Stan Done. Veterinary Laboratories Agency. Reino Unido
13-Mai-2009 (há 17 anos 26 dias)Num artigo
anterior
tratamos das doenças cutâneas provocadas por anomalias morfológicas
e das devidas a doenças sistémicas. Neste artigo trataremos das
doenças e transtornos da pele propriamente dita. Por sorte não são
muito numerosas.
No porco jovem, as infecções por estreptococos e estafilococos na
boca e pescoço estão frequentemente associadas com o corte dos dentes.
A necrobacilose está associada com uma má higiene. O corte da cauda
em más condições tende a produzir uma grande variedade de
infecções da cauda e existe uma necrose da cauda específica
de etiología desconhecida.
A“assadura” do perineo pode estar relacionada com o pH da urina nas
dietas anormais, como a polpa de citricos.
Pode-se produzir eritema de trânsito como consequência de um transporte
stressante, o que habitualmente desaparece com o descanso.
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| Figura 6
– Orelha necrótica (espiroquetose) |
Também se poderá afirmar que existem diversas patologías
que se produzem na pele porque se trata de uma membrana limitante que rodeia os
órgãos do porco. Afectam a pele devido ao facto desta envolver o
porco e, como tal, limitar a forma do corpo. Por este motivo pode estar submetida
a todo o tipo de traumas possivelmente com os subsequentes abscessos (incluídas
afecções de curvilhão e cotovelo, erosões de joelho)
queimaduras solares, fotossensibilização, picaduras de insectos,
pulgas, picaduras de mosquitos (há que prestar atenção aos
mosquitos tigre que são especialmente patogénicos), necrose das
orelhas (é específica a espiroquetose, fig. 6) provocada por salmonelas
o
H. parasuis, bursite, formação de bolsas mucosas adventícias
e bursite adventícia, mastite, úlceras do ombro, calos.
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| Figura 7
– Trauma típico ao ar livre: varrasco com dorso e pata traseira
magoados |
Também pode ser observada uma grande variedade de inchaços (fig.
7) especialmente afectando os gânglios linfáticos, como na doença
de Aujeszky e a tuberculose nas glândulas submandibulares e PMWS nos gânglios
inguinais superficiais. Podem ser notados inchaços duros como consequência
de uma mastite ou de infecções por nocardia/
Actinobacillus nas
glândulas mamárias e podem ser observadas vulvas disformes granulomatosas
como consequência de mordeduras nas porcas primíparas de novos lotes.
Especificamente temos as seguintes patologías cutâneas:
Varicela porcina: pode-se produzir como infecção
congénita ou conjuntamente com uma infecção por
Staphylococcus
hyicus (grease pork disease) e manifesta-se como lesões castanhas
com crostas ou ampolas. Diferenciam-se facilmente com um esfregaço cutâneo
e histología ou microscopia electrónica.
Staphylococcus hyicus (dermatite exudativa ou doença do porco
gordo) pode afectar só os lados da cara, mas também todo o corpo
com grande libertação de soro que faz com que a pele apareça
com crostas. O diagnóstico realiza-se através dos sintomas clínicos
por isolamento dos microorganismos Gram + da pele.
Sarna: grandes lesões com crosta especialmente nas orelhas,
provoca grandes perdas económicas, diagnosticado por esfregaço da
pele mas de fácil tratamento (ivermectinas) ainda que seja preciso ser
feito de forma regular e por explorações. Há muitas reacções
provocadas com frequência por reacções de hipersensibilidade.
Tinha: geralmente
Trichophyton mentagrophytes, observa-se
como manchas de sujidade sobre a pele. Os esfregaços da pele que incluam
a raíz do pêlo ajudarão no diagnóstico. Ao contrário
da sarna, que pica muito, esta manifesta-se muitas vezes sem prurido.
Piolhos: podem ser vistos os ovos no pêlo. Trata-se de
um piolho chupador e contagioso mas é tratável com facilidade.
Pitiriase rosea: é frequentemente conhecida como falsa
tinha, crê-se que é recessiva autossómica, desenvolve-se aproximadamente
ás 8 semanas de idade e desaparece em 20 semanas.
A paraqueratose é uma patología cutânea sensível ao
zinco associada com a alimentação à base de rações
que contenham menos de 40 mg de zinco/kg de matéria seca. Há casos
em que se produz quando as rações teem elevado conteúdo de
cálcio ou proteína de soja ou se teem baixo conteúdo em ácidos
gordos. Regra geral a pele aparece avermelhada ao princípio e logo a erupção
torna-se papular, escamosa, seca e com crostas, principalmente nas extremidades
inferiores e na parte ventral do abdomén. Podem aparecer, de seguida, infecções
secundárias e também abscessos. O diagnóstico é feito
com base na história clínica, e a confirmação pode
ser feita a partir da imagem histológica de hiperqueratose paraqueratótica.