Monitorização de Salmonella em suíno: métodos de detecção

Eva Creus

Eva Creus. Universitat Autònoma de Barcelona. Espanha.

03-Fev-2009 (há 17 anos 3 meses 15 dias)


Para poder identificar animais infectados por Salmonella existem diferentes opções, tanto no que diz respeito ao material escolhido como ao ponto da recolha das amostras. Por este motivo, o conhecimento das diferenças entre cada uma delas resulta básico na hora de decidir que ferramenta de monitorização escolher e que interpretação dar aos resultados.

Em primeiro lugar deve ficar claro que o que pretendemos determinar é a prevalência de animais infectados sub-clinicamente. Actualmente, a forma mais importante da doença é a forma subclínica, na qual animais portadores assintomáticos chegarão ao matadouro eliminando Salmonella pelas fezes.

Nesta secção iremos nos centrar no cultivo bacteriológico e na análise serológica, já que são as ferramentas de diagnóstico mais utilizadas nos programas nacionais de monitorização e controle da salmonelose suína a nível europeu, tema que será desenvolvido numa segunda parte. A seguir iremos detalhar as principais características de ambas técnicas:


Bacteriologia

- “Método de referencia”.

- Isolamento e identificação do patógeno nas fezes ou em gânglios linfáticos mesentéricos.

- Permite conhecer serotipo, fagotipo e perfil de resistência aos antimicrobianos.

- Especificidade praticamente de 100% (muito poucos falsos positivos).

Mas:

- Laboriosa e consome muito tempo (3-5 dias).

- Cara (inclusive se se utilizam pools de amostras).

Fezes vs gânglios linfáticos

Fezes: Recolha na exploração ou no matadouro

- Vantagens
Informação da percentagem de excretores activos que chegam ao matadouro.

- Inconvenientes
Baixa sensibilidade (excreção de Salmonella nas fezes é intermitente e em muito baixo número. A menor quantidade de amostra analizada, menor sensibilidade).
Opção não válida no matadouro (contaminação cruzada durante o transporte e a espera no matadouro)*.

*O tempo necessário para que uma infecção inicial de Salmonella nas amígdalas possa isolar-se nas fezes é de umas 2 horas

Gânglios linfáticos mesentéricos: Recolha no matadouro

- Vantagens
Informação da percentagem de animais infectados nesse momento.
Menos provável que se afectem pela contaminação durante o transporte e a espera no matadouro (a não ser que os tempos sejam muito prolongados, ex. >24 horas).
Amostras mais práticas e fáceis no matadouro. Menor risco de contaminação por matéria fecal.
Melhoria na sensibilidade.

- Inconvenientes
Diferenças entre os serotipos no que diz respeito à sua capacidade de translocação para os gãnglios (sobrestimação da prevalência de serotipos mais invasivos como Salmonella typhimurium).

Serologia

- Detecção por ELISA de anticorpos no soro ou no suco de carne.

- Indicam contacto prévio dos animais com a bactéria (seroconversão tem lugar entre 7-30 dias pós-infecção).

- Melhor relação custo-eficácia (aprox. 3,5 €/amostra contra 35 € bacteriologia).

- Mais rápida. Útil em estudos a grande escala.

- Elevada sensibilidade.

- Facilidade de standarização entre laboratórios.

Mas:

- Não indica necessariamente que os animais estejam infectados nesse momento.

- Não permite detectar infecções muito recentes (1 ou 2 semanas antes da recolha da amostra).

- É possível obter um resultado negativo em porcos que se infectaram há mais de 3 meses (anticorpos contra Salmonella podem estar presentes até 3-4 meses depois de se iniciar a infecção).

- Não é útil para avaliar a prevalência a nível individual (grande variabilidade na resposta de cada animal).

- Baixa especificidade.

- A sensibilidade vê-se reduzida ao aumentar o ponto de corte.

- As provas actualmente disponíveis só detectam anticorpos contra os serogrupos B, C1 e alguns por D1.

Soro vs suco de carne

Soro: Recolha na exploração ou no matadouro.



- Vantagens

Utilidade das amostras para outras determinações no laboratório.

Suco de carne: Recolha no matadouro. Obtido da descongelação de um fragmento de músculo, normalmente diafragma.

- Vantagens
Facilidade de recolha e identificação no matadouro.

- Inconvenientes
Menor sensibilidade (80%-90%).

Conclusões

A eleição de um tipo ou outro de método de detecção para Salmonella dependerá do objectivo do estudo que se pense fazer, sendo a combinação de ambas técnicas a opção mais recomendável. Numa primeira fase, a serologia resulta na opção mais acertada já que nos indicará qual é a situação de partida da infecção nas nossas explorações. A partir deste ponto, o uso da bacteriologia torna-se indispensável. Por um lado permitir-nos-á conhecer os serotipos implicados (necessário para poder eleger o teste de ELISA mais apropriado) e por outro, levar a cabo uma melhor monitorização da doença (prevalência de animais excretores, possíveis fontes de infecção procedentes do ambiente, etc.) e da efectividade das medidas de controle aplicadas. Relativamente ao material a escolher e ao seu ponto de recolha (exploração ou matadouro), a eleição dependerá da logistica particular de cada empresa.