiliência, ao criar sistemas que detectam e corrigem problemas antes que se convertam em perdas.

Embora cada retorno possa ser quantificado separadamente, seu efeito combinado costuma ser multiplicativo, em vez de aditivo; cada melhoria potencializa o impacto das demais.

Por exemplo, um melhor monitoramento sanitário (ganho em resiliência) amplia o valor da otimização da ração, ganho em eficiência, porque suínos saudáveis convertem a ração de forma mais previsível e com menor variabilidade (ganho em consistência).

O valor de reduzir a variação

Poucos fatores corroem a rentabilidade de forma mais silenciosa do que a variação descontrolada. Qualquer desvio do objetivo em relação ao peso ou à composição da carcaça se traduz em perda de valor. Os frigoríficos preferem a uniformidade porque simplifica sua produção e melhora a consistência do produto; os consumidores a preferem porque oferece uma qualidade previsível.

Do ponto de vista econômico, reduzir a variação melhora a rentabilidade de três maneiras:

1. Alinhamento com o mercado: um maior número de suínos que cumprem as especificações implica menos penalizações.

Figura 2: Exemplo da matriz de pagamento de um frigorífico europeu com prêmios e penalizações em função do peso da carcaça e da porcentagem de carne magra.

Peso carcaça (kg)
Magro % <75 76 78 84 108 109 110 111 112 >125
<45 -0,26 -0,23 -0,21 -0,19 -0,17 -0,19 -0,20 -0,21 -0,22 -0,37
45 -0,26 -0,23 -0,21 -0,19 -0,17 -0,19 -0,20 -0,21 -0,22 -0,37
46 -0,26 -0,23 -0,21 -0,19 -0,17 -0,19 -0,20 -0,21 -0,22 -0,37
47 -0,26 -0,23 -0,21 -0,19 -0,17 -0,19 -0,20 -0,21 -0,22 -0,37
48 -0,26 -0,23 -0,21 -0,19 -0,17 -0,19 -0,20 -0,21 -0,22 -0,37
49 -0,26 -0,23 -0,21 -0,19 -0,17 -0,19 -0,20 -0,21 -0,22 -0,37
50 -0,26 -0,23 -0,21 -0,19 -0,17 -0,19 -0,20 -0,21 -0,22 -0,37
51 -0,22 -0,19 -0,17 -0,15 -0,13 -0,15 -0,16 -0,17 -0,18 -0,33
52 -0,18 -0,15 -0,13 -0,11 -0,09 -0,11 -0,12 -0,13 -0,14 -0,29
53 -0,16 -0,13 -0,11 -0,09 -0,07 -0,09 -0,10 -0,11 -0,12 -0,27
54 -0,13 -0,10 -0,08 -0,06 -0,04 -0,06 -0,07 -0,08 -0,09 -0,24
55 -0,10 -0,07 -0,05 -0,03 -0,01 -0,03 -0,04 -0,05 -0,06 -0,21
56 -0,09 -0,06 -0,04 -0,02 - -0,02 -0,03 -0,04 -0,05 -0,20
57 -0,08 -0,05 -0,03 -0,01 +0,01 -0,01 -0,02 -0,03 -0,04 -0,19
58 -0,09 -0,06 -0,04 -0,02 - -0,02 -0,03 -0,04 -0,05 -0,20
59 -0,9 -0,06 -0,04 -0,02 - -0,02 -0,03 -0,04 -0,05 -0,20
60 -0,09 -0,06 -0,04 -0,02 - -0,02 -0,03 -0,04 -0,05 -0,20
61 -0,12 -0,09 -0,07 -0,05 0,03 -0,05 -0,06 -0,07 -0,08 -0,23
62 -0,12 -0,09 -0,07 -0,05 0,03 -0,05 -0,06 -0,07 -0,08 -0,23
63 -0,12 -0,09 -0,07 -0,05 0,03 -0,05 -0,06 -0,07 -0,08 -0,23
64 -0,12 -0,09 -0,07 -0,05 0,03 -0,05 -0,06 -0,07 -0,08 -0,23
>64 -0,12 -0,09 -0,07 -0,05 0,03 -0,05 -0,06 -0,07 -0,08 -0,23
Figura 3: Duas granjas, mas uma com menor varia&ccedil;&atilde;o nas taxas de crescimento, o que representa menos su&iacute;nos de crescimento lento devido a diferen&ccedil;as no programa de vacina&ccedil;&atilde;o. Menos su&iacute;nos de crescimento lento significa que os galp&otilde;es sejam esvaziados mais cedo, sem incorrer em tantas penaliza&ccedil;&otilde;es.
Figura 3: Duas granjas, mas uma com menor variação nas taxas de crescimento, o que representa menos suínos de crescimento lento devido a diferenças no programa de vacinação. Menos suínos de crescimento lento significa que os galpões sejam esvaziados mais cedo, sem incorrer em tantas penalizações.

2. Redução do risco: resultados previsíveis e consistentes permitem um planejamento de longo prazo mais preciso, o que se traduz em maior segurança nos contratos e nas coberturas.


Figura 4: Reduzir o n&uacute;mero de su&iacute;nos de crescimento lento n&atilde;o apenas diminui as poss&iacute;veis penaliza&ccedil;&otilde;es, mas tamb&eacute;m os custos derivados da ocupa&ccedil;&atilde;o de menos vagas nas baias e de menos horas de m&atilde;o de obra por su&iacute;no, al&eacute;m de otimizar o &iacute;ndice de convers&atilde;o.
Figura 4: Reduzir o número de suínos de crescimento lento não apenas diminui as possíveis penalizações, mas também os custos derivados da ocupação de menos vagas nas baias e de menos horas de mão de obra por suíno, além de otimizar o índice de conversão.

Ao analisar os resultados ao longo de múltiplos ciclos de produção, mesmo melhorias modestas na uniformidade podem gerar aumentos percentuais de dois dígitos na rentabilidade. Esse tipo de retorno dificilmente pode ser alcançado por meio de simples reduções de custos.

Medição do retorno da precisão

O retorno do investimento em produção de precisão depende tanto da escala quanto da maturidade dos dados. Nas primeiras fases, o valor costuma vir da identificação de ineficiências “ocultas”, variações que antes passavam despercebidas. À medida que os sistemas de informação amadurecem, os retornos se orientam mais para a otimização de benefícios, a predição e a tomada de decisões assistida.

A modelagem econômica pode ajudar a quantificar esses benefícios. Uma abordagem útil consiste em dividir os retornos em:

  1. Retornos diretos, como a redução do custo de ração por kg de ganho, maior sobrevivência, melhor utilização das instalações e menos penalizações comerciais.
  2. Retornos indiretos, como a tomada de decisões proativa, a capacitação e o feedback aos colaboradores e a redução do risco de doenças.
  3. Retornos estratégicos, que incluem uma maior adaptação às mudanças do mercado ou dos marcos regulatórios.

Os produtores que integram dados de precisão em seu planejamento de longo prazo não apenas obtêm maiores benefícios médios, mas também menores flutuações entre anos bons e ruins, um indicador-chave da resiliência. Em outras palavras, a precisão não se traduz apenas em maior rentabilidade, mas também em uma rentabilidade mais confiável.

Investir para a resiliência

Em mercados voláteis, a resiliência tem seu próprio valor econômico. A capacidade de manter a produção e a qualidade apesar das perturbações, sejam elas relacionadas aos custos da ração, às doenças ou às mudanças do mercado, se traduz em rentabilidade ajustada ao risco. Investidores e instituições financeiras reconhecem cada vez mais essa estabilidade como uma forma de eficiência do capital.

A produção de precisão gera resiliência por meio do feedback. Ao medir continuamente o desempenho e ajustar as decisões, cria-se um sistema de autocorreção. Os problemas são detectados a tempo e a variabilidade é gerenciada antes que se transforme em perdas. Dessa forma, a precisão não implica apenas eficiência, mas também controle. O produtor adquire o poder de influenciar os resultados, em vez de se limitar a reagir a eles.

O próximo passo

A magnitude do investimento em produção de precisão não se limita ao dinheiro gasto; trata-se de um objetivo estratégico. O objetivo é transformar a informação em valor e a variabilidade em previsibilidade. Ao investir em medição, integração de dados e análise, os produtores estão construindo um novo cofrinho, um que não apenas armazena valor, mas o multiplica.

Em uma futura edição, exploraremos como esses investimentos transformam a tomada de decisões em nível de granja, empresa e cadeia de suprimentos. Por enquanto, a lição é clara: a rentabilidade na produção suína moderna não está na redução de custos, mas na criação de sistemas que gerem benefícios diariamente por meio da precisão, da consistência e da resiliência.

Você também pode acessar o videocast gratuito “Produção suína de precisão: impulsionando a rentabilidade por meio da gestão da variabilidade” para se aprofundar nas estratégias práticas para reduzir a variabilidade, melhorar o valor da carcaça e aumentar a rentabilidade geral da granja.

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