Ucrânia: Sector suinícola enfrenta desafios contínuos devido à Peste Suína Africana (PSA) e à guerra

28 de Setembro de 2026/ USDA/ Estados Unidos.
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20-Out-2026 (hoje)

A descida dos preços da carne de porco no último trimestre de 2025 e durante o primeiro semestre de 2026 contribuiu para a saída de explorações ineficientes do mercado, resultando numa redução do efectivo animal. Prevê-se que a situação estabilize, em certa medida, em 2027, à medida que as explorações de maior dimensão continuem a recompor os seus efectivos, apesar dos desafios.

A produção de carne de porco na Ucrânia concentra-se em polos próximos das principais fontes de rações e dos centros consumidores. A produção no leste do país deixou de existir em 2022, após o início da invasão em grande escala por parte da Rússia; muitas explorações agrícolas mudaram as suas instalações para o oeste da Ucrânia, embora a produção no centro do país — especialmente nos arredores de Kiev — continue a ser significativa. As explorações industriais representam 69% do efectivo suíno, enquanto a produção de pequena escala (doméstica) representa 31%.

A Peste Suína Africana (PSA) continua a ser um importante factor de risco, sendo de difícil controlo nas regiões próximas da linha da frente. A PSA representa também o principal risco para a expansão da produção, uma vez que a propagação da doença na natureza e em explorações domésticas próximas foge ao controlo dos investidores. O número de casos de PSA aumentou após a invasão russa em grande escala, em 2022, mas estabilizou por volta de 2025. Fontes do sector confirmam um número relativamente estável de ocorrências em 2026.

O crescimento pouco expressivo do efectivo suíno em 2027 resultará num aumento limitado da produção de carne de porco, que deverá atingir as 610 mil toneladas métricas. Em 2026, a produção também permanecerá estagnada, pressionada por preços fracos no retalho e por um maior volume de importações. A intensificação dos ataques russos às infraestruturas ucranianas poderá ter um impacto negativo na produção de carne de porco durante os meses de inverno de 2026/27. As operações em matadouros e instalações de armazenamento refrigerado continuam vulneráveis ​​a falhas no fornecimento de energia e a problemas logísticos. A escassez de mão-de-obra, reportada pelos produtores, também afectará o processamento e a distribuição da carne de porco.

A contínua descida dos preços da carne de porco e o aumento das importações de produtos de porco irão favorecer um crescimento moderado do consumo deste tipo de carne em 2026 e 2027. A carne de porco é uma proteína tradicional e popular; os consumidores passaram a optar por ela após a subida dos preços da carne de bovino no último trimestre de 2025.

Os ataques russos às infraestruturas logísticas de alimentos e de armazenamento refrigerado, que se intensificaram na primavera/verão de 2026, podem tornar-se um factor determinante para o consumo de carne de porco no período 2026-2027. Muitas grandes cadeias de retalho perderam os seus centros de distribuição em consequência destes ataques, o que levou algumas a retomar o sistema de entregas directas, feitas pelos próprios produtores. Outras cadeias solicitaram aos produtores que suportassem até 100% dos custos referentes aos produtos perdidos nos centros de distribuição afectados. Embora estejam em curso negociações, parece inevitável que os preços da carne de porco no retalho subam, impulsionados pelo aumento dos custos logísticos.

A procura de importações manter-se-á elevada em 2027, atingindo as 45 mil toneladas métricas, uma vez que o crescimento no sector industrial não será suficiente para compensar a redução dos stocks domésticos. Devido à proximidade geográfica e aos laços históricos com os produtores europeus, a União Europeia continua a ser o principal fornecedor, sendo o Canadá o único outro exportador de carne de porco para a Ucrânia.