1 de Agosto de 2014
11-Ago-2014 (há 11 anos 10 meses 16 dias)A guerra contínua no Leste da Ucrânia, com efeito, devido ao abate de um avião comercial no passado dia 17 de Julho, esta guerra parece estar a começar a envolver mais países que não apenas a Rússia e a Ucrânia. A Argentina está à beira de um default (suspensão de pagamentos), o que faria prever um aumento da retenção de mercadoria por parte do agricultor argentino esperando ver o que dá o futuro… Posso assegurar que com este panorama internacional, noutras circunstâncias, os mercados como CBOT estariam a deitar fumo com limites de subida. Que ocorre para que não seja assim? Basicamente confirmaram-se as colheitas e são excelentes. Segundo dados do último relatório de Oferta e Procura do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (WASDE), os números ficariam assim:
Estes stocks finais tão avultados devem-se a que levamos dois anos consecutivos com boas ou excelentes colheitas, e isso quer dizer que no final da campanha alguém ficará com estes stocks, terá que os armazenar, financiar, manter em perfeito estado, e ainda rezar para que no próximo ano a campanha seja péssima, ou má, para poder rentabilizar todos os custos…. E é um contexto pouco animador.
A todo este cenário acrescentemos que a colheita de trigo na Europa foi excelente quanto à quantidade, mas péssima quanto à qualidade. O que fez multiplicar-se a oferta de trigo forrageiro.
Bem, este é o nosso panorama. Já tínhamos falado no último comentário que a tendência do mercado era de preços estáveis ou em baixa… Devido a todos estes factores, o mercado virou-se claramente pela senda baixista. Os preços do milho entre 165-170 €/Tm no porto dependendo das posições. O trigo, graças ao forrageiro, acentuou mais a sua tendência baixista e cotiza entre 172-177 €/Tm no porto dependendo das posições. Ambos cereais podem-se cobrir com posições até Maio de 2015, ou seja, até à próxima colheita. Quanto à cevada parece que destoa o panorama de cereais, pelo menos a nível nacional. Continua nos seus treze cotando a 172-175 €/Tm destino zona Lérida/Barcelona e só para quantidades disponíveis e para Agosto. O consumo de cevada, portanto, decresce semana após semana. Diria que o futuro da cevada terá que passar inevitavelmente por uma descida de preços, a não ser que subam os demais cereais de maneira acentuada. Pelo que, como não rectifiquem os preços, corre o risco de que antes da colheita (lá parra Abril ou Maio, que já é ver longe no nosso mercado!) nos demos conta que 50% da colheita esteja armazenada e pendente de venda.
A tudo isto e para meter mais achas na fogueira, este ano, pela primeira vez em várias campanhas, não devemos perder de vista as ofertas de França. Despertaram e parece que necessitam vender milho, trigo e cevada, é por isso que cotizam abaixo dos preços do porto, pelo menos na zona norte de Espanha. Ao dia de hoje, destino Lérida, encontram-se cotações de milho a 178 €/Tm para Agosto e 172 €/Tm para colheita nova. Enquanto que a cevada cotiza a 171 €/Tm destino Girona, 174 €/Tm destino Vic e continuamos. O trigo cotiza nos 174 €/Tm destino Lérida a partir do mês de Agosto. E todavia não vimos demasiadas ofertas de triticale e sorgo que se somem aos demais.
Resumindo, o futuro é risonho quanto ao custo das matérias-primas. Quanto ao milho, deve-se ter em conta que é o cereal com um preço de garantia dentro da U.E., é por isso que o limite de descida para o milho de importação no porto se situa um pouco acima dos 160 €/Tm. E ressalto que é o único cereal que, hoje por hoje, tem um limite de preço mínimo, isto não se dá nem no trigo nem na cevada.
A proteína vai de novo por caminhos de derrota. O preço da soja para o mês de Agosto chegou a ceder até aos 362 €/Tm. Depois, seja pelo clima nos Estados Unidos ou porque os fundos tinham que cobrir posições a curto prazo no mercado, voltou a subir e cotiza perto dos 397 €/Tm, mas continuamos a confirmar que, à medida que nos aproximemos da colheita dos Estados Unidos, estes preços irã cedendo e voltaremos a preços mais acessíveis a partir de Outubro. Por outro lado começam a surgir ofertas de colza e girassol competitivas, sobretudo a colza com preços para entrega em Agosto de cerca de 222-223 €/Tm, e a baixar.