Produção mundial de carne diminuirá em 2026

FAO. 2026. Food Outlook – Biannual report on global food markets. Food Outlook, June 2026. https://doi.org/10.4060/ce0204en

09-Jul-2026 (hoje)

Produção

Está previsto que a produção mundial de carne cresça a um ritmo mais moderado em 2026, com um aumento anual de 1,0%, atingindo 391 milhões de toneladas (equivalente em peso de carcaça), a carne de aves continuará a ser o principal motor do crescimento da produção global, enquanto se prevê uma quebra na produção de carne de bovino e de ovino.

É esperado que a produção mundial de carne de porco aumente moderadamente até atingir 129,5 milhões de toneladas em 2026, um aumento de 0,6% face ao ano anterior. Na China, as medidas para reduzir a população de reprodutoras serão compensadas por melhorias na produtividade, incluindo um maior número de leitões nascidos por ninhada, permitindo que a produção se mantenha praticamente estável. Prevê-se um aumento da produção no Brasil, impulsionado por margens favoráveis ​​e forte procura internacional, bem como nos Estados Unidos, graças às contínuas melhorias na produtividade. Por outro lado, prevê-se uma quebra na produção na União Europeia, prejudicada pela pressão da peste suína africana (PSA) e pelas restrições comerciais associadas, que limitaram o acesso a alguns mercados-chave, enquanto a menor procura de importação da China reduziu o incentivo ao aumento da produção.

Comércio

Prevê-se que o comércio global de carne aumente 1,1% em 2026, atingindo 43,9 milhões de toneladas, impulsionado principalmente pelo aumento esperado das remessas de aves e carne de porco, enquanto as exportações de carne de bovino e de ovino poderão diminuir devido à disponibilidade limitada para exportação.

Prevê-se que o comércio global de carne de porco aumente 1,2% em 2026, atingindo 10,2 milhões de toneladas. A procura de importações irá crescer principalmente devido ao aumento das compras nas Filipinas e na Coreia do Sul, onde os focos recorrentes de peste suína africana (PSA) nos últimos anos reduziram a disponibilidade de animais para abate e impulsionaram as importações. Prevê-se também um aumento das compras por parte do México, sustentado pela forte procura interna e pela substituição da carne de bovino, que se mantém cara apesar das quotas de importação implementadas a 1 de janeiro de 2026 para fornecedores sem acordos comerciais preferenciais e em vigor durante todo o ano.

Por outro lado, prevê-se uma redução das importações chinesas, devido à disponibilidade suficiente do produto no mercado interno e às taxas antidumping, impostas em dezembro de 2025, sobre a carne de porco da União Europeia, que variam entre 4,9% e 19,8% durante um período de cinco anos. Do lado das exportações, prevê-se um aumento dos envios do Brasil, Canadá e Estados Unidos, impulsionado pela ampla oferta exportável e pela maior competitividade nos mercados asiáticos, ainda mais reforçada pela menor presença da União Europeia em resultado das restrições relacionadas com a peste suína africana (PSA) e pelas tarifas mais elevadas impostas pela China.