Yang L, Tao A, Hu H, Ding M, Chen J, Li X, Chen X, Zou T, You J. Improving Meat Quality and Lipid Metabolism of Finishing Pigs by Replacing Dietary Soybean Meal with Enzyme–Bacteria Co-Fermented Rapeseed Meal. Foods. 2026; 15(3): 587. https://doi.org/10.3390/foods15030587
14-Mai-2026 (há 3 dias)Objetivo: Este estudo avaliou os efeitos do bagaço de colza cofermentado com enzimas e bactérias (FRSM - enzyme–bacteria co-fermented rapeseed meal) como substituto do bagaço de soja em dietas para suínos em fase de engorda, com foco no desempenho de crescimento, parâmetros bioquímicos sanguíneos, qualidade da carne e metabolismo lipídico.
Métodos: Vinte e oito porcos de engorda da raça Duroc × Landrace × Yorkshire, com quatro meses de idade e um peso médio de 60,9 kg, foram distribuídos por quatro tratamentos alimentares durante 45 dias. O grupo controlo recebeu uma dieta convencional à base de milho e bagaço de soja, enquanto nos grupos experimentais 50%, 75% ou 100% do bagaço de soja foi substituído por FRSM.
Resultados: A substituição da farinha de soja por FRSM não afetou negativamente o desempenho de crescimento. O ganho médio diário e a eficiência alimentar foram mantidos em todos os tratamentos, indicando que o FRSM pode substituir a farinha de soja de forma eficaz sem comprometer o desempenho produtivo. Do ponto de vista metabólico, os porcos alimentados com FRSM apresentaram melhorias no perfil lipídico sanguíneo. Os níveis de colesterol total foram reduzidos em comparação com a dieta de controlo. Nos grupos com substituição de 75% ou 100%, os níveis séricos de colesterol unido a lipoproteínas de baixa densidade, alanina aminotransferase e ureia foram também mais baixos, sugerindo potenciais benefícios para o metabolismo lipídico e para a função hepática. Os parâmetros de qualidade da carne foram influenciados positivamente pela inclusão de FRSM. O pH muscular aumentou 24 horas após o abate, enquanto a perda por gotejamento, a resistência ao corte e a mastigabilidade nos músculos longissimus torácico e lombar diminuíram, indicando uma melhor capacidade de retenção de água e uma maior tenrura. Embora o teor de triglicéridos tenha aumentado, o perfil global de ácidos gordos melhorou: a relação entre os ácidos gordos saturados e insaturados (AGS/AGI) diminuiu, enquanto a relação entre os ácidos gordos polinsaturados e saturados (AGPI/AGS) aumentou. Além disso, as concentrações de treonina e valina aumentaram. O grupo com 100% de substituição apresentou aumentos adicionais de aminoácidos associados ao sabor umami, aminoácidos essenciais totais e aminoácidos totais, sugerindo um maior potencial de sabor e qualidade proteica. A análise morfológica revelou que a substituição total com FRSM reduziu o perímetro das fibras musculares nos músculos longissimus torácico e lombar, o que pode estar associado à melhoria da textura da carne. A nível molecular, o FRSM aumentou a expressão de MyHC I e MyHC IIa, indicando uma mudança para tipos de fibras musculares mais oxidativas. Aumentou também a expressão de genes lipogénicos como o FASN, SREBP1 e SCD, corroborando modificações no metabolismo lipídico consistentes com as alterações observadas no perfil de ácidos gordos.
Conclusão: De um modo geral, a farinha de colza cofermentada com enzimas e bactérias demonstrou claras vantagens em relação à farinha de colza convencional e provou ser uma alternativa viável à farinha de soja em dietas para suínos em fase de engorda. Para além de manter o desempenho de crescimento, a FRSM melhorou o metabolismo lipídico e vários aspetos importantes da qualidade da carne, reforçando o seu potencial como fonte de proteína funcional e sustentável na produção de suínos.