Impacto ambiental da substitução da farinha de soja em dietas para porcos

H. H. E. van Zanten, P. Bikker, H. Mollenhorst, B. G. Meerburg and I. J. M. de Boer. Environmental impact of replacing soybean meal with rapeseed meal in diets of finishing pigs. animal / Volume 9 / Issue 11 / November 2015, pp 1866-1874. DOI: http://dx.doi.org/10.1017/S1751731115001469

01-Mar-2016 (há 10 anos 1 meses 7 dias)

A produção de farinha de soja (SBM, pelas suas siglas em inglês) está associada a um elevado impacto ambiental, especialmente quando se incluem as emissões relacionadas com a alteração no uso de solo (LUC). O presente estudo teve como objectivo avaliar o impacto ambiental da substituição da SBM pela farinha de colza (RSM, pelas suas siglas em inglês) nas dietas de acabamento de porcos. Tendo em conta que a farinha de colza tem menor valor nutritivo, foi avaliado o impacto ambiental da substituição da farinha de soja pela de colza utilizando cenários que diferiram nas mudanças no nível de maneio nutricional: cenário 1 (básico com SBM); cenário 2, (RSM substitui a SBM com base no conteúdo de PB, dando como resultado um reduzido conteúdo de energia e aminoácidos e, portanto, deve ser aumentada a ingesta de ração para obter o mesmo índice de crescimento); cenário 3 (idêntico a S2 mas assumindo que os porcos não eram capazes de aumentar o consumo de alimento, dando lugar a um crescimento reduzido) e por último o cenário 4 (o conteúdo de energia e aminoácidos foram aumentados ao mesmo nível que o cenário 1). Os rendimentos dos porcos foram simulados usando um modelo de crescimento. Foi analisado o impacto ambiental de cada cenário usando a avaliação do ciclo de vida, incluindo os processos de produção de alimentos, a gestão do esterco, a produção de leitões, a fermentação entérica e instalações.

Os resultados mostram que, expresso como kg de peso corporal, substituir a farinha de soja pela de colza diminui de forma marginal o potencial de aquecimento global (GWP) e o uso de energia (UE), mas diminui o uso do solo (LU) até cerca de 12%. Entre os diferentes cenários, S3 apresentou o potencial máximo para reduzir o impacto ambiental, devido a um menor impacto por kg de ração e a um aumento do rácio proteína-lípido corporal dos porcos, o que resulta numa melhor taxa de conversão alimentar. A optimização da relação proteína-lípido corporal poderia resultar numa redução do impacto no meio ambiente da produção suína. Além disso, o impacto de substituir a farinha de soja pela de colza modifica apenas marginalmente quando são incluídas as emissões relacionadas com a LUC directa (até 2,9%) e indirecta (até 2,5%). Quando foi avaliado o impacto ambiental apenas da produção de alimentos para animais, o que implica a exclusão de outros processos ao longo da cadeia, o GWP diminuiu até cerca de 10%, incluindo LUC, EU até cerca de 5% e LU até cerca de 16%.