Ano novo e a falar de soja

Jordi Beascoechea i Pina

3 de enero de 2014

20-Jan-2014 (há 12 anos 2 meses 19 dias)

Como disse um espertinho: o passado já foi, o futuro é incerto e portanto só temos o presente…e assim ficou sentado. Ainda que, o que se disse, esteja certo, o que fazer quando o presente está morto? (no que se refere ao mercado… não se assustem!) No momento de escrever este texto ainda não terminou a época natalícia e é possível que os mercados não respirem até à semana que vem. O único tema que me lembro de falar é do único tema que ninguém consegue compreender: a soja.

Há quase 2 anos que o mercado está à espera de uma correcção mais ou menos importante e, por muito que espere, não só esta descida não se deu, como se pode afirmar que os preços da soja mais baratos que vimos foram por volta de 420 €/ton para posições curtas e 410 €/ton para uma posição Janeiro-Abril ou 360 €/ton para uma posição Maio-Setembro. Durante demasiado tempo a soja foi cotada entre 450-520 €/ton. Que razões há para esta alteração na estrutura dos preços?

E para terminar, falemos do que nos espera, ou nos pode esperar, no futuro mais imediato. Em Março supõe-se que o agricultor de EUA tenha que decidir se semeia soja, milho ou trigo. Actualmente é claro que é difícil escolher milho (se o puder evitar), pelo que a decisão vai claramente pela soja e, em menor medida, pelo trigo. O comportamento normal do mercado de Chicago seria corrigir a correlação entre o preço do milho e a soja fazendo com que a diferença de preços se reduza para que o desvio seja menor. Essa correção, neste caso, seria ao fazer subir o preço do milho (facto difícil dado os stocks finais previstos) ou fazendo baixar o preço dos grãos de soja. O interessante seria sabê-lo hoje mas isso não é possível. Em geral, parecia-me lógico que se corrigissem ambos os factores… mas já veremos.

Além disso, devemos ter em conta que isto também afectaria os outros cereais. Com esta mesma lógica já saberiamos os hectares semeados e o comportamento da floração. Pelo lado optimista, vemos bons dados de hectares, sairiam para o mercado os stocks existentes, tanto de trigo como de cevada, que não são poucos, saindo com mais ou menos força para o mercado.

Em resumo, esperam-nos uns meses interessantes, pelo menos mexidos…assim que aproveito para desejar a todos um feliz ano novo.