O que se passa a grande escala?
A importância das infecções entéricas em suínos aumentou drasticamente nos últimos anos, sobretudo durante as fases de desmame e transição nas unidades de produção. Este facto provocou um forte impacto negativo na produção suína em geral.
A Doença dos Edemas (DE) ou colienterotoxemia é uma doença letal que afecta a produção suína em todo o mundo. É um dos sindromas induzidos pela bactéria ubícua Escherichia coli (E. coli) nos suínos. Neste caso, a DE é provocada por toxinas produzidas por certas estirpes patogénicas de E. coli no intestino delgado dos leitões. Os sindromas típicos produzidos por E. coli estão resumidos na Tabela 1. Historicamente estes sindromas foram-se classificando pela idade, ou pela fase de produção em que os animais são afectados. Nos últimos dez anos tem-se observado que o momento de aparecimento das manifestações clínicas das infecções produzidas por E. coli nos suínos tem-se modificado; geralmente têm-se atrasado para períodos da transição em vez de se observarem as típicas diarreias neo-natais.
Tabela 1. Sindromas clínicos provocados por E. coli que afectam diferentes grupos a idades distintas
(adaptado de Fairbrother e Gyles, 2012)
| Sindroma/Idade ou período | Recém-nascido | Lactante | Baterias | Engorda | Adulto |
| Diarreia neonatal (diarreia aquosa, desidratação, elevada mortalidade) | |||||
| Septicémia (poliserosite, poliartrite, depressão, choque) | |||||
| Diarreia do lactante (diarreia moderada, atraso no crescimento, baixa mortalidade) | |||||
| Diarreia pós-desmame (diarreia moderada a severa, mortalidade próxima de 25% se não for tratada) | |||||
| Doença dos Edemas (morte súbita, sinais clínicos variáveis, edemas multiorgânicos) | |||||
| Infecções urogenitais (cistites, pielonefrites) |
Como identificar a DE?
A DE observa-se, normalmente, durante as duas primeiras semanas após o desmeme. Contudo, cada vez se observam mais casos de DE durante a transição da fase de pós-desmame para a engorda. A doença observa-se como casos esporádicos numa exploração ou afectando todo o grupo, causando uma mortalidade próxima a 100% nos animais clinicamente afectados. O aparecimento de mortes súbitas é uma característica típica na DE. A necrópsia é uma ferramenta fundamental para identificar as lesões típicas associadas a esta doença: a presença de um edema gelatinoso na submucosa do estômago, no mesocólon (fig. 1), no mesentério do intestino delgado e na vesícula biliar.

Fig. 1. Edema no mesocólon e mesentério (Prof. L. Carrasco. Universidade de Córdova).
Factores de risco e como controlar a DE
O principal factor de risco associado à DE é a falta, ou a escassa, presença de imunidade local específica no intestino delgado dos leitões. Através do leite materno, os leitões obtêm as imunoglobulinas secretadas (IgA) que previnem a aderência de E. coli à mucosa do intestino delgado. Após o desmame, a presença de IgA diminui rapidamente no intestino do leitão, que se passa a ser altamente susceptível à doença. Por estas razões, normalmente a DE só aparece 1 ou 2 semanas após o desmame e quase sempre associada à presença de um ou vários dos seguintes factores de risco: