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O estresse em matrizes lactantes afeta pouco o comportamento maternal, mas tem implicações importantes no manejo do estresse dos leitões

O estresse durante a lactação causou um aumento nos níveis de cortisol no leite e na saliva das matrizes.

26 Maio 2026
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Crias em sistemas convencionais de produção suína estão sujeitas a diversos desafios, muitos ligados a condições de alojamento subótimas, que aumentam o risco de estresse materno durante a lactação. Esse estresse pode gerar alterações no cuidado materno e, consequentemente, influenciar as experiências precoces dos leitões.

Objetivo: Este estudo investigou como o estresse materno durante a lactação afeta o cuidado materno, analisando mudanças no comportamento das cerdas — como agressões, momentos de amamentação e contato social com a descendência — e na fisiologia, focando em hormônios-chave para a regulação do estresse (cortisol) e vínculo social (ocitocina). Também se avaliou como dois ambientes de criação diferentes influenciam as respostas comportamentais e fisiológicas precoces dos leitões durante uma separação materna. Além disso, os leitões foram separados com ou sem a presença de companheiros de ninhada para analisar os efeitos do “isolamento social” sobre suas respostas.

Métodos: Entre os dias 2 e 15 de lactação, as cerdas receberam uma injeção de hormônio adrenocorticotrópico (ACTH; n = 10) ou solução salina (grupo controle, C; n = 10), simulando condições de alto ou baixo estresse, respectivamente. Durante o tratamento, foram coletadas amostras de leite e saliva para avaliar os efeitos do estresse materno sobre as concentrações de cortisol e ocitocina. Dados comportamentais e amostras de saliva dos leitões também foram coletados durante uma separação materna de 4 horas, seguida de reunião, e em dias de controle correspondentes. Durante a separação, amostras de plasma dos leitões foram coletadas para análise de cortisol e ocitocina, e o comportamento de um subgrupo de leitões foi registrado em intervalos regulares.

Resultados: As cerdas tratadas com ACTH apresentaram aumentos significativos de cortisol em saliva e leite durante a lactação. Não foram observadas diferenças comportamentais entre cerdas ACTH e controle durante as separações ou reuniões, embora as cerdas ACTH tenham mostrado tendência a deitar-se menos de lado nos dias de controle. O ambiente de criação não teve efeitos significativos sobre a atividade ou os hormônios dos leitões. Durante as reuniões, os leitões do grupo controle demonstraram maior preferência pelo contato com a mãe do que com outros leitões, em comparação com os leitões de mães tratadas. Leitões alojados em grupo durante as separações apresentaram níveis mais baixos de cortisol do que os alojados individualmente.

Conclusão: Apesar de as cerdas tratadas com ACTH apresentarem poucas alterações comportamentais indicativas de maior resposta ao estresse, as mudanças fisiológicas observadas no leite podem ter implicações a longo prazo para os leitões.

Cathinka C. Jørgensen, Ulrike Gimsa, Liza R. Moscovice, Few effects of sow lactational stress on maternal behavior, but altered physiology with implications for piglet early life stress coping, Applied Animal Behaviour Science, 2025, 106675, ISSN 0168-1591, https://doi.org/10.1016/j.applanim.2025.106675.

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