Um foco, dois destinos: biocontingência acelerou recuperação de centro de inseminação

Anna RomagosaXavier Barrera ToroEduardo Rodríguez Sierra
25-Mai-2026 (hoje)

A monitorização interna da PRRS estabelecida neste CIA baseia-se em:

Introdução: quando o PRRS explode

No dia 7 de abril de 2024, durante a monitorização de rotina do Centro, duas amostras de PCR positivas para o vírus da síndrome reprodutivo e respiratório suíno (PRRSv) em varrascos de um dos dois pavilhões desencadearam a implementação imediata do protocolo de emergência:

A disponibilidade de um laboratório operacional durante a noite permitiu um rápido progresso nas análises. Os resultados dos testes realizados entre 7 e 8 de Abril, a 100% dos animais confirmaram os receios: 11 dos 261 varrascos, do Pavilhão 2, testaram positivo para o vírus por PCR. Em contrapartida, nenhum dos 267 animais do Pavilhão 1 testou positivo.

Esta descoberta marcou um ponto de viragem, a partir desse momento, iniciou-se uma corrida contra o tempo para:

Estruturalmente, o Pavilhão 1 possui um sistema de camas profundas, enquanto o Pavilhão 2 é de "slat" total. Ambos os edifícios são idênticos e estão situados paralelamente um ao outro, separados por 10 metros. Ambos possuem ventilação com pressão negativa, com extração na extremidade de cada edifício e unidades de "coolings" nas entradas de ar laterais, mas sem filtragem.

Antes do foco, os funcionários de cada edifício trabalhavam de forma independente, mas o fluxo de entrada era partilhado por todos, com chuveiros à entrada e à saída do CIA, e acesso ao Pavilhão 1. Posteriormente, os trabalhadores do edifício Pavilhão 2, dirigiam-se ao seu edifício vestindo roupas e calçado de trânsito. Para entrar no Pavilhão 1, passavam no "duche seco", consistindo na troca de roupa e calçado) em vestiários com zona limpa e suja claramente definida (Figura 1).

Figura 1. Situação antes do foco. Vedações perimetrais e internas e fluxo de trabalhadores.

Medidas de contingência cirúrgicas

Desde o primeiro dia que a prioridade foi clara: manter o Pavilhão 1 livre de PRRS, para retomar a produção o mais rapidamente possível. Para atingir este objetivo, foram implementadas medidas diferenciadas e de elevada precisão.:

Isolamento imediato e zoneamento interno

Figura 2. Modificação do fluxo de trabalho após o resultado positivo a PRRS.

Biossegurança estrutural e ambiental após o esvaziamento do Pavilhão 2

Figura 3. Modificações na ventilação ao iniciar a lavagem com água pressurizada em Pavilhão 2.

Gestão da limpeza: biocontenção

Foto 1. Instalação de estruturas metálicas nas saídas de ar para suportar as lonas

Foto 2. Foi colocada uma estrutura de plástico nos ventiladores de extração de ar do Pavilhão 2 para direcionar o ar de saída para o chão, onde foram colocados tabuleiros grandes com desinfetante virucida.

Foto 3. Todos os pontos de entrada de ar (arrefecimento) adjacentes ao Pavilhão 2 foram selados com plástico.

Recuperação operacional passo a passo

Semana PAVILHÃO 1 PAVILHÃO 2
0 7 abril 0 PCR+
8 abril 0 PCR+ nos 267 varrascos

7 abril: 2 PCR+
8 abril: 11 PCR+ nos 261 varrascos
encerramento sanitário,

retirada e análise de todas as doses produzidas mediante PCR (com resultados negativos), ativação do plano de contingência para que os clientes não ficassem sem fornecimento.

9-12 abril: esvaziamento do pavilhão

1 Testagem Oficial de 100% dos machos por PCR e teste privado de 50% por PCR e ELISA con resultados negativos Retirada manual de matéria orgânica para a fossa
2

Testagem Oficial de 100% dos machos por PCR

Teste privado de 50% por PCR e ELISA con resultados negativos

Desinfetar sem água e sem pressão para evitar a formação de aerossóis.
3 Teste privado de 50% por PCR e ELISA con resultados negativos Recolha de 38 amostras ambientais e análise individual por PCR com resultados negativos.
Objectivo: recolher amostras nos estábulos dos machos positivos.
4 Teste privado de 50% por PCR e ELISA con resultados negativos.
12 de maio: A abertura das vendas das doses do Pavilhão 1 foi oficialmente autorizada.

Aplicação de calor, através de chama, em todas as superfícies do Pavilhão 2.

Foram recolhidas 25 amostras ambientais, cada uma testada individualmente por PCR, com resultados negativos.

5 Teste privado de 100% dos machos por PCR e ELISA antes da saída das doses
6 Teste privado de 100% dos machos por PCR e ELISA antes da saída das doses Inicie a limpeza profunda com água pressurizada.
7 Início do período de vazio sanitário
8
9 Programa de Sentinela: transferência de 12 varrascos de refugo do Pavilhão 1 para o Pavilhão 2 para abate.
Rotação por 100% dos parques.
10 PCR e ELISA negativo dos sentinelas
11 Enchimento do pavilhão

* todas as análises no sangue.

Monitorização semanal do tamanho da amostra para um nível de confiança de 95% e prevalência de 2%, distribuídos por 3 dias de colheita. Tipo de amostra: sangue da veia safena. Teste: PCR.

A investigação: rastrear o caminho invisível do vírus

Foi realizada uma investigação epidemiológica detalhada, com foco nos dias que antecederam a deteção do vírus. Foram analisadas as entradas de pessoal, as visitas técnicas, o transporte de animais, a remoção de cadáveres e as movimentações internas, bem como as condições climatéricas.

Diversos fatores surgiram como potenciais pontos de entrada:

Apesar dos esforços, não foi possível confirmar uma única fonte. A sequência genética do vírus isolado no CIA foi inserida no GenBank e apresentou correspondência com estirpes de uma exploração localizada numa cidade a 38 km de distância, situada numa área de elevada densidade de suínos.

Lições aprendidas: medidas preventivas para o futuro

O foco expôs lacunas operacionais que levaram a um plano abrangente para melhorias permanentes:

Conclusão: a contenção foi possível porque havia um plano

Este caso de estudo demonstra que, mesmo perante uma infeção silenciosa e potencialmente devastadora como a PRRS, a combinação de resposta rápida, medidas cirúrgicas e biossegurança adaptativa pode fazer toda a diferença. A sensibilização da equipa durante o processo de despovoamento, limpeza, desinfeção, repovoamento e reinício das atividades foi fundamental.

Graças à existência do Pavilhão 1, o CIA reduziu significativamente o tempo de inatividade e evitou comprometer o fornecimento genético.

Num contexto de elevada densidade de suínos, constante movimentação e vírus altamente contagiosos, as explorações necessitam de estar preparadas para o imprevisível. Ter um protocolo de contingência robusto não é opcional; é a base de qualquer operação.