O Pilar Proteger: Ações que começam dentro do organismo do animal

17-Mar-2026
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Autor: Lucas Torido

O pilar Proteger engloba ações que ocorrem dentro do organismo do animal, onde a saúde e o desempenho são moldados a partir das fases iniciais de produção, desde a reprodução, preparação de marrãs, gestação e lactação. Um dos aspectos mais relevantes nesse contexto é a modulação da microbiota intestinal, que desempenha um papel crucial no desenvolvimento, na imunidade e na resistência a doenças dos suínos.

Nas fases iniciais, a microbiota intestinal está em formação, e qualquer desequilíbrio pode comprometer o desempenho reprodutivo, crescimento e a saúde dos leitões. A modulação dessa microbiota, por meio de posbióticos ou aditivos fitogênicos, ajuda a estabelecer uma comunidade microbiana saudável, assim como um microbioma que favorece o crescimento de bactérias benéficas, bem como a redução na proliferação das patogênicas, além disso, favorece maior digestão, absorção de nutrientes e a proteção contra patógenos. Um intestino equilibrado é a base para um animal saudável e produtivo.

Mas a importância da microbiota vai além do trato gastrointestinal. Estudos recentes mostram uma correlação direta entre a saúde intestinal e a saúde respiratória. Uma microbiota desequilibrada pode levar a inflamações sistêmicas que afetam os pulmões, aumentando a susceptibilidade a doenças respiratórias, como a pneumonia. Os fatores pró-inflamatórios como as citocinas e proteínas de fase aguda, assim como as interleucinas liberadas pelo organismo por uma inflamação ou mesmo um aumento do cortisol pelo estresse crônico reduzem a produção e efetividade de imunoglobulinas imunossuprimindo os animais, apesar de serem “ativadas” em um local do organismo, podem ser distribuídas para todo o organismo, via corrente sanguínea. Por outro lado, uma microbiota saudável fortalece a barreira intestinal, reduzindo a translocação de toxinas e patógenos para a corrente sanguínea como a toxina produzida pela E. coli, que causa lesões vasculares graves, responsáveis pela doença do edema. O que beneficia todo o organismo, incluindo o sistema respiratório.

A microbiota também está intimamente ligada ao sistema imunológico. Segundo estudos, 25% da mucosa intestinal é composta por tecidos e células linfoides. O tecido linfóide associado ao intestino (GALT) é formado por nódulos linfáticos, placas de Payer, macrófagos e linfócitos individuais localizados nas paredes intestinais. Cerca de 70% das células imunes estão localizadas no intestino, e uma microbiota equilibrada estimula a produção de anticorpos e a resposta imune inata. Isso significa que, ao modular a microbiota, estamos não apenas melhorando a saúde intestinal, mas também fortalecendo a capacidade do animal de combater infecções e se recuperar mais rapidamente de desafios sanitários.

No entanto, um dos grandes desafios para manter a microbiota saudável é a presença de micotoxinas na ração. Essas substâncias tóxicas, produzidas por fungos, podem comprometer a integridade da barreira intestinal, reduzir a diversidade microbiana e suprimir o sistema imunológico. O resultado é um aumento na susceptibilidade a doenças e uma queda no desempenho zootécnico, com redução no ganho de peso e piora na conversão alimentar. De acordo com Liew W.P.P. e Redzwan S. M., como causadora de redução da absorção de nutrientes, pelas lesões na conformação fisiológica do intestino, a redução da absorção de glicose foi observada pós-contaminação com tricotecenos e DON, resultada pela supressão da expressão do mRNA do SGLT1 (transportador de glicose). Além da absorção de glicose, o SGLT1 também é responsável pela reabsorção de água, portanto, essa redução dos transportadores SGLT1 também induz a diarreia. Por isso, o controle de micotoxinas é essencial para proteger a microbiota e, consequentemente, a saúde e a produtividade dos suínos.

Em resumo, o pilar Proteger começa dentro do organismo do animal, com a modulação da microbiota intestinal. Uma microbiota equilibrada não só melhora a digestão e a absorção de nutrientes, mas também fortalece o sistema imunológico, protege contra doenças respiratórias e sistêmicas, assim como mitiga os efeitos das micotoxinas. Investir nesse pilar é, portanto, garantir que os suínos tenham uma base sólida para expressar o seu potencial produtivo e financeiro, desde as fases iniciais até o abate.

E na sua granja, como você está protegendo a microbiota dos seus animais?

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