Consulta 333 sobre o preço do porco em 2020: grandes expectativas em muitos países

Redacção 333

29-Jun-2020 (há 5 anos 9 meses 10 dias)

Este ano, quisemos pôr à prova a capacidade de previsão dos utilizadores da 333 perguntando o preço médio do porco em 2020. Para isso, foi realizada uma consulta entre 4 de Fevereiro e 24 de Abril de 2020 na qual participaram 811 utilizadores, reunindo resultados de 58 países. Precisamente durante este periodo, a COVID-19 surgiu em muitos dos países participantes provocando uma situação excepcional e inédita no mundo, cujos efeitos persistem até hoje sem sabermos até quando se vão prolongar.

Uma parte dos dados da consulta foram recolhidos antes da entrada da COVID-19 nos países analisados ou antes de que se conseguissem sentir os seus efeitos e outra parte já em plena expansão da doença. Temos tentado descriminar um possível efeito COVID-19 sobre as previsões nos países com maior número de dados.

Para efeitos comparativos foi utilizado o preço médio de 2019 e o preço médio dos 3 últimos anos (2017-2019) registados no sistema de preços 333. No momento de realização da consulta, tal como se pode ser observado na figura 1, na maioria dos países analisados esperava-se a obtenção de um preço maior que o do ano passado e também maior que a média dos 3 anos precedentes, é o caso de Espanha, Alemanha, França, Polónia, México, Brasil e Argentina. O preço esperado na Itália era muiyo semelhante à média 2017-2019, cujo valor é ligeiramente superior ao preço médio de 2019. Apenas em 3 países, a Rússia, os Estados Unidos e a Colômbia, as expectativas para o preço de 2020 eram menores que o preço de 2019 e que o preço médio 2017 - 2019.

Figura 1. Consulta 333 sobre o preço médio do porco em 2020. Intervalo e mediana das respostas obtidas por país, preço médio registado em 2019 e nos 3 últimos anos. Entre parêntises o número de dados analisados.

Os países que esperavam melhores preços tiveram umas cotizações extraordinariamente elevadas em 2019, especialmente na parte final do ano e também no princípio de 2020. Todos eles viram altos sazonais históricos no periodo e inclusive em alguns casos terão chegado a altos históricos absolutos (figura 2). Em todos estes países, salvo na Itália, o preço médio em 2019 foi dos maiores registados, de facto foi o maior absoluto na Alemanha e França (figura 3).

Pelo contrário, a trajectória dos preços dos últimos meses nos países com expectativas inferiores às referências andava pela banda baixa de preços (Estados Unidos e Rússia) ou intermédia no caso da Colômbia (figura 2), algo que se reflectia em serem esperados uns valores muito semelhantes aos preços de referência (figura 1).

Figura 2. Evolução anual do preço do porco por país (azul), a linha grossa corresponde ao preço de 2020. Em vermelho é mostrada a data em que se regista o primeiro caso confirmado de COVID-19.

Figura 3. Evolução do preço médio e desvio típico por ano e país (azul). Em rosa é mostrada a mediana do preço médio em 2020 obtida na consulta 333.

As referências de preços, tomadas a efeitos comparativos, caem sempre dentro do intervalo das respostas dos utilizadores salvo nos resultados obtidos para a Alemanha e Argentina. Estas excepções poderiam ser atribuídas a expectativas muito boas dos inquiridos, escassez de amostra ou a um forte efeito de desvalorização da moeda no caso da Argentina.

Tal como referido, vários países foram afectados pelo surgimento da COVID-19 durante o periodo de recolha de dados. A modo de exemplo, pode ser avaliado o caso de Espanha, onde a mediana do preço esperada inicialmente era de 1,50 €/kg vivo e, após a declaração do estado de alarme, caiu para os 1,41 €/kg vivo.

No momento em que estas linhas foram escritas, apesar das quedas dramáticas de preços desde o meio de Março devidas aos efeitos da COVID-19, o preço médio do porco no decorrido do ano de 2020 aproxima-se bastante das previsões feitas pelos utilizadores de 333 em alguns dos países (figura 3). Agora que alguns países começam a mostrar sinais de recuperação dos preços, logo se verá o que se afigura no resto do ano e como influem na velocidade de recuperação da produção suína na China, na recuperação da capacidade de abate nos EUA e seus movimentos no censo, nas tensões políticas entre EUA e a China, no avanço da PSA na Europa, além dos prováveis e incertos efeitos da COVID-19.

Vemo-nos de novo em Dezembro para avaliar os resultados. Obrigado a todos os participantes na consulta pela vossa contribuição!