Não se começa a casa pelo telhado: o que vem antes da intervenção hormonal na reprodução suína

28-Out-2026
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Os hormônios reprodutivos estão há anos no mercado e, bem utilizados, funcionam. Quando o resultado não aparece, a falha raramente está no produto. Costuma estar antes: uma porca fora de condição, um diagnóstico feito a olho, um produto mal conservado ou uma dose aplicada fora do horário. É sobre essa ideia que se constrói a série de cápsulas da Virbac Swine Bio-Academy sobre hormônios na reprodução suína, que este artigo resume.

Sincronizar leitoas: primeiro, a seleção

O progestágeno freia temporariamente o eixo hipotálamo-hipófise e, ao ser retirado, as fêmeas retomam o ciclo ao mesmo tempo. Para isso, é preciso haver um ciclo a ser retomado: uma leitoa impúbere ou em anestro não responde. Por isso, a seleção vem antes do protocolo (crescimento, idade, espessura de toucinho, estímulo com o macho), e a ultrassonografia ajuda a identificar as impúberes.

Com altrenogest durante 18 dias, a meta é que pelo menos 95% das fêmeas entrem em cio, em geral entre 5 e 6 dias após a última dose. Quanto mais agrupados estiverem esses cios, melhor a fertilidade e mais fácil cumprir a meta de coberturas de cada lote. As falhas mais comuns têm a ver com o horário (sempre à mesma hora, com margem de uma hora), com doses incompletas e com a conservação do produto. Quanto à duração, os tratamentos com menos de 5 dias ou mais de 15 funcionam bem; os intermediários rendem menos.

A tabela 1 resume o que cada grupo hormonal faz e quando é utilizado.

Tabela 1. Grupos hormonais: ação principal e uso mais frequente.

As gonadotrofinas, aplicadas por volta de 24 horas após o desmame, antecipam o cio e também a ovulação. Em um esquema de três inseminações em horários fixos, a terceira pode chegar quando a janela fértil já se fechou (figura 1).

Figura 1. Janela de fertilidade em torno da ovulação e efeito da ovulação antecipada sobre a 3ª inseminação do programa. A posição da 2ª inseminação é estimada a partir do intervalo de 24 h entre inseminações.

Diagnóstico: tratar sem saber sai caro

Em reprodução, muitos diagnósticos ficam no presuntivo e a ultrassonografia é pouco utilizada. O caso típico começa com uma retenção de placenta ou uma endometrite que mantém o corpo lúteo ativo e a progesterona alta. A porca não entra em cio, é tratada como se estivesse em anestro e recebe uma gonadotrofina que, com progesterona presente, termina em cistos foliculares (figura 2).

Figura 2. Como um diagnóstico presuntivo encadeia erros: a porca em fase lútea, tratada como se estivesse em anestro, pode receber gonadotrofina e desenvolver cistos foliculares. A ultrassonografia reprodutiva ajuda a distinguir o anestro verdadeiro da fase lútea.

A ultrassonografia tira a dúvida. No anestro verdadeiro, com ovário pequeno e folículos de 3 a 4 mm, a gonadotrofina está indicada se a porca estiver saudável e em boa condição corporal. Em fase lútea, não.

Como referência, 90% das porcas deveriam estar em cio aos 7 dias após o desmame e 97% aos 10 dias.

Manejo: o que pesa tanto quanto o produto

O produto é sensível à luz e ao calor, degrada-se com aplicadores sujos e deve ser conservado e dosado de acordo com a bula.

A porca só destina recursos à reprodução quando tem o restante coberto, por isso a nutrição precisa ser planejada em todas as fases. O flushing ajuda no pós-desmame e em fêmeas magras, mas contribui pouco para aquelas que já chegam em boa condição. O ambiente também influencia: o estresse ambiental e social altera a secreção de LH e compromete a manutenção dos corpos lúteos.

Na detecção de cio, quem estimula muito a porca tende a detectá-lo antes, e quem espera o reflexo de imobilidade o detecta mais perto da ovulação. As duas formas funcionam se o momento de inseminar for ajustado à forma de detectar. O macho rufião continua sendo imprescindível.

O objetivo de cada protocolo é definido antes de começar: 95% das fêmeas em cio na sincronização, e cio de qualidade entre 4 e 7 dias depois na indução com gonadotrofina.

Tempo fixo: eficaz, mas exigente

Na inseminação em tempo fixo, aplica-se normalmente um análogo de GnRH em um horário definido e insemina-se em horário fixo, sem esperar o cio. Isso reduz a subjetividade da detecção, economiza mão de obra e doses e agrupa os partos. Em contrapartida, os protocolos são rigorosos, é preciso tratar todas as fêmeas e os produtos são caros. Fertilidade e nascidos são muito semelhantes aos da inseminação convencional, portanto a decisão depende de a granja conseguir sustentar essa exigência.

Os protocolos combinados, com altrenogest seguido de gonadotrofina, dão bons resultados em leitoas em épocas desfavoráveis e em primíparas que precisam recuperar a condição. O risco, mais uma vez, é aplicar a gonadotrofina sem diagnóstico.

As cápsulas resumem isso em uma frase: “não comecemos a casa pelo telhado”. Cada tema deste artigo é desenvolvido em uma delas na Virbac Swine Bio-Academy: Acesse aqui!

Conteúdo elaborado em colaboração com a Virbac.

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