Maneio de vacinas na exploração (IV): falhas vacinais

Javier Lorente Martín
29-Jan-2025 (há 1 anos 2 meses 9 dias)

Chegámos ao fim desta série de artigos sobre o maneio de vacinas. Tentámos abordar todos os aspectos relacionados que devem fazer com que estas vacinas funcionem no nosso sistema. No entanto, queremos encerrar esta série falando sobre a razão pela qual por vezes falamos de “falha da vacina” ou dizemos que não temos a certeza de que as vacinas estão a funcionar, total ou parcialmente.

Quando isso acontece, muitas vezes olhamos para a vacina e para uma falha na protecção que ela gera, mas, em muitos casos, essa falha provém de uma utilização ou manuseamento inadequados das vacinas.

Principais causas de falha vacinal

DIAGNÓSTICO

Os erros de diagnóstico conduzem a decisões incorrectas. É importante recordar que a detecção de um agente infeccioso nem sempre é sinónimo de que este é responsável pelo problema clínico observado.

A selecção da vacina contra o agente patogénico responsável pelo processo será fundamental para garantir o sucesso do tratamento do problema clínico.

O objectivo da vacinação também será fundamental:

MOMENTO DE APLICAÇÃO

 3É essencial conhecer e controlar a dinâmica da doença dentro da população, que é diferente em cada exploração, pelo que é necessário monitorizá-la e escolher o momento certo para a aplicação da vacina, de modo a que a imunidade possa ser gerada antes de os animais entrarem em contacto com o(s) agente(s) patogénico(s) e ser eficaz. Os problemas que podem ocorrer são:

FLUXO DE PRODUÇÃO INCORRECTO

 5Uma exploração mal planeada e gerida, com lotes de idades misturadas, densidades populacionais excessivas e uma gestão deficiente do tipo “tudo dentro e tudo fora” pode aumentar a pressão da infecção e reduzir a eficácia da vacina. A mistura de idades pode predispor a que uma percentagem de animais não receba vacinas ou as receba no momento errado.

ESTADO SANITÁRIO DOS ANIMAIS

A presença de doenças subclínicas, como algumas patologias digestivas, também desempenha um papel importante numa resposta imunitária deficiente.

Leitão apático

CONSERVAÇÃO: NÃO RESPEITAR A CADEIA DE FRIO

Vários problemas com o armazenamento da vacina (temperaturas altas ou baixas, congelamento, humidade não controlada, etc.) podem levar à falha da vacina. Podem rever todos os pontos a seguir no segundo artigo desta série.

Má conservação

CONTROLO AMBIENTAL E INSTALAÇÕES

O stress afecta a capacidade de gerar uma boa resposta à vacinação. Um ambiente hostil, uma ventilação deficiente, uma temperatura incorrecta, falta de higiene, densidade excessiva, espaço insuficiente para os comedouros ou bebedouros, etc., resultarão em animais em condições sub-óptimas que podem ser factores predisponentes para uma resposta imunitária deficiente e, por conseguinte, um possível fracasso da vacinação.

APLICAÇÃO DA VACINA

No artigo anterior da série examinámos em profundidade a forma correcta de aplicar a vacina, mas existem diferentes decisões ou factores neste processo de aplicação que podem levar ao fracasso da vacina:

Aplicação de vacina

Além disso, as vacinas podem por vezes causar reacções adversas, como febre, perturbações nervosas e/ou digestivas, baixa ingestão de alimentos, apatia, etc. Estas reacções podem ocorrer de diferentes formas e será importante monitorizar os suínos bem após a vacinação, de modo a actuar o mais rapidamente possível. Estas possíveis reacções adversas estão descritas nas fichas técnicas dos produtos e devemos conhecê-las bem para as podermos detectar e actuar quando necessário.