Preço do suíno reage de forma consistente e relação de troca com principais insumos volta a subir depois de muitos meses

23-10月-2026
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Após atingirem o fundo do poço em agosto/26, as cotações do suíno vivo e da carcaça voltaram a subir em todo o Brasil. Ainda não temos dados detalhados de abate do terceiro trimestre, mas dados preliminares do SIF indicam que houve uma queda no ritmo de crescimento do abate em cabeças nos últimos 3 meses e há sinais de redução do peso das carcaças que, junto com o aquecimento da demanda, determinam um aumento significativo do preço pago ao produtor (gráficos 1 e 2).

Gráfico 1. Indicador SUÍNO VIVO – CEPEA/ESALQ (R$/kg) em MG, PR, RS, SC e SP, mensal, de 2026. Em destaque, as médias de outubro/26 até 20/10.
Extraído da plataforma ABCS Data Insights, com dados do CEPEA.Gráfico 2. Indicador MENSAL CARCAÇA SUÍNA ESPECIAL – CEPEA/ESALQ (R$/kg) em São Paulo/SP, EM 2026, até dia 20/10 (em destaque).
Extraído da plataforma ABCS Data Insights, com dados do CEPEA.

No acumulado de nove meses do ano de 2026, as exportações totais de carne suína (in natura + processada) atingiram quase 1,18 milhão de toneladas, superando em 6,23% os volumes do mesmo período de 2025 (tabela 1). Embora em setembro/26 tenha havido um recuo em relação a setembro do ano passado, na comparação com agosto/26 cresceu quase 4 mil toneladas.

Tabela 1. Volume mensal (em toneladas) e receita (FOB) de carne suína brasileira in natura e processada exportada pelo Brasil de janeiro a setembro de 2026 e comparativo (%) com o mesmo mês do ano anterior.
Extraído da plataforma ABCS Data Insights, com dados da SECEX.

A mesma desaceleração do crescimento da produção nacional em relação ao ano passado, observada nos últimos meses, está acontecendo com as exportações neste segundo semestre, coincidindo com a redução dos embarques para o principal destino de nossa carne suína: as Filipinas (tabela 2), que representam mais de 22% do total exportado entre janeiro e setembro/26 (tabela 3).

Tabela 2. Volume mensal (em toneladas) e receita (FOB) de carne suína brasileira in natura e processada exportada pelo Brasil para as FILIPINAS, de janeiro a setembro de 2026 e comparativo (%) com o mesmo mês do ano anterior. Destaque para a queda significativa (em %) ocorrida entre junho e setembro/26 em relação aos mesmos meses do ano passado.
Extraído da plataforma ABCS Data Insights, com dados da SECEX.Tabela 3. Volume mensal (em toneladas) e receita (FOB) de carne suína brasileira in natura e processada exportada pelo Brasil para os 10 principais destinos, de janeiro a setembro de 2026 e comparativo (%) com o mesmo mês do ano anterior e a participação (%) de cada destino.
Extraído da plataforma ABCS Data Insights, com dados da SECEX.

No tocante ao custo de produção, no boletim de setembro já havíamos atribuído a alta do milho muito mais a uma expectativa de quebra de safra para a temporada 2026/27, em função do El Niño extremo esperado, do que à oferta presente do grão, cuja disponibilidade é mais que suficiente para atender o mercado doméstico e exportações. O plantio da primeira safra (verão) começou relativamente bem, dentro do prazo, apesar do excesso de umidade no Sul e a irregularidade das chuvas em algumas regiões do Centro-oeste. O primeiro levantamento da safra 2026/27 da CONAB, publicado semana passada, projeta safra recorde de soja (181,6 milhões de toneladas) e milho (148 milhões de toneladas). Todo este cenário contribuiu para a queda das cotações do milho no mês de outubro (gráfico 3).

Gráfico 3. Preço médio mensal do MILHO (R$/SC 60 kg) em CAMPINAS-SP, em 2026; média de outubro até o dia 19/10 (em destaque).
Extraído da plataforma ABCS Data Insights, com dados do CEPEA.

Com o milho em queda e o farelo de soja estabilizado, depois de praticamente um ano de queda na relação de troca entre o preço do suíno vivo e o mix destes dois insumos, em outubro/26 esta relação voltou a subir, se aproximando novamente do ponto de equilíbrio, a partir do qual as margens financeiras ficam positivas (gráfico 4).

Gráfico 4. Relação de troca SUÍNO: MIX milho + farelo de soja (R$/kg) em São Paulo, de janeiro/25 a outubro/26. Relação de troca considerada ideal, acima de 5,00
Composição do MIX: para cada quilograma de MIX, 740 g de milho e 260 g de farelo de soja.
Média de agosto de 2026 até dia 20/10/2026.
Elaborado por Iuri P. Machado com dados do CEPEA – preços do estado de São Paulo

Para o presidente da ABCS, Marcelo Lopes, “Desde setembro a chave do mercado virou. O preço pago ao produtor pegou tração e não dá sinais de recuo no curto prazo. Com o mês de novembro se aproximando e a demanda crescente, as perspectivas para este restinho de ano são boas. O recuo das cotações do milho, com a safra de verão ainda em fase de plantio, já permite operar com margens positivas. Para o ano que vem ainda é cedo para prever como o mercado se comportará, mas parece que o pior desta crise já passou”, conclui.

 

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