No diagnóstico laboratorial de qualquer processo, o primeiro passo é a correcta realização da recolha de amostras. Este passo é crítico já que dele depende o êxito da análise.
Independentemente do processo a analisar, devemos seguir as seguintes premissas ao recolher as amostras:
No momento da recolha de amostras devemos ter o seguinte material:
RECOLHA DE AMOSTRAS:
Necropsias de animais: sempre que seja possível realizaremos o envio de órgãos. Para isso teremos que realizar uma necropsia o mais completa possível recolhendo amostras de todos os órgãos onde observemos lesões juntamente com um relatório detalhado.
É importante ter presente o diagnóstico diferencial de diarreias pós-desmame para nos assegurarmos que recolhemos amostras de todas as zonas do aparelho digestivo onde se localizam os agentes etiológicos (tabela 1).
Tabela 1: agentes infecciosos causadores de diarreias em porcos de transição-engorda e órgãos alvo a analisar.
| Agente | Órgão alvo |
| Escherichia coli enterotoxigénico (ETEC) | Intestino delgado* |
| Clostridium perfringens | Intestino delgado |
| Brachyspira hyodysenteriae | Intestino grosso (cólon e cego) |
| Brachyspira pilosicoli | Intestino grosso (cólon e cego) |
| Lawsonia intracellularis | Íleon terminal, válvula ileocecal |
| Salmonella sp. | Intestino delgado e grosso |
| Vírus: rotavirus, PEDV, TGE | Intestino delgado |
| Parasitas digestivos (Nemátodos). | Estômago, Intestino delgado e/ou Intestino grosso |
* É habitual encontrar quadros mistos de diarreias pós-desmamte e Doença dos Edemas, nestes casos também é necessário o envio do encéfalo principalmente para avaliar lesões.
Enviaremos troços de diferentes porções de intestino (jejuno, íleon e intestino grosso) tanto em fresco como em formol. As amostras em fresco serão usadas para o estudo microbiológico e para a realização de outras técnicas diagnósticas como a PCR. Antes de cortar os pedaços de intestino, deveremos ligar os extremos para evitar perda de conteúdo e contaminações (foto 1). Introduziremos cada pedaço em separado num recipiente ou saco hermético (foto 2), identificando o seu conteúdo.

Foto 1: Ligar o pedaço do intestino pelos extremos antes de cortar.

Foto 2: Deve-se enviar cada órgão ou pedaço de intestino em separado em recipientes herméticos.
Em caso de dificuldade no envio de órgãos pode-se realizar a recolha da amostra com zaragatoa directamente dos pedaços de intestino a analisar (foto 3).

Foto 3: Recolha de amostra com zaragatoa das partes de intestino afectadas.
Para realizar um diagnóstico completo é muito importante o estudo histopatológico das lesões. O mais recomendável é o envio das amostras já fixadas em formol, com isso evitaremos a autolise dos órgãos durante o seu transporte para o laboratório. A autolise impede o diagnóstico histopatológico, sendo especialmente crítica em amostras de intestino. Enviaremos pequenos pedaços de cada intestino em frascos herméticos numa relação de volume de amostra/formol de 1/10.
Recolha de amostras de animais vivos: se não há baixas e se opta por evitar a eutanásia dos animais, é possível a análise de fezes e zaragatoas rectais.
As amostras de fezes devem-se recolher directamente da ampola rectal. Para realizar a recolha deve-se introduzir a zaragatoa esfregando-a suavemente contra as paredes, fazendo-a girar sobre se mesma.
Uma vez recolhidas as amostras, devem-se enviar rapidamente para o laboratório. O transporte será refrigerado (evitar a congelação), numa caixa estanque e com suficiente protecção contra pancadas.