Protegendo leitões contra diarreia pós-desmame com fitogênicos

02-Jun-2026
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Escrito por: Roberto Montanhini / Adaptado por: Alexandre Gomes e Henrique Rodrigues

Na suinocultura, o período pós-desmame é marcado por uma série de fatores estressantes aos animais, os quais possuem potencial de desencadear alterações fisiológicas e patológicas. A manutenção da microbiota intestinal é um parâmetro importante a ser observado e mantido, visto que esta pode impactar diretamente a saúde do animal, em que bactérias patogênicas se aproveitam do desequilíbrio para causarem doenças como a diarreia.

A diarreia pós-desmame é um problema enfrentado por produtores de suínos em todo o mundo. A doença é caracterizada por diarreia, desidratação, desuniformidade, mortalidade e atraso no crescimento dos suínos sobreviventes. O impacto direto desta afecção, para além da mortalidade e morbidade, é a redução de índices zootécnicos como ganho de peso diário (GPD), conversão alimentar (CA), gasto com medicamentos e alocação de mão de obra.

Diversos fatores, incluindo manejo, ambiente, nutrição e suscetibilidade genética, desempenham um papel crítico na gravidade da doença.

Por isso, o controle da diarreia pós-desmame requer uma abordagem multidisciplinar, tais como práticas de manejo nas granjas, uso de programas adequados de sanidade e vacinação, redução de estresse após o desmame, fornecimento de alimento e água frescos e de qualidade, um ambiente confortável (temperatura e umidade) e espaço adequado para os leitões recém-desmamados.

Intervenções nutricionais para mitigar a diarreia pós-desmame

O gerenciamento de programas nutricionais também é um aspecto essencial no controle da diarreia pós-desmame. Os sistemas convencionais de produção de suínos utilizam antibióticos, níveis farmacológicos de zinco, fibras, proteínas altamente digestíveis, plasma spray dried, acidificação dietética, aditivos funcionais e outros para ajudar os leitões recém-desmamados a superar os desafios do pós-desmame.

Sua eficácia é de difícil comprovação laboratorial devido ao custo e disponibilidade para identificar genes codificadores da resistência a óxido de zinco e cadmio (czrC).

O uso de níveis farmacológicos de zinco tem sido uma abordagem amplamente utilizada no controle da diarreia pós-desmame. No entanto, regulamentos tem limitado o uso dessa estratégia nutricional na produção de suínos. Sabe-se que o uso de zinco em níveis farmacológicos foi proibido na União Europeia, e não demorará para que outras regiões do mundo adotem abordagem semelhante para regulamentar o uso desse mineral devido a preocupações com resistência microbiana e contaminação ambiental.

Fitogênicos para mitigar os desafios do pós-desmame

Entre as estratégias nutricionais, aditivos para rações tem se mostrado uma ferramenta eficaz para mitigar os desafios do momento pós desmame. Os aditivos fitogênicos são reconhecidos por seu potencial em melhorar o desempenho de crescimento, a digestibilidade dos nutrientes e a saúde intestinal dos animais de interesse zootécnico, incluindo suínos. Eles são comumente definidos como aditivos à base de plantas ou um grupo de substâncias naturais de diferentes origens, como óleos essenciais, substâncias amargas e pungentes, mucilagens, flavonoides, taninos e saponinas.

Com objetivo de reduzir o uso de antimicrobianos, melhorar índices zootécnicos e promover a saúde única, a Cargill tem pesquisado uma combinação de óleos essenciais, flavonoides e mucilagens adicionada em dietas pós-desmame sem doses terapêuticas de óxido de zinco para apoiar o desempenho dos suínos. Essa fórmula selecionada de compostos fitogênicos suporta o animal em três níveis:

1. Proteção da mucosa intestinal: uma fina camada de mucilagens impede a adesão de alguns patógenos.

2. Redução da patogenicidade bacteriana: efeito sinérgico dos ingredientes reduz a virulência das bactérias intestinais por meio da interferência no Quorum Sensing (QSI), que interrompe as vias de comunicação bacteriana, reduzindo a expressão de fatores de virulência, como fímbrias e produção de toxinas.

3. Efeitos antioxidantes: mediado pela regulação positiva de enzimas antioxidantes e estabilização direta de espécies reativas de oxigênio.

Testando a fórmula fitogênica durante desafios pós-desmame

Essa combinação de compostos fitogênicos foi testada em vários estudos sob condições de campo:

Estudo na Alemanha:

Em uma granja comercial com histórico de diarreia pós-desmame associada à Escherichia coli, 540 leitões desmamados foram divididos em 30 baias (18 por baia) durante 42 dias. Os tratamentos foram:

· Dieta controle (sem níveis terapêuticos de óxido de zinco).

· Dieta controle suplementada com fitogênicos (1kg/t).

A suplementação com fitogênicos melhorou a sobrevivência (97,4% vs. 96,0%) e diminuiu o número de leitões que precisaram de medicamentos para controlar a diarreia (1,8% vs. 2,9%) em comparação ao tratamento controle. Isso sugere que a fórmula fitogênica é benéfica durante surtos de diarreia pós-desmame, melhorando a sobrevivência e reduzindo custos com tratamentos.

Estudo na Espanha:

Em outro estudo de campo, 682 leitões desmamados foram divididos em 62 baias (11 por baia) durante 42 dias. Os tratamentos foram:

· Controle (3.000 ppm de óxido de zinco nos primeiros 14 dias).

· Fitogênico (1kg/t durante 42 dias).

Não houve diferenças estatísticas em desempenho, escore fecal, tratamentos injetáveis e mortalidade. No entanto, o consumo médio diário de ração nos primeiros 14 dias tendeu a aumentar com o fitogênico em comparação ao controle (230g vs. 220g; P=0,07).

A ausência de diferenças estatísticas mostra efeitos semelhantes no desempenho dos animais que receberam rações com 3.000 ppm de óxido de zinco ou com o fitogênico, indicando que o fitogênico testado pode ser utilizado como alternativa ao óxido de zinco no suporte aos leitões no pós-desmame.

Conclusão

Compostos fitogênicos específicos e comprovados podem ser utilizados como estratégia nutricional em dietas pós-desmame para combater os desafios desse período, reduzindo a dependência de óxido de zinco terapêutico.

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