Protocolos sanitários para a entrada de marrãs de substituição: adaptação às principais doenças digestivas (3/3)

Anna Romagosa
24-Ago-2016 (há 9 anos 7 meses 14 dias)

Como fazendo parte do programa de adaptação/aclimatação das marrãs, não devemos esquecer a importância que tem a adaptação das porcas de substituição aos agentes patogénicos entéricos presentes na exploração. Neste caso, os objectivos da adaptação são: expor as futuras reprodutoras à microflora patogénica presente na exploração e assegurar uma concentração adequada de anticorpos específicos no momento do parto que proteja a descendência dos processos entéricos na lactação.

Como em toda a adaptação, a combinação de exposição natural e vacinação seria o mais recomendável. Contudo, no caso dos agentes patogénicos entéricos, a resposta imunitária activa depende da produção de anticorpos a nível da mucosa e esta é a razão pela qual a maioria das vacinas efectivas se devem administrar por via oral (por exemplo a vacina para a Lawsonia intracellularis). Não há muitas opções no mercado para o uso da imunoprofilaxia, só as vacinas contra E.Coli, Clostridium, Lawsonia e as autovacinas.

A exposição natural ou "feedback" foi amplamente utilizada na adaptação de nulíparas. Ainda que não haja uma ciência exacta relativamente ao protocolo de aplicação do “feedback”, quando se aplica correctamente (suficiente exposição) observa-se uma eficácia no controlo de certas patologias entéricas para as que a imunidade vacinal não é sufiente ou não existe (TGE, rotavirus, etc).

Há três pontos básicos que devemos ter em conta no processo de "feedback":

Realización edl Feedback en reposición

  1. Certas bactérias são capazes de produzir toxinas rapidamente e alguns agentes patogénicos podem-se destruir e perder as suas propriedades imunógenas com o tempo. Utilizar material "fresco" ou congelá-lo.
     
  2. Administrar o "feedback" em múltiplas vezes e de forma consistente. Deixar "esfriar" os animais, ou seja, deixar de administrar no momento adequado para evitar que haja excreção ao entrar na maternidade. É altamente recomendável usar esta técnica na adaptação e antes do parto.
     
  3. Analisar o material (podem-se congelar amostras para a sua analise posterior) para saber o que estamos a administrar aos animais. É inútil utilizar este sistema para a imunização contra o Clostridium ou o Rotavirus se o agente patogénico ou a estirpe não estão presentes. É importante na reposição, que a exposição seja consistente (por exemplo com a DES, é mais importante a quantidade a que se expõe o animal numa só vez do que repetir múltiplas vezes com pouca quantidade de vírus).

Para alguns agentes patogénicos como E. Coli ou Clostridium, o uso adicional posterior (ao "feedback") de uma bacterina, pode funcionar bem como "booster".

É muito importante analisar a necessidade ou não do uso desta técnica. Não a utilizar quando há um surto de PRRS ou em explorações com disenteria suína.

 

Exemplo de um programa de "feedback" na reposição

Material a recolher

 

Lechones con diarrea en lactación

Figura 1. Leitões com diarreia na lactação.

 

Preparação do material

Feedback preparado

Figura 2. Água preparada para ser utilizada após uma noite em "repouso".

 

Administração da retro-alimentação

 

Retro-alimentação da reposição antes do parto

Material e preparação

Administração

Ter em conta que na reposição é importante não administrar o feedback antes das 20-22 semanas/vida e nas três semanas antes da cobrição ou do parto.

A técnica do "feedback" em nulíparas antes do parto que nã tenham sido expostas durante a fase de adaptação, pode ser contraproducente, porque podem ser o veículo de transporte desses agentes patogénicos para a maternidade. A exposição durante a fase de adaptação pode-se considerar como uma primeira dose de uma vacina e a exposição pré-parto como o "booster".

Tabela 1. Características do feedback segundo o material utilizado.

  Custe equipamento Tempo usado Facilidade Efectividade
Material congelado + ++ ++ ++
Dispensador comida líquida ++ + +++ +++
Dosificadores água +++ + +++ +++
Spray + +++ + +