Produção suína em África: passado e presente

Ayobami Olasupo
23-Mai-2025 (há 10 meses 15 dias)

Passado: antecedentes históricos da introdução do porco em África

A história da produção de suínos em África estende-se por milénios e está profundamente ligada à evolução cultural, económica e agrícola do continente. O porco doméstico não é nativo de África e foi introduzido no continente tanto consciente como inconscientemente.

A introdução do porco em África pode resumir-se em cinco acontecimentos históricos:

Situação actual da produção suína em África

1. Estatísticas actuais da produção suína em África

População suína em África

A população total de suínos em África representa aproximadamente 4,6 % da população mundial de suínos. O quadro seguinte mostra a distribuição atual por país com populações entre 1 e 10 milhões de suínos (FAOSTAT 2023):

País População suína estimada (milhões de cabeças)
Nigéria 9,51
Malawi 8,07
Angola 3,55
Uganda 2,63
Moçambique 2,32
Camarões 2,18
Burkina Faso 1,78
Madagáscar 1,75
África do Sul 1,32
Zâmbia 1,16
República Centro-Africana 1,07
República Democrática do Congo 1,01

Número de porcos em África, 2022. Fonte: Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (2023)

Produção de carne de porco em África

O registo da produção de carne de porco em África, em comparação com o seu censo, reflecte o impacto dos diferentes sistemas de produção presentes nas várias regiões do continente.

Produção de carne de porco em África: países líderes em produção suína (FAOSTAT 2023)

Países Produção estimada de carne de porco (toneladas)
Nigéria 363.123
África do Sul 351.560
Malawi 344.550
Burkina Faso 224.127
Angola 169.196
Moçambique 136.637
Uganda 128.310
Camarões 48.560
Tanzânia 44.420
Gana 28.820
República Democrática do Congo 27.416
Madagáscar 26.500
Zâmbia 24.249
Quénia 20.460
Senegal 19.798
República Centro-Africana 19.471
Togo 17.154

Produção de carne de porco em África 
 2022. Fonte: Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (2023)

A consolidação da África do Sul como o segundo maior produtor de carne de porco em África (apesar de ser o nono maior em termos de número de animais) deve-se ao elevado nível de intensificação do sistema de produção de suínos e à utilização de genética comercial de alta qualidade na região, com raças mais produtivas, o que resulta numa maior eficiência em termos de mais carne por porco, bem como em pesos de abate mais elevados.

Gráfico do censo suíno que mostra a tendência de crescimento na Nigéria, Malawi e África do Sul entre 1961 e 2022. Fonte: Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO 2023)

Gráfico da produção de carne de porco onde se observa a tendência de crescimento na Nigéria, Malaui e Áffrica do Sul de 1961 a 2022. Fonte: Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (2023)

2. Sistemas de produção suína em África

Os actuais sistemas de produção de suínos no continente africano podem ser classificados nos seguintes tipos:

3. Desafios da produção suína em África

O sector da suinicultura em África tem um grande potencial como motor essencial da segurança alimentar, da geração de rendimentos e do desenvolvimento rural. No entanto, enfrenta vários desafios que limitam o seu crescimento e sustentabilidade. Estes desafios incluem:

A produção suína em África conta com um importante potencial de crescimento e desenvolvimento. Se forem abordados os desafios existentes e aproveitadas as oportunidades, tanto nos mercados nacionais como nos de exportação, junto com os avanços tecnológicos, o investimento, a adopção de práticas sustentáveis e o apoio de políticas adequadas, o sector poderá conseguir melhoras significativas em produtividade, rentabilidade e sustentabilidade.

Com mais de 1.400 milhões de pessoas e uma projecção de crescimento até cerca de 2.500 milhões para 2050, a procura de proteína animal, incluída a carne de porco, está a aumentar de forma constante em África. Todas estas melhorias suporão uma oportunidade para o desenvolvimento do sector suíno em África.