Como reduzir o déficit energético e maximizar o potencial produtivo dos leitões após o desmame

10-Ago-2026
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O desmame é considerado uma das etapas mais críticas e desafiadoras na suinocultura, pois os leitões enfrentam abruptamente diversos fatores de estresse que exigem uma rápida adaptação para preservar o bem-estar e a eficiência alimentar futura. É uma fase que coincide com o declínio natural da imunidade passiva recebida da porca através do leite e com o período em que o sistema imunológico ainda está imaturo, deixando o leitão em uma “janela de vulnerabilidade imunológica” crítica.

A integridade da mucosa intestinal pode ser afetada por esses estressores, resultando em diarreias comuns no pós-desmame e em impactos negativos na eficiência produtiva subsequente (SANTOS et al., 2021).

O sucesso do desempenho produtivo está intrinsecamente ligado ao binômio água-ração. De acordo com Silva et al. (2020), a ingestão de nutrientes via ração é diretamente proporcional ao consumo hídrico, uma vez que animais que bebem mais água tendem a apresentar maior apetite e ingestão de ração.

Portanto, o estímulo ao consumo de água logo após a entrada na creche é uma medida prioritária para evitar a desidratação e garantir que o trato gastrointestinal receba o suporte necessário para processar a nova dieta sólida.

A demanda hídrica proporcional ao peso vivo é mais elevada em leitões jovens do que em animais em fases posteriores (Rosa et al., 2021), tornando o estímulo ao consumo de água um ponto crítico no pós-desmame imediato. Entraves de manejo, como o estresse térmico por frio ou a superlotação das baias, podem retardar a adaptação dos animais, fazendo com que muitos levem até 48 horas para localizar e utilizar os novos bebedouros (PINHEIRO, 2014). Essa demora compromete a hidratação e, consequentemente, o início da ingestão de ração, essencial para a saúde intestinal.

O desmame impõe ao leitão um período crítico de balanço energético negativo, no qual a ingestão de água e energia metabolizável pode levar até duas semanas para retornar aos níveis ideais de manutenção e crescimento (LE DIVIDICH; SÈVE, 2000). Esse déficit inicial não compromete apenas o peso, mas altera profundamente a fisiologia digestiva do animal.

Como consequência direta da baixa ingestão voluntária de ração, ocorre uma redução na capacidade de digestão e absorção do trato gastrointestinal. Esse cenário favorece a passagem de nutrientes não digeridos para o intestino grosso, criando um ambiente propício para a proliferação de microbiota patogênica e a manifestação de graves distúrbios entéricos (CAMPBELL et al., 2013).

A barreira intestinal representa a primeira linha de defesa do organismo contra a invasão de bactérias patogênicas e a absorção de moléculas tóxicas. Para que essa estrutura permaneça funcional, a ingestão contínua de nutrientes no período pós-desmame é um dos fatores mais importantes (CAMPBELL et al., 2013).

No dia do desmame, o comportamento exploratório do leitão prioriza as visitas ao bebedouro (DYBKJAER et al., 2006). Como ele está acostumado com uma dieta líquida (leite), a água é o recurso que ele reconhece mais rapidamente como fonte de conforto ou saciedade inicial. Essa preferência natural pode ser explorada para acelerar a adaptação nutricional da nova dieta.

Essa estratégia não apenas potencializa a hidratação imediata, como também atua como um facilitador para a ingestão de ração sólida, resultando em um melhor desempenho zootécnico já na primeira semana pós-desmame (DA SILVA et al., 2020).

Dentre as estratégias nutricionais e de manejo comumente empregadas para mitigar perdas e otimizar o desempenho de leitões no pós-desmame, destacam-se o uso de extratos vegetais (Bontempo et al., 2014), ácidos orgânicos (Suiryanrayna; Ramana, 2015), plasma sanguíneo (Pérez-Bosque et al., 2016) e probióticos (Liao; Nyachoti, 2017). Adicionalmente, o emprego de óleos essenciais (Mass et al., 2020), aditivos flavorizantes na água (Da Silva et al., 2020) e óxido de zinco (Bonetti et al., 2021), somados ao aumento da idade ao desmame (Faccin et al., 2020), constituem ferramentas fundamentais nesse período.

A utilização de suplementos líquidos via água de bebida, compostos por fontes proteicas, eletrólitos e energia, atua positivamente no consumo diário de ração e no ganho de peso dos leitões. Além de favorecer o desempenho produtivo, essa estratégia melhora o estado de saúde geral do lote e, consequentemente, reduz a taxa de remoção de animais das baias por morbidades (MORRIS et al., 2017).

O consumo hídrico animal é influenciado por diversas variáveis, incluindo idade, peso, estágio fisiológico e condições ambientais, além de fatores técnicos como a vazão dos bebedouros (NAGAE et al., 2022). Contudo, a diretriz de estimar o consumo em torno de 10% do peso vivo permanece como uma métrica prática e aceitável para o manejo diário em granjas (CHASSAN et al., 2021), conforme pode ser observado no gráfico abaixo.

Consumo de água em relação ao peso dos leitões. Linha azul (10% do peso).

Linha rosa (consumo) Fonte: Adaptado de CHASSAN et al., 2021

Este consumo, conforme demonstrado no gráfico a seguir, concentra-se entre 6h00 e 18h00 (Little et al., 2021), portanto, as estratégias medicamentosas ou nutricionais utilizadas via água, quando fornecidas neste intervalo de horário, têm maiores chances de sucesso.

Consumo de água dos leitões em função da hora do dia. Fonte: Adaptado de LITTLE et al., 2021

No dia do desmame, os leitões priorizam as visitas ao bebedouro em detrimento do comedouro (DYBKJAER et al., 2006). Conforme observado no gráfico abaixo, esse comportamento eleva a ingestão hídrica nas primeiras 24 horas pós-desmame, tornando a administração de suplementos nutricionais via água estrategicamente mais benéfica do que via ração nesse período crítico (HWANG et al., 2016).

Distribuição e duração do tempo dos animais se alimentando e bebendo água no primeiro e segundo dias após o desmame. Fonte: Adaptado de Dybkjaer et al., (2006)

Nesse contexto, torna-se necessária a adoção de estratégias que visem à manutenção da integridade das vilosidades e criptas intestinais, à restauração do equilíbrio da microbiota, à modulação imunológica e à redução do déficit energético imediato nos pós-desmame. Tais ações são essenciais para maximizar o desempenho produtivo e elevar a resiliência dos animais frente a desafios sanitários (WAN et al., 2018; MODINA et al., 2019; HUTING et al., 2021).

Diante disto, desenvolveu-se um estudo para avaliar o uso de suplemento glicoeletrolítico (Hydrax®) sobre o desempenho e parâmetros sanguíneos de leitões no pós-desmame.

O estudo foi realizado no Centro de Tecnologia & Inovação “Prof. José Maria Lamas da Silva”, na cidade de Patrocínio-MG. Foram utilizados 240 leitões Agroceres PIC® desmamados com idade de 22,60 + 1,10 dias e peso inicial médio de 6,30 + 1,0 Kg.

O delineamento experimental foi em blocos ao acaso com 12 repetições por tratamento e 10 leitões por repetição (por baia), totalizando 240 leitões. Os blocos foram formados de acordo com o peso inicial dos leitões (leve, médio e pesado).

Os animais foram divididos em dois tratamentos experimentais logo após o desmame, sendo o grupo controle (n=120) e o tratamento (n=120), que receberam (Hydrax®) diluído em água na concentração de 0,75% por um período de três dias.

Neste estudo, o consumo diário de líquidos pelos leitões do grupo controle foi de 0,419 L/dia; já para o grupo de tratamento, o consumo foi de 0,639 L/dia, o que corresponde a um aumento de 50% no consumo no grupo que recebeu o suplemento glicoeletrolítico (Hydrax®).

No terceiro dia após o desmame, os leitões que consumiram o (Hydrax®) apresentaram melhor conversão alimentar (CA) que os leitões do controle. A melhoria da CA provavelmente se deveu à melhor hidratação dos leitões do tratamento suplemento, os quais tiveram melhor retenção de líquidos devido ao equilíbrio eletrolítico e a energia do suplemento, que preveniu a perda de peso que geralmente é característica desse período imediatamente pós-desmame.

Os leitões suplementados com o glicoeletrolítico (Hydrax®) apresentaram maior índice glicêmico que animais controle (P<0,05) e o volume corpuscular médio (VCM) e a hemoglobina corpuscular média (HCM) foram superiores para os leitões suplementados (P<0,05).

“A glicose, principal monossacarídeo energético do organismo, desempenha um papel central no metabolismo, incluindo a termogênese, sendo armazenada como glicogênio nos tecidos hepático e muscular. Os níveis glicêmicos superiores observados nos animais suplementados decorrem da rápida absorção dos componentes energéticos presentes no suplemento glicoeletrolítico utilizado.”

Os resultados demonstram que a administração de um suplemento glicoeletrolítico oral (Hydrax®) imediatamente após o desmame constitui uma estratégia eficaz para mitigar o estresse dessa fase crítica. A suplementação estimulou o consumo hídrico e otimizou a conversão alimentar no período inicial. Além disso, observou-se a elevação dos níveis glicêmicos sem a ocorrência de distúrbios entéricos (diarreia), favorecendo a homeostase dos leitões desmamados.

PARA SABER MAIS ACESSE: https://agroceresmultimix.com.br/hydrax

BALBINOTTI, V. ; MENEZES, M. G. A. ; SILVA, A. M. ; FERREIRA, F. N. A. ; PERIPOLLI, V. ; PILATI, C. ; BIANCHI, I. ; SCHWEGLER, E. ; Moreira, F. . Effect of glycoelectrolytic supplement on post-weaning piglet performance and intestinal integrity. TROPICAL ANIMAL HEALTH AND PRODUCTION JCR, v. 55, p. 1, 2023. https://doi.org/10.1007/s11250-023-03826-7

 

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