No artigo anterior e seguindo a ordem temporal dos acontecimentos, falámos da importância do processo de desmame com um único objectivo: reduzir o stress do leitão durante o processo de desmame.
Agora temos o leitão na sala de transição ou de criação, com uma densidade recomendada de 0,3m2/ leitão, e já os separámos, se necessário, por sexo e tamanho.

O nosso próximo objectivo é que o leitão se adapte muito rapidamente à sua nova localização, que se sinta confortável e, sobretudo, que comece a beber e a comer o mais cedo possível, embora de forma controlada para evitar problemas digestivos.
Para atingir estes objectivos, e recordando novamente que o peso do leitão no desmame é o factor fundamental, concentramo-nos em três aspectos:
Antes de qualquer animal entrar, a sala:

Periodicamente, o isolamento da sala deve ser verificado para ver se está correcto ou se perdeu as suas propriedades e tomar as decisões apropriadas.
O leitão, ao entrar na transição, deve ter condições térmicas muito semelhantes às que tinha na maternidade, para isso é aconselhável:

Actualmente existem sondas que permitem monitorizar todos estes parâmetros em tempo real.
O outro ponto fundamental para uma boa e rápida adaptação do leitão à sua nova casa é conseguirmos que comece a beber e a comer o mais depressa possível e que o faça de uma forma adequada.
Água: continua a ser um ponto fraco em muitas das explorações, embora cada vez menos. No consumo de água, temos de abordar duas variáveis:
Quantidade de água: leitões recém desmamados devem beber entre 3 e 5 litros de água e, para isso, temos de considerar:

A quantidade de água consumida depende também de como conseguimos estimular os leitões a beber e o tipo de bebedouro é decisivo a este respeito. Actualmente, nas explorações, estão a ser utilizados bebedouros com múltiplas bocas com uma válvula de nível constante, embora existam também outros tipos de bebedouros, tais como bebedouros pendurados. Estes últimos encorajam os leitões a começar a beber rapidamente porque brincam com eles, mas geram um grande desperdício de água.

Também se pode recomendar a utilização de tulhas ou pratos adicionais apenas com água, de modo a que esteja facilmente disponível para o leitão.
Qualidade da água: Ter sistemas de tratamento que garantam uma qualidade físico-química e microbiológica da água adequada e constante é, actualmente, e ainda mais na ausência de óxido de zinco, uma medida absolutamente essencial. Como recomendação, penso que é importante poder trabalhar com um pH da água de cerca de 5.
Ração: Agora que os leitões já estão em desmame e para começar a comer o mais depressa possível, mas de uma forma controlada, as minhas recomendações seriam:
Para mim não é necessário que todos os leitões tenham uma tulha extra durante os primeiros dias. Normalmente os leitões são separados em três grupos: grandes, médios e pequenos, pelo que uma opção seria:




Se temos que desmamar precocemente ou em desmames de 24-26 dias onde hajam grupos de leitões com menos de 4,5 kilos, é bom trabalhar com sistemas adicionais de leite artificial e/ou papas durante os primeiros dias após o desmame. O maneio destes sistemas pode ser complicado, pelo que serão iremos falar sobre eles em artigos futuros.
