Mercado de contra-sensos

Luís Tavares Dias
12-Abr-2013 (há 12 anos 11 meses 27 dias)

12 de Abril de 2013

Mercado bastante calmo nesta primeira quinzena de Abril, tendo havido uma manutenção das cotações dos porcos em Portugal, Espanha, Alemanha e Dinamarca.

Em Portugal há pouca oferta de porcos, mas mesmo assim é suficiente para as necessidades do mercado. Há menos poder de compra por parte dos consumidores, continuam as promoções da carne de porco nos grandes supermercados e estes factores não permitem que se possam subir as cotações dos porcos.

Por outro lado, e considerando que os matadouros espanhóis pagam porcos mais caros que os matadouros portugueses, há vários produtores nacionais de maior dimensão que estão a vender porcos para Espanha.

Não deixa de ser um contra-senso que Portugal, sendo um país deficitário na produção de porcos, tenha o preço dos porcos mais baixo que em Espanha e que os matadouros nacionais tenham que comprar porcos em Espanha para satisfazer as suas necessidades e os paguem mais caros que o fazem pelos porcos portugueses.

Mercado global a quanto obrigas!

Os dois maiores produtores Europeus (Alemanha e Espanha) mantiveram as suas cotações nesta quinzena apesar de terem saído da Páscoa sem grandes atrasos nos porcos, tendo mesmo descido o peso médio de abate dos porcos em ambos os países. O mesmo aconteceu com a Dinamarca.

De todas as formas, estes países queixam-se de haver grande estagnação, por agora, no comércio para Países Terceiros a que se junta as proibições russas à entrada de carne refrigerada oriunda de Espanha e da Alemanha, se bem que as ameaças russas se comecem a referir à possibilidade das proibições se estenderem aos produtos congelados.

Esta sim, seria uma medida que criaria grandes problemas ao mercado comunitário do porco.

As excepções à manutenção foram, pela positiva, a Bélgica que subiu 0,01€/kg PV e pela negativa a França que desceu 0,045€/kg carcaça.

Os suinicultores belgas querem que os porcos subam a todo o custo, por um lado porque os matadouros procuram porcos para abates e a oferta destes por parte dos suinicultores tem vindo a baixar, e por outro lado os suinicultores referem estar a perder cerca de 10€/porco produzido e com estes prejuízos ameaçam não voltar comprar leitões para encherem as engordas já que o preço do leitão para engorda é caro e o preço de venda dos porcos é barato. A juntar a isto, há o facto de que as rações continuam caras e sem grande tendência de descida.

Os franceses justificam as descidas com a estagnação das vendas de carne quer internas quer no mercado externo (Países Terceiros) o que dificulta as vendas de porcos que apesar disso têm baixado o seu peso médio e este factor normalmente costuma ser sinal de subidas de preço e não de descidas. Outro contra-senso!

Estão todos os países à espera que apareça o Sol para haver uma "sapatada" no mercado. A melhoria das condições climatéricas, principalmente no Centro e Norte da Europa, leva a um aumento dos consumos de carne devido às churrascadas. Por outro lado, espera-se que as ameaças russas não passem disso mesmo, para que haja um impulso no mercado externo de forma a estimular o aumento das cotações internas.

As próximas semanas serão cruciais para definir o resto do ano 2013 no mercado do porco.