15 de Junho de 2026
Finalmente, ao fim de 8 semanas consecutivas sem alterações na cotação, quando estas eram esperadas e bem necessárias, a cotação dos porcos em Portugal subiu 0,06€/kg carcaça na Bolsa do Porco, fixando-se a cotação em 1,952€/kg carcaça, na primeira quinzena de Junho.
A disponibilidade de porcos é menor e os pesos também são mais baixos, em função de uma procura sustida de porcos por parte dos matadouros e de temperaturas mais elevadas do que o normal para este época do ano, que fez reduzir o crescimento dos porcos. Todos estes factores, a que se junta uma subida da cotação em Espanha, foram primordiais para a subida da cotação dos porcos. Todavia, a indústria nacional continua a queixar-se de vendas de carne muito fracas e de muita dificuldade em conseguir valorizar as peças.
Os produtores necessitavam desta subida (e continuam a necessitar de mais), como de pão para a boca, no sentido de poderem sair de custos operativos negativos e para poderem começar a respirar melhor. Veremos quantas semanas duram a subidas e para que patamar subira a cotação dos porcos este verão.
Uma coisa é certa, a cotação dos porcos ficará abaixa do que era expectável antes do aparecimento da Peste Suína Africana em Espanha, pois faziam-se projecções de preço para 2026 muito acima dos valores actuais, e esta não é uma boa notícia para os produtores.
Em Espanha também se aproximam semanas em que a oferta de porcos será mais reduzida e isso fará baixar ainda mais os pesos ou, então, os matadouros terão de reduzir o número de dias em que irão laborar por falta de porcos para abater. Os pesos em Espanha baixaram significativamente no final de Maio e início de Junho, como poderão ver abaixo, o que implicou a subida da cotação, que só não foi mais significativa porque a Alemanha, a meados de Maio baixou a sua cotação 10 cêntimos. Esta descida alemã baralhou e meteu muita pressão no mercado espanhol da carne, o que impediu que a cotação dos porcos tivesse subido mais cedo e com mais força.
Para além do mais, com o contínuo aparecimento de focos de PSA em javalis em Espanha, continuam as dificuldades do país vizinho em exportar a sua carne de porco para Países Terceiros. Sabemos que, com a excepção do Japão e do México, todos os restantes países, incluindo as Filipinas, reconhecem a regionalização do mercado espanhol do porco, o que permite que a Espanha possa vender a sua carne para esses outros países. O que se passa, afinal, para que o escoamento da carne de porco espanhola não seja fluido? O que se passa é que, os compradores desses países, apesar de não estarem proibidos de comprar carne de porco espanhola, com receio da PSA, não a compram e optam por ter outros fornecedores, quer europeus, Portugal incluído, quer americanos (Brasil, Canadá e EUA) estes últimos com preços muito competitivos.
Muito à conta deste problema em Espanha, as exportações de carne de porco portuguesa cresceram 67,7% no1º trimestre de 2026, tal como publicámos na 3tres3 há duas semanas e parte deste crescimento também se fez à custa do mercado deixado livre por Espanha.
No que diz respeito à evolução das cotações europeias do porco, em Espanha a cotação subiu 0,035€/kg PV (+0,046€/kg carcaça) para 1,31€/kg PV na primeira quinzena de Junho (1,746€/kg carcaça). De acordo com as informações da Mercolérida, o peso baixou 1,1Kg nesta quinzena e está 2,1kg abaixo do peso do ano passado nesta mesma altura.
Na Alemanha a cotação manteve-se em 1,60€/kg carcaça na primeira quinzena de Junho. Os pesos em carcaça subiram 100g para os 98,6kg. A venda de carne continua a enfrentar dificuldades, tanto no mercado interno como para exportação. Os principais matadouros estão a exigir reduções de preços para evitar maiores prejuízos. Apesar disso, nalgumas regiões o mercado está equilibrado e o preço de referência está a ser mantido. Quanto à carne, os supermercados estão a oferecer várias promoções em muitos cortes. Os porcos disponíveis são mais do que suficientes e as cotações mantêm-se estáveis, embora exista uma pressão de descida.
Nos Países Baixos a cotação manteve-se em 1,31€/kg carcaça na primeira metade de Junho.
Na Bélgica a cotação baixou 0,05€/kg PV para 1183€/kg PV na primeira quinzena de Junho. Com um mercado da carne relativamente complicado, o preço dos porcos voltaram a descer. Os feriados provocaram alguns atrasos nos abates, embora a oferta continue relativamente limitada, com pesos inferiores aos normalmente observados nesta altura do ano. No entanto, esta situação não é suficiente para sustentar os preços, e a pressão exercida pelo mercado alemão continua a afectar o mercado belga.
Na Dinamarca a cotação manteve-se em 1,29€/kg carcaça na primeira quinzena de Junho.
Em França, a cotação subiu 0,001€/kg carcaça para 1,434€/kg carcaça na primeira metade de Junho. Os pesos baixaram 800g para 96,9kg e estão 100g acima do peso de 2025. Após quinze semanas sem alterações, o preço médio registado no MPF 0,001€. Depois de um mês de Maio desafiante devido aos diversos feriados, como costuma acontecer, os abates parecem estar a voltar ao normal. Os efeitos da onda de calor continuam a ter impacto no mercado e, portanto, contribuem para um regresso mais rápido a um mercado mais fluido e equilibrado. Mais do que a magnitude deste aumento, é sobretudo o sinal enviado para o mercado que está a chamar a atenção dos operadores. Este desenvolvimento reflecte uma reacção inicial dos fornecedores a uma oferta mais fluida, sem, no entanto, sinalizar claramente o início de uma tendência de subida genuína.