Uso de testes de paternidade em suínos

Guillermo Ramis Vidal
11-Mai-2015 (há 10 anos 10 meses 28 dias)

A produção animal foi incorporando as tecnologias moleculares que se foram sendo desenvolvidas para humanos e os testes de paternidade foram adquirindo um uso cada vez mais frequente em suinicultura. Até agora a técnica mais utilizada é baseada nos marcadores moleculares de microsatélites e a técnica mais frequente para a determinação do seu polimorfismo é a análise de fragmentos. Estes marcadores são repetições de entre 2 e 6 pares de bases que, ainda que não transcrevam para nenhuma proteína, variam no número de repetições entre indivíduos e têm, em ambos os lados, sequências constantes em todos os indivíduos de uma espécie. Estas sequências flanqueantes são usadas para desenhar os conjuntos de indicadores da PCR e depois, através de um sequenciador, “contamos” o número de repetições que indivíduo tem para cada microsatélite em concreto. Cada animal recebe um número de repetições da sua mãe e outro do seu pai. Combinando um determinado número de microsatélites consegue-se um perfil que permitirá diferenciar animais ou assinalar-lhes a paternidade ou maternidade comparando-os com outros animais.

Mas, para que se quereria fazer este tipo de teste? Um dos principais motivos é que, para assegurar uma boa fertilidade, na IA costumam ser usadas doses poliespérmicas (que misturam sémen de vários varrascos). Portanto é praticamente impossível conhecer a paternidade de cada leitão sendo muito difícil saber se um varrasco está a introduzir alguma alteração (morfológica ou patológica) nas populações. Isto foi amplificado desde que o desenvolvimento de certas técnicas reprodutivas reduziu o número de varrascos dos centros de inseminação artificial. Portanto, cada varrasco tem influência sobre um maior número de porcas e portanto sobre um maior número de leitões. Felizmente, o ADN de cada animal é único e isto permite determinar através de técnicas moleculares qual o varrasco que é o pai de cada leitão.

Quién es quién

Alguns usos aplicados que têm sido feitos destes testes são:

Há que ter em atenção que muitas destas alterações são claramente poligénicas e as mães têm grande influência, mas é mais fácil e barato testar os varrascos que todas as reprodutoras. Por isso, quando for determinado que certo varrasco está a influenciar uma população concreta é recomendável não usá-lo com as porcas dessa população, ainda que possa ser que noutro grupo de porcas não produza nenhum tipo de efeito.

Também há que realçar que os marcadores moleculares avançam a uma velocidade vertiginosa e que já estamos perto de poder usar de forma aplicada marcadores com maior capacidade de resolução que os microsatélites, mas têm que ser menos caros para que tal seja feito.