Tanghe, S., Missotten, J., Raes, K., Vangeyte, J. and De Smet, S. 2014. Diverse effects of linseed oil and fish oil in diets for sows on reproductive performance and pre-weaning growth of piglets. Livestock Science. 164; 109–118. http://dx.doi.org/10.1016/j.livsci.2014.03.009
28-Ago-2014 (há 11 anos 7 meses 11 dias)A mortalidade perinatal supõe perdas económicas importantes na produção suína. Portanto, a procura de estratégias para diminuir os nascidos mortos e aumentar a vitalidade dos leitões é crucial. Uma dessas estratégias é a de complementar as dietas de gestação e lactação com ácidos gordos poliinsaturados n- 3 (PUFA) e especialmente o ácido docosahexaenoico (DHA), já que estes PUFAs são essenciais para o desenvolvimento do feto como componente estrutural dos fosfolípidos de membrana e presente em altas concentrações no cérebro e retina. O ácido eicosapentaenóico (EPA) é essencial para o sistema imunitário como precursor do ácido gordo (FA) por eicosanóides, anti-inflamatórios e resolvinas e através da inibição da produção de eicosanoides pró-inflamatórios derivados de ácido araquidónico. O DHA pode ser directamente administrado na dieta materna através da adição de óleo de peixe ou pode ser o resultado da conversão de precursores da dieta: tais como o ácido alfa-linolénico, por exemplo, pela adição de óleo de linho.
Este estudo teve como objectivo examinar os efeitos do óleo de linho e do óleo de peixe na dieta materna sobre os rendimentos reprodutivos na gestação actual e posterior. Além disso, foi analisado o efeito da dieta sobre o parto, o peso dos leitões e a sua vitalidade. Foram utilizados dez grupos de porcas (734 porcas no total; número de parto 1-12) com cinco grupos por exploração. A partir do dia 45 da gestação e durante a lactação, as porcas foram alimentadas com uma das sete dietas experimentais: (1) óleo de palma (PO); (2) óleo de linho 0,5% (0,5% LO); (3) óleo de linho 2% (2% LO); (4) óleo de peixe 0,5% (0,5% FO); (5) óleo de peixe 2% (2% FO); (6) 0,5% óleo de linho e 0,5% óleo de peixe (0,5% LO + 0,5% FO); e (7) 0,5% óleo de linho e óleo de peixe 1% (0,5% LO + 1% FO).
As porcas alimentadas com óleo de linho apresentaram 0,9 mais leitões nascidos vivos (P=0,02) e 0,5 mais leitões desmamados (P=0,02) em comparação com as porcas alimentadas com óleo de peixe. Na gestação posterior, as porcas alimentadas com óleo de linho tiveram 1,3 e 1,5 mais leitões nascidos vivos em comparação com as porcas alimentadas com óleo de peixe (P=0,006) ou óleo de palma (P<0,001), respectivamente. Não houve efeitos da dieta sobre o peso ao nascimento e o peso da ninhada mas, para as porcas suplementadas com óleo de linho, o peso dos leitões e da ninhada aos 5 dias de idade foi superior em comparação com o óleo de peixe (P=0,04 e P=0,02, respectivamente) ou óleo de palma (P=0,02 e P=0,002, respectivamente).
Em conclusão, a suplementação com óleo de linho, com ou sem óleo de peixe, durante a gestação e a lactação não teve nenhum efeito sobre o rendimento reprodutivo das porcas na gestação actual, mas teve efeitos positivos na capacidade reprodutora no parto posterior. Além disso, o óleo de linho na dieta materna teve efeitos positivos sobre o crescimento dos leitões antes do desmame.