É muito frequente que os produtores anotem uma causa única para a eliminação de uma porca. Também acontece associar à baixa uma causa predeterminada no programa de gestão e em muitos não se considera nenhuma causa sanitária já que o pessoal que muitas vezes tem de anotar não tem a formação necessária neste aspecto. De facto o mais frequente é que o registo seja baseado em sinais externos sem considerar lesões internas ou diagnóstico de qualquer tipo.
Desta forma os dados são processados da melhor forma possível mas geralmente partindo de uma base incorrecta devido a erros de recolha de dados que vão depois influenciar importantes decisões de maneio e sanitárias. Esta situação não acrescenta nada ao conhecimento pois assenta numa grande incerteza sendo a escassez de trabalhos científicos de qualidade nesta área, fácilmente entendível.

Parece portanto necessário promover uma normalização das causas de eliminação de porcas que sejam por um lado consistentes entre si e permitam comparar diferentes explorações. Daqui queremos propor algumas normas sobre as quais possa assentar a normalização:
Tipo de baixa: Diferenciação entre porcas mortas e enviadas para o matadouro. A diferenciação é simples: a porca morta é a que encontramos assim na exploração (seja morte súbita por doença ou lesão crónica) ; a porca enviada para matar pode ter sido enviada mesmo para abate ou ter sido sacificada na exploração durante o período de espera para ir para o matadouro (paradoxalmente estas últimas não são consideradas como enviadas para o matadouro).
a. Velha, idade. Nunca deve ser dada como válida antes da 5ª barriga, que é quando a porca atinge o seu máximo tamanho, critério que achamos aceitável.
b. Infertilidade. Só se passaram mais de dois cios depois do desmame (45 d) tendo sido coberta.
c. Anestro. Se não se cobriu pelo menos 8 dias depois do desmame.
d. Condição corporal. Só se a pontuação de é de grau 1 ou 2, mas é necessário que a exploração registe esta pontuação de forma rotineira, algo que é pouco frequente.
e. Productividade. É dificil definir o ponto de acção deste parâmetro, que além do mais depende muito da exploração pelo que a nossa sugestão é que seja "razoável". A porca deve ter pelo menos dois partos. Curiosamente encontramos explorações onde as baixas de primíparas são registadas com esta causa, cuja a origem está muito mais ligada ao maneio do que à própria porca.
f. Sanitárias. Dada a sua importância, convém diferencialas minimamente já que ao fazê-lo bem vamos obter um retorno muito elevado nas práticas de maneio e gestão sanitária. As mais frequentes são:
i. Torsão intestinal. Não deve ser registada assim se não se realiza necropsia.
ii. Clostridiose. Não deve ser registada assim se não se realiza necropsia.
iii. Prolapso.
iv. Coxeiras. É a causa mais frequente em muitas explorações. Multifactorial já que é dependente de muitos factores: nutricionais, de maneio (tamanho do grupo, estáticos-dinâmicos), de instalações (tipo e estado das grelhas) ou genéticos. Se é um problema convém registá-lo cuidadosamente pelo na fase em o mesmo está descontrolado. Sugerimos que seja registado ao menos:
1. Coxeira da extremidade (por cima da unha)
2. Unhas lesionadas
3. Unhas perdidas
4. Unhas com sobrecrescimento
5. Almofadas com lesões
6. Abscesos articulares
3. Evitar na medida do possível a causa ‘outras’, preferível "morte súbita" que o que normalmente quer dizer é morte repentina de causa desconhecida, porque não se realizou necropsia. Quanto maior seja a percentagem, deste tipo de causa, pior a qualidade dos registos.
Que relação existe entre o que se regista e o que realmente ocorre? Staalder et al (2007) produziram uma excelente revisão práctica depois de examinar quase mil carcaças de porcas no matadouro, concluindo que quase a quarta parte estava mal registada. As conclusões principais foram as seguintes:
As conclusões retiradas da experiência de campo e de estudos como o anterior são bastante claras. Registamos pouco e mal as causas de baixas das porcas reprodutoras porque temos um sistema de registo mal estruturado ao que somamos o pessoal da exploração em muitas ocasiões mal preparado.
Dada a situação actual em que o retorno do investimento em reprodutoras deve ser maximizado e encontramos com frequências percentagens elevadas de refugo e de porcas mortas sem necessidade e com causas que só podemos supor pelo que é impossível propor planos para controlar o problema.
Umas normas simples para o registo e pessoal com um mínimo de formação, podem representar a solução do problema.