A atual pandemia de Peste Suína Africana (PSA) tem tido consequências devastadoras para os países afetados, com a disseminação contínua apesar das intensivas medidas de controlo. A suspeita de transmissão entre espécies, entre hospedeiros selvagens e domésticos, complica ainda mais os esforços de controlo, embora o seu papel na propagação da epidemia permaneça incerto.
Objetivo e métodos: Neste estudo, foi desenvolvido e calibrado um modelo mecânico de transmissão multi-hospedeiro para a primeira vaga da epidemia na Roménia (junho-dezembro de 2018), quantificando esta dinâmica e avaliando cenários alternativos de gestão e controlo.

Resultados: Estimou-se que 60% (intervalo de confiança de 95%: 27–83%) dos surtos nas explorações afetadas estavam ligados a outras explorações afetadas, 27% (5,3–67%) a populações de javalis selvagens infetadas e 13% (1,9–27%) a fontes externas. Para os javalis selvagens, estimou-se que 39% (3,8–93%) das populações infetadas tinham origem em explorações afetadas e 61% (7,3–96%) de outras populações de javalis selvagens infetadas, tendo sido observadas maior suscetibilidade e infetividade em habitats favoráveis em comparação com os desfavoráveis. Entre as estratégias de controlo alternativas, o abate preventivo de suínos domésticos resultou numa maior redução do tamanho médio final da epidemia na população de suínos domésticos.
Conclusão: Estas descobertas fornecem provas quantitativas de que a transmissão entre espécies foi um fator determinante na propagação da epidemia e constitui um objetivo essencial para alcançar um controlo abrangente da PSA. Este modelo oferece uma estrutura flexível e de rápida implementação para orientar as políticas de vigilância e resposta em regiões de risco.
Hayes, B., Vergne, T., Rose, N. et al. A multi-host mechanistic model of African swine fever emergence and control in Romania. Nat Commun 17, 2659 (2026). https://doi.org/10.1038/s41467-026-70769-6





