Epiteliogênese imperfeita
Este problema caracteriza-se pela ausência congênita de epiderme ou epitélio mucoso, com mais frequência nas extremidades posteriores e na cavidade oral. Em algumas ocasiões também se conhece como ‘aplasia cutis’. Os suínos afetados podem morrer dependendo da severidade e/ou da localização da falta de pele.

(Fonte: Benoit-Biancamano, M. O.; Drolet, R.; D'Allaire, S. (2006). J. Veterinary Diagnostic Investigation 18: 573-579)
Os dados que apresentamos no artigo ‘Quais são as perdas econômicas associadas aos defeitos genéticos?’ sugerem que a incidência dos defeitos era rara (0,001%). Contudo, dados não publicados do núcleo de seleção de uma empresa de genética sugerem que os níveis típicos são muito mais altos, até 0,067%. Esta patologia foi descrita em diferentes genótipos e crê-se que é controlada por um gene autossômico recessivo de locus único (os autossomos são os cromossomos que não são nem o X nem o Y). Contudo, um trabalho recente feito no Canadá sugere que poderia estar ligado ao sexo e que ocorre, sobretudo, em leitões machos.
Ptiríase rósea

Trata-se de um dos defeitos genéticos mais frequentes em suínos, oscilando tipicamente entre 0,10 e 0,40%. A incidência é significativamente mais elevada na raça Landrace e seguramente é causada por um fator autossômico dominante com penetração incompleta (o que significa que alguns suínos não expressam esta característica, ainda que sejam portadores do alelo ou gene).
Essa condição causa lesões cutâneas semelhantes às observadas na dermatofitose. As lesões iniciais caracterizam-se por pequenas pápulas eritematosas que se expandem, formando anéis avermelhados com bordas elevadas e criando um padrão em mosaico. O centro da lesão costuma ser plano e coberto com escamas castanhas. As lesões encontram-se basicamente na parte ventral do abdômen e na parte interna das coxas, mas em certas ocasiões podem aparecer em outras áreas. É comum ver essa lesão em suínos de dois ou três meses de idade. Ocasionalmente pode aparecer em leitões lactantes e, muito raramente, em suínos de mais de 1 ano de idade. A recuperação costuma ser espontânea em 4 a 8 semanas.

(Fonte: R. D. A. Cameron from Merck Veterinary Manual)
Melanoma
Os melanomas são reconhecidos visualmente como lesões cutâneas com pigmentação negra. O seu tamanho, forma, número e progressão são muito variáveis. As metástases costumam afetar os linfonodos e pulmões, ainda que o fígado e o baço também possam ser afetados.
O melanoma é muito raro na maioria das raças, mas tem uma elevada incidência em certas raças miniatura desenvolvidas para a investigação médica (como a MiLiM, Múnich e Sinclair). Também foi descrito em certas linhagens de suínos ibéricos e relatos sugerem uma maior incidência nos Duroc puros.

A seguir apresentamos dados não publicados de dois núcleos Duroc distintos que validam esta evidência anedótica.
No primeiro estudo, foram coletados dados durante vinte meses desde maio de 2009 a dezembro de 2010 e inspecionaram-se todos os animais ao parto ou durante os 3 primeiros dias de vida. A incidência média de melanoma foi de 0,43%. Também identificaram-se lesões do tamanho da cabeça de um alfinete em 0,19% dos suínos, a maior parte evoluiu para lesões significativas durante o crescimento. Em conjunto, esses números sugerem uma incidência de 0,62% nesta granja.

No segundo estudo, foram coletados dados durante dezesseis meses, desde janeiro de 2010 a abril de 2011, e os suínos foram inspecionados com regularidade desde o parto até uma idade média de desmame de 27,9 dias. A incidência de melanomas foi de 1,04%. Neste estudo, os suínos pós-desmame também foram regularmente inspecionados durante a engorda, detectando-se 1,56% adicional de suínos com lesões. Atualmente são recolhidas amostras de DNA de todos os suínos afetados e dos irmãos de leitegada para a sua posterior avaliação.
É interessante observar que a frequência de melanomas em humanos cresceu nas décadas recentes - trata-se de um câncer com elevada mortalidade devido principalmente às metástases e à sua pouca resposta à radioterapia ou à quimioterapia. Agora utiliza-se o suíno como um modelo para descobrir o controle genético da doença. Até o momento, esses estudos sugerem uma herdabilidade complexa, envolvendo vários loci com diferentes penetrâncias e, possivelmente, diferentes modos de ação genética. Pelo menos um dos loci foi relacionado ao complexo principal de histocompatibilidade suína (SLA).
