15 de Outubro de 2026
A cotação dos porcos em Portugal voltou a baixar, de novo, 0,06€/kg carcaça para 1,92€/kg carcaça na Bolsa do Porco, na primeira metade de Outubro. O mercado continua a baixar, numa altura em que é habitual o mercado ter este comportamento, apesar de o peso dos porcos continuar abaixo do que é usual.
No país vizinho também continuam os porcos com pesos baixos (estão 3,3kg em carcaça abaixo do peso do ano passado nesta mesma altura), apesar dos pesos irem subindo todas as semanas, o que também não impediu a descida da cotação. A dificuldade na venda de carne no mercado europeus, já que há muitas dificuldades na venda de carne de porco espanhola para Países Terceiros, e a competição pelo mercado que tem de fazer com a carne alemã, que está mais barata, ditam este comportamento depressivo na cotação da carne e, consequentemente, na cotação dos porcos.
Os matadouros espanhóis vão, a pouco e pouco, reajustando o preço a que compram os porcos para poderem ter um preço da carne que seja competitivo com o preço da carne alemã, pois após a descida de 15 cêntimos na cotação dos porcos, há 3 semanas na Alemanha, a carne de porco espanhola ficou menos competitiva e, por isso, com mais dificuldades de venda. O reajustamento de preço da carne é natural e faz-se, como sempre, com reajustamento, em baixa, do preço de compra dos porcos. Ainda para mais, quando em toda a Europa os consumidores têm menos poder de compra e menos dinheiro disponível e, seguramente, um dos produtos que compram menos será a carne.
Os matadouros não querem congelar carne porque crêem que vão conseguir tê-la mais barata, com futuras decidas dos porcos e os compradores não querem fazer negócios de carne a futuros, porque também acham que a vão poder comprar mais barata. Isto obriga os matadouros a baixar preços para vender em fresco.
Adicionalmente, os custos de produção continuam muito elevados (alimentação e energia), o que deixa os produtores em margens negativas e com muito poucas perspectivas de haver uma melhoria no mercado do porco para as próximas semanas.
Nunca na Europa, que eu me lembre, houve tanta disparidade entre as cotações dos diferentes países. Tínhamos a Dinamarca com a cotação abaixo de 1,00€/kg carcaça e a França com a cotação acima de 2,00€/kg carcaça. O que se nota é que, nestas últimas semanas, tem havido um aproximar de cotações. A Dinamarca subiu, a França desceu, bem como Espanha e Portugal, e os restantes países mantiveram cotações.
Nos restantes mercados mundiais, a cotação dos porcos desceu nos Estados Unidos e, finalmente, subiu no Brasil.
No que diz respeito à evolução das cotações europeias do porco, em Espanha a cotação desceu 0,045€/kg PV (0,06€/kg carcaça) para 1,27€/kg PV na primeira quinzena de Outubro (1,693€/kg carcaça). De acordo com as informações da Mercolérida, o peso subiu 1,65Kg em carcaça nesta quinzena e está 3,3Kg abaixo do peso do ano passado nesta mesma altura.
Na Alemanha a cotação manteve-se em 1,45€/kg carcaça na primeira quinzena de Outubro. Os pesos em carcaça subiram 100g para os 98,2kg e está 200g abaixo do peso do ano passado. A oferta continua a ser muito abundante em várias regiões, sendo que as acumulações de oferta decorrentes do feriado de 3 de Outubro persistem. Os compradores continuam cautelosos para evitar stocks excessivos. A estabilidade predomina, mas não se pode descartar uma pressão de baixa a médio prazo.
Nos Países Baixos a cotação manteve-se em 1,21€/kg carcaça na primeira metade de Outubro.
Na Bélgica a cotação manteve-se em 1,07€/kg PV na primeira quinzena de Outubro.
Na Dinamarca a cotação subiu 0,08€/kg carcaça para 1,00/kg carcaça na primeira quinzena de Outubro.
Em França, a cotação desceu 0,12€/kg carcaça para 1,672€/kg carcaça na primeira metade de Outubro. Os pesos subiram 900g para 96,8kg e está igual ao peso de 2025. As sessões do Mercado do Porco Francês desceram o máximo permitido em cada sessão perfazendo um total de 6cêntimos semanais. A oferta de porcos tem vindo a aumentar semanalmente, bem como o seu peso, e isso faz contrair as cotações em França. Apesar de a disponibilidade de suínos ser inferior à do ano passado, as necessidades dos matadouros são amplamente satisfeitas por uma oferta sazonal crescente.