Melhorando a eficiência da utilização de ferro em matrizes suínas hiperprolíficas

03-Jun-2026
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O ferro heme presente nas hemácias spray dried surge como alternativa estratégica para melhorar a hemoglobina materna no final da gestação e reduzir o risco de anemia neonatal.

O melhoramento genético na produtividade das matrizes suínas aumentou significativamente o tamanho das leitegadas, intensificando as demandas fisiológicas impostas às matrizes. Um dos desafios mais críticos decorrentes dessa evolução é o metabolismo do ferro, especialmente durante a fase final da gestação.

À medida que a gestação avança, as exigências de ferro aumentam acentuadamente devido ao crescimento fetal e ao aumento da eritropoiese materna. Apesar do uso disseminado de suplementação com fontes inorgânicas de ferro, como o sulfato ferroso, a anemia gestacional em matrizes e a anemia ao nascimento em leitões continuam altamente prevalentes.

Isso evidencia um ponto importante das estratégias nutricionais atuais: fornecer ferro nem sempre é suficiente se ele não for eficientemente absorvido e utilizado.

FERRO DAS HEMÁCIAS: UMA ABORDAGEM NUTRICIONAL ALTERNATIVA

As hemácias spray dried são um ingrediente derivado do sangue caracterizado por uma concentração proteica muito elevada (aproximadamente 92% de proteína bruta) e alta digestibilidade. Além de seu alto valor nutricional como fonte de proteína, as hemácias fornecem naturalmente ferro heme, estruturalmente integrado à hemoglobina.

O ferro heme, naturalmente presente na hemoglobina, segue uma via de absorção e metabolismo distinta em comparação com o ferro inorgânico. Ele é absorvido inteiro por mecanismos de transporte específicos, sendo menos sensível a interações com a dieta que podem limitar a disponibilidade do ferro inorgânico.

Essas características tornam o ferro heme particularmente importante quando o ferro precisa ser direcionado rapidamente para a síntese de hemoglobina, em vez de ser armazenado — especialmente no final da gestação, quando a demanda fisiológica atinge o pico e a eritropoise é mais alta em matrizes suínas hiperprolíficas.

COMPARAÇÃO DE FONTES DE FERRO EM CONDIÇÕES COMERCIAIS

Um estudo recente revisado por pares, realizado por McClellan et al. (2025), avaliou os efeitos de diferentes fontes de ferro na dieta de matrizes suínas hiperprolíficas ao longo de um ciclo reprodutivo completo. Para isolar o impacto da forma do ferro, o estudo comparou o sulfato ferroso (ferro inorgânico), uma fonte de ferro orgânico não-heme e uma fonte de ferro heme derivada das hemácias spray dried (AP 301). No tratamento com ferro heme, o ferro heme orgânico substituiu parcialmente o ferro inorgânico, refletindo condições práticas de formulação.

O estudo demonstrou de forma clara que a fonte de ferro influenciou os resultados fisiológicos, mesmo quando a ingestão total de ferro foi equivalente.

PRINCIPAIS ACHADOS SOBRE A NUTRIÇÃO DE MATRIZES

Uma das descobertas mais relevantes para a nutrição das matrizes foi observada durante a fase final da gestação. As matrizes que receberam ferro heme apresentaram concentrações significativamente mais elevadas de hemoglobina por volta do 90º dia de gestação, coincidindo com o período de maior demanda por ferro. Isso indica uma utilização funcional mais eficiente do ferro para a eritropoiese durante a fase final da gestação, em vez de um aumento no armazenamento de ferro.

Paralelamente, o estudo relatou uma redução significativa na prevalência de anemia em leitões ao nascer quando as matrizes receberam fontes orgânicas de ferro, incluindo ferro heme, em comparação com o sulfato ferroso.

É importante ressaltar que essa diferença foi observada antes da injeção pós-natal de ferro, o que ressalta o papel da nutrição materna de ferro durante a gestação na determinação do estado de ferro do recém-nascido. Esses resultados reforçam um conceito importante para a nutrição moderna das matrizes: a mesma quantidade de ferro na ração não garante a mesma resposta biológica.

Embora o ferro orgânico não-heme tenha apresentado a menor prevalência de anemia em leitões ao nascer, o ferro heme também reduziu a anemia neonatal em comparação com o sulfato ferroso, apesar de ter substituído apenas parcialmente o ferro inorgânico no estudo.

POR QUE O FERRO DAS HEMÁCIAS É IMPORTANTE EM MATRIZES HIPERPROLÍFICAS?

O estudo destaca uma importante distinção entre o ferro utilizado para reserva e o ferro utilizado para funções fisiológicas. Enquanto algumas fontes de ferro influenciaram principalmente os indicadores de reserva no início da gestação, o ferro heme foi associado a uma melhor concentração de hemoglobina durante a fase final da gestação, quando o ferro deve ser rapidamente mobilizado e utilizado. Essa distinção ressalta os papéis complementares da reserva de ferro e da funcionalidade do ferro no atendimento às demandas fisiológicas de matrizes hiperprolíficas.

Em matrizes hiperprolíficas, nas quais o acúmulo de ferro no feto atinge seu pico no final da gestação, essa eficiência funcional torna-se ainda mais relevante. Melhorar os níveis de hemoglobina materna nesse período pode ajudar a garantir o suprimento de oxigênio ao feto e reduzir o risco de anemia neonatal. Os ingredientes derivados do sangue fornecem ferro em sua forma natural ligado ao heme, estruturalmente integrado à hemoglobina. Do ponto de vista nutricional, isso oferece várias vantagens que estão em linha com os resultados do estudo:

  • Utilização eficiente para a síntese de hemoglobina
  • Disponibilidade consistente de ferro em diferentes formulações da dieta
  • Alinhamento com a demanda fisiológica de ferro durante a fase final da gestação
  • Boa tolerância gastrointestinal para uma formulação prática

As hemácias contidas no AP 301 representam uma fonte de ferro heme, ao mesmo tempo em que contribuem com proteína de alta qualidade para a alimentação das matrizes suínas.

Com base nos resultados do estudo, o ferro heme pode desempenhar um papel estratégico na melhora dos níveis de hemoglobina materna durante os períodos de maior demanda por ferro, particularmente no final da gestação.

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