1 de Julho de 2026
A cotação dos porcos em Portugal manteve-se em 1,952€/kg carcaça na Bolsa do Porco, na segunda quinzena de Junho. Quando se esperava que a cotação continuasse o seu caminho de subida, num período em que habitualmente é esse o comportamento de mercado, houve uma “travagem às 4 rodas”, não só em Portugal, mas em toda a Europa, em função do comportamento do mercado alemão.

Seja como for, a oferta de porcos tem vindo a diminuir e o peso também, não só porque esta é uma altura do ano em que a oferta é sempre menor porque há menos porcos nas explorações, mas também pelo calor que reduz os seus crescimentos. Mas a realidade é que a venda da carne continua muito complicada, apesar de estarmos numa altura em que os consumos de carne de porco costumam ser melhores. Os mercados já não são o que eram, e mesmo em períodos em que são expectáveis subidas, estas acabam por não ocorrer.
De qualquer forma, este inesperado comportamento do mercado europeu, principalmente nos países do Sul, foi devido à forte descida ocorrida na Alemanha nesta segunda metade do mês de Junho.
Os matadouros alemães, que têm tido muita dificuldade em vender a sua carne no mercado interno da Europa, devido à forte concorrência da carne espanhola, “obrigaram” a cotação a descer para ganharem competitividade e arrastaram todos os mercados dos seus países vizinhos (Dinamarca, Países Baixos e Bélgica) e impediram que a cotação espanhola pudesse subir e que levasse consigo a cotação portuguesa, como é usual.
É esta a consequência da existência de Peste Suína Africana nestes dois países, que são os maiores produtores da U.E. e se situam nos 6 maiores produtores mundiais de porcos. A Alemanha e a Espanha quase não exportam carne de porco para Países Terceiros, apesar de a grande maioria dos países reconhecer a regionalização de ambos, mas no mercado mundial há uma forte concorrência do Brasil que está a colocar muitas carne de porco na Ásia e a preços muito baratos.
Apesar da onda de calor em toda a Europa impedir o crescimento dos porcos e obrigar a uma menor oferta para abate, as cotações desceram e transmitem muita incerteza aos suinicultores que, na Alemanha tendem a fechar explorações por estarem há muito tempo a perder dinheiro. Nos Países Baixos ponderam a possibilidade de arrancar com novo plano de encerramento de explorações. Na Dinamarca, o novo ministério do bem-estar (deixou de ser da Agricultura), pretende diminuir a produção de porcos. Portanto, o futuro não é nada risonho para a produção de suínos europeia.
Adicionalmente, há que ter em consideração a contínua descida da cotação dos leitões para engorda. Há muito menos procura, já usual nesta altura do ano, mas que em 2026 tem sido ainda menor, fruto de haver menos lugares vazios nas engordas (os porcos crescem mais lentamente) e também porque há receio do que possa ser o mercado do porco no final do verão.
Veremos o que nos trazem as próximas semanas.
No que diz respeito à evolução das cotações europeias do porco, em Espanha a cotação manteve-se em 1,31€/kg PV na segunda quinzena de Junho (1,746€/kg carcaça). De acordo com as informações da Mercolérida, o peso baixou 2Kg nesta quinzena e está 1,8kg abaixo do peso do ano passado nesta mesma altura.
Na Alemanha a cotação baixou 0,10€/kg carcaça para 1,50€/kg carcaça na segunda quinzena de Junho. Os pesos em carcaça baixaram 600g para os 98kg. O mercado alemão continua sob pressão. As dificuldades no mercado da carne persistem para os matadouros. Os excedentes foram absorvidos nas últimas semanas e o mercado está a recuperar um melhor equilíbrio. Ao mesmo tempo, espera-se que as altas temperaturas reduzam gradualmente a oferta disponível das explorações agrícolas. Apesar desta situação ainda tensa, prevê-se que os preços se mantenham estáveis esta semana.
Nos Países Baixos a cotação baixou 0,05€/kg carcaça para 1,25€/kg carcaça na segunda metade de Junho.
Na Bélgica a cotação baixou 0,01€/kg PV para 1,12€/kg PV na segunda quinzena de Junho. Com um aumento de 7% no volume de abate em relação ao ano passado, os pesos continuam 1,4 kg abaixo do peso habitual, indicando que os produtores antecipam a saída de porcos para abate pois esperam um cenário mais complicado. As actuais altas temperaturas deverão agravar esta situação nas próximas semanas.
Na Dinamarca a cotação baixou 0,10€/kg carcaça para 1,19€/kg carcaça na segunda quinzena de Junho.
Em França, a cotação subiu 0,039€/kg carcaça para 1,474€/kg carcaça na segunda metade de Junho. Os pesos baixaram 2kg para 94,9kg e estão 1,1kg abaixo do peso de 2025. A França é o único país da europa em contra-ciclo. Foi o único país a subir a cotação num cenário de fortes descidas. O mercado francês ficou marcado pelo impacto da onda de calor em França, com uma quebra acentuada no abate e nos pesos.


