UE: prevê-se quebra acentuada na produção de cereais; as oleaginosas também apresentam recuo

Outubro de 2026, Comissão Europeia/ União Europeia.
https://agriculture.ec.europa.eu

05-Nov-2026 (hoje)

Os mercados agrícolas da UE estão a ser moldados por uma combinação de eventos climáticos extremos, custos elevados dos factores de produção, perturbações no comércio e condições macroeconómicas voláteis. O calor intenso e a seca durante o verão levaram a uma revisão significativa em baixa da produtividade das culturas de verão e reduziram a biomassa das pastagens, ao mesmo tempo que restringiram a disponibilidade de alimentos para animais. Apesar disso, as chuvas ocorridas no final de Agosto foram benéficas para a sementeira dos cereais de inverno. Paralelamente, a instabilidade geopolítica no Médio Oriente e na Ucrânia elevou os custos da energia e dos transportes; interrupções nas rotas marítimas fundamentais aumentaram a incerteza para o comércio e a logística. A acessibilidade aos fertilizantes — impactada pelo elevado preço do gás e pelas restrições na oferta — continua a ser um desafio para os agricultores da UE. De um modo mais amplo, o crescimento económico lento, a inflação persistente e as oscilações cambiais representam desafios para a competitividade da UE. Apesar destas pressões, as oleaginosas têm demonstrado resiliência.

A produção de cereais na UE em 2026/27 está estimada em 262 milhões de toneladas, uma quebra de 9,6% face ao ano anterior e 4,7% abaixo da média dos últimos cinco anos. Esta redução acentuada deve-se a ondas de calor extremas e a uma seca severa nas principais regiões produtoras de cereais. A produção de milho na UE foi a mais afectada, prevendo-se uma queda de 20% face à média quinquenal, atingindo os 48,5 milhões de toneladas. As culturas de inverno foram menos impactadas. A produção de trigo mole deverá registar um recuo inferior a 2% face à média de cinco anos, situando-se em 124,2 milhões de toneladas; por outro lado, a produção de cevada destaca-se, situando-se 5% acima da média quinquenal, impulsionada por uma colheita recorde na Roménia. Devido à menor disponibilidade interna, prevê-se que as importações de milho em 2026/27 subam para 25 milhões de toneladas — um aumento de 5,7 milhões de toneladas face ao nível de 2025/26. As exportações de trigo mole deverão manter-se estáveis, nos 29 milhões de toneladas, graças aos elevados stocks iniciais. No geral, as exportações líquidas de cereais em 2026/27 estão projetadas em 10,2 milhões de toneladas, em comparação com 18,1 milhões de toneladas em 2025/26.

A produção de oleaginosas na UE em 2026/27 está estimada em 31,3 milhões de toneladas — um volume 0,3% inferior ao de 2025/26, mas 1,8% acima da média dos últimos cinco anos. A produção de soja foi a mais afectada pela seca, situando-se 19% abaixo da média quinquenal, com 2,2 milhões de toneladas. Prevê-se que a produção de colza se situe 3,2% acima da média dos últimos cinco anos, graças a uma maior área cultivada — embora 3,8% abaixo do registado em 2025/26 —, enquanto a produção de girassol apresenta um aumento de 5,3%, impulsionada tanto pela expansão da área cultivada como pelos rendimentos acima da média na Roménia e na Bulgária. A produção de óleos vegetais também deverá crescer, atingindo 16,8 milhões de toneladas (+1,7% face à média quinquenal); por sua vez, as importações de bagaço de soja deverão subir para 20,5 milhões de toneladas (+17% face à média quinquenal), visando compensar a menor produção interna e o aumento da procura de rações para animais.