Explorações de genética - porquê e como praticar a autorreposição

M.A. de AndrésMaría Aparicio ArnayCarlos Piñeiro
25-Jun-2012 (há 13 anos 9 meses 13 dias)

Neste último capítulo dedicado às explorações de genética, avaliaremos em primeiro lugar os prós e os contras de ter autorreposição numa exploração, e a seguir calcularemos os censos médios necessários para poder praticar autorreposição na exploração.

Podemos considerar duas modalidades de autorreposição na exploração:

  1. Explorações “abertas” que introduzem avós, ou seja, introduzem periodicamente animais na exploração. Com a descendência destas avós é que repõem as suas F1.
  2. Explorações “fechadas”, são explorações nas que não entram animais, logo também autorrepõem as suas avós. Normalmente, o que fazem estas explorações é cobrir parte das suas avós em linha pura, ou seja, com sémen da mesma linha genética, e a descendência destas cobrições é a que se usa para repor a população de avós.

A seguir apresentamos as principais vantagens e inconvenientes deste tipo de maneio bem como a forma de cálculo.

Vantagens da autorreposição

A principal vantagem da autorreposição é diminuir ao máximo possível (explorações abertas), ou inclusive evitar (explorações fechadas) à entrada de animais externos à exploração. Na produção suína actual, uma elevada sanidade é um elemento chave para aumentar a eficiência produtiva das explorações (melhoria de parâmetros produtivos, poupanças na medicação, homogeneidade de animais para o matadouro…).

Dado que um dos principais perigos sanitários é a introdução de animais alheios (possível introdução de novas doenças, desestabilização patológica da exploração), com a autorreposição minimiza-se ou anula-se este risco.

Outras vantagens da autorreposição são a não dependência de flutuações de preço dos animais, ou de disponibilidade destes, e o evitar os processos de quarentena e adaptação dos animais externos (instalações, dias não produtivos…).

Inconvenientes da autorreposição
Os principais inconvenientes são:

Cálculo da autorreposição

Partimos, como exemplo, de uma exploração de 500 porcas. Supondo uma reposição anual de 40%, serão necessárias:

500 x 0,4 = 200 primíparas a entrar por ano

De cada avó, a descendência média apta para reposição pode ser:

1 avó ≈ 22 leitões desmamados/ano, dos quais a metade são fêmeas, logo 11 leitoas desmamadas/ano.

Supondo uma mortalidade total nas baterias-recria de 5% ficariam:

11 leitoas desmamadas x 0,95 ≈ 10 porcas recriadas

Chegados a este ponto, há que seleccionar as porcas (decidir quais são válidas para entrar como reposição, e quais irão para o matadouro). Uma taxa de selecção normal pode rondar os 80%, logo:

10 porcas recriadas x 0,8 = 8 porcas de reposição

Estes parâmetros podem variar, por isso costuma-se considerar que por cada avó se obtêm entre 6 e 9 animais de reposição por ano.

No exemplo, o nº de avós necessárias na exploração seria:

200 primíparas por ano/8 primíparas por avó = 25 avós

Recomenda-se ter alguma margem, logo nesta exploração seriam necessárias aproximadamente umas 28 avós. Portanto, o efectivo desta exploração seria:

F1 ≈ 470-474 porcas
Avós ≈ 25-30 porcas

Como se pode observar, para uma correcta autorreposição, o censo de avós deve estar entre os 6 e os 9% do censo de F1.

No caso de uma exploração fechada, a percentagem de avós que deveria haver para cobrição em linha pura seria o mismo, entre os 6 e os 9% do efectivo total de avós, assim neste exemplo, seriam:

28 x 0,07 ≈ Entre 2 e 3 porcas

Portanto, deveria ter 30-31 avós, das quais 2-3 seriam cobertas em linha pura.

Com este artigoo terminamos a série que dedicámos às explorações de genética.