2 de julio de 2012
13-Jul-2012 (há 13 anos 8 meses 26 dias)Maus tempos para a lírica é o que diria um amigo meu. Não é fácil descrever o que se passou este mês, ainda que estejamos ante um comportamento cada vez mais habitual neste mercado.
Durante a primeira quinzena os preços dos cereais seguiram o programa estabelecido: muita oferta (tanto nos portos como no mercado nacional) e preços com tendência de descida. A partir de meados do mês de Junho, e quando já os compradores começavam a felicitar-se pela sua sorte, alteram-se as coisas por diversos motivos, os principais são:
O rodapé a todas estas notícias vem da zona do Mar Negro, onde se comentou tanto na Rússia como na Ucrânia a redução da produção de trigo em particular e cereais em geral.
O resultado foi uma importantíssima subida dos preços tanto para a nova colheita como para a velha. O milho em concreto que chegou a cotar a 210 €/ton para a velha colheita e a 192 €/ton para a nova, situa-se agora à volta dos 228 €/ton para a velha colheita e 218 €/ton para a nova. O trigo chegou a cotar a 218 €/ton para a velha colheita e 208 €/ton para a nova. A cevada que se chegou a operar nos 205 €/ton para destino Lérida, neste momento opera acima de 220 €/ton com escasso volume de oferta.
O comprador pela sua parte parece atónito vendo como se escapou o mercado, e todavia se encontra em fase de aceitação sem conseguir acreditar no que se passa, já que graças às compras realizadas no porto e o pouco ou muito nacional que comprou, os consumos imediatos tem-nos cobertos. Isso sem ter em conta a descida de produção de rações própria da época e a descida do efectivo pelo início das normativas Europeias (sobretudo em frangos e galinhas). Além do mais, uns mais outros menos, compraram algo para a colheita nova aproveitando os preços oferecidos. Em conclusão, momentaneamente podem respirar esperando que o mercado se defina.
No que ao complexo da soja se refere continua instalado na sua atalaia e inclusive aumentou algo mais os preços (ainda que pareça incrível!, com grandes diferenciais de preço dia a dia), situando-se ao redor dos 430 €/ton a soja de 44%. Logicamente todos os substitutos da soja, seja colza, girassol, ervilha ou tremoço, acompanharam a subida dos preços da soja. Por exemplo a soja situou-se perto dos 315 €/ton para a velha colheita e 290 €/ton para a nova e o girassol situou-se nos de 238 €/ton.

Jordi Beascoechea
Subministradora de Cereals SL