Sexta-feira, 11 de Julho de 2014/ FAO.
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16-Jul-2014 (há 11 anos 10 meses 26 dias)A recente queda nos preços das principais culturas deve continuar para os próximos dois anos, antes de se estabilizar em níveis acima do período pré-2008, mas bem abaixo dos altos ultimamente, de acordo com o último relatório Agricultural Outlook pelo OCDE e FAO.
A procura por produtos agrícolas vai permanecer firme, enquanto aumenta a taxas mais baixas do que na década passada. Os cereais continuam a ser a base da alimentação, mas as dietas são cada vez mais ricas em proteína, gordura e açúcar em muitas partes do mundo, ao aumentarem os rendimentos e a urbanização.
O relatório da OCDE 2014-2023-FAO Agricultural Outlook indica que tais mudanças, combinadas com a crescente população mundial, exigirão uma expansão substancial da produção na próxima década. Liderados por Ásia e América Latina, as regiões em desenvolvimento são responsáveis por mais de 75 por cento da produção agrícola adicional ao longo da próxima década.
Agricultural Outlook projeta que a produção mundial de cereais seja de 15 por cento mais elevado para 2023 do que no período 2011-13. O crescimento mais rápido é esperado na produção de oleaginosas, com 26 por cento ao longo dos próximos 10 anos. A expansão da produção de cereais secundários e oleaginosas será impulsionada pela forte procura de biocombustíveis, particularmente nos países desenvolvidos, e aumento da procura de rações em regiões em desenvolvimento.
O aumento da produção de culturas alimentares será mais moderado na próxima década, segundo o relatório, com o trigo crescendo em torno de 12 por cento e de arroz em 14 por cento, bem abaixo das taxas de crescimento da década precedente. Prevê-se também que a produção de açúcar aumente em 20 por cento, concentrada principalmente em países em desenvolvimento.
O Agricultural Outlook projeta a evolução de uma vasta gama de produtos para os próximos dez anos:
- Cereais: preços mundiais dos principais cereais vão ter tendência a moderar no início do período analisado, impulsionando o comércio mundial. Prevê-se um aumento das reservas, enquanto as existências de arroz na Ásia alcançarão níveis record.
- Sementes de oleaginosas: A percentagem global de terras agrícolas plantadas com oleaginosas continua a aumentar, embora a um ritmo mais lento do que nos últimos anos, já que a crescente procura de óleos vegetais empurra os preços para cima.
- Açúcar: Após o enfraquecimento no final de 2013, os preços vão recuperar, impulsionados pela forte procura mundial. As exportações do Brasil, o maior exportador de açúcar do mundo, serão influenciadas pelo mercado de etanol.
- Carne: A forte procura de importações da Ásia, bem como a reposição do efectivo na América do Norte mantêm os preços, que se espera que se mantenham acima dos níveis médios da década passada, ajustados para ter em conta a inflação. Preços da carne bovina tendem a subir para níveis recorde. As aves devem exceder o porco e tornar-se o produto de carne mais consumida nos próximos 10 anos.
- Laticínios: Os preços caem ligeiramente, de altos níveis actuais, devido ao aumento sustentado da produtividade nos principais países produtores e da retoma do crescimento na China. A Índia supera a União Europeia para se tornar o maior produtor de leite do mundo, com grandes exportações de leite em pó desnatado.
- Pesca: O crescimento da produção aquícola vai concentrar-se na Ásia e continua a ser um dos sectores de alimentares de maior crescimento, superando a pesca de captura para consumo humano em 2014.
- Biocombustíveis: espera-se que os níveis de consumo e produção de biocombustíveis aumentem em mais de 50 por cento, liderado pelo etanol e o biodiesel à base de açúcar. Os aumentos de preços do etanol, de acordo com o petróleo, enquanto o preço do biodiesel seguirá mais de perto a trajectória dos preços dos óleos vegetais.
- Algodão: A liberalização esperada das reservas mundiais acumuladas impulsionará o consumo ajudado por preços mais baixos que só devem recuperar em 2023.