G. Kampf, D. Todt, S. Pfaender and E. Steinmann. Persistence of coronaviruses on inanimate surfaces and their inactivation with biocidal agents. The Journal of Hospital Infection. March 2020Volume 104, Issue 3, Pages 246–251.
24-Mar-2020 (há 6 anos 15 dias)O aparecimento de um novo coronavírus humano, SARS-CoV-2, tornou-se um problema de saúde global que causa graves infecções do tracto respiratório em humanos. As transmissões de pessoa para pessoa foram descritas com tempos de incubação entre 2 e 10 dias, com propagação através de gotas, mãos ou superfícies contaminadas.
Este artigo revê a literatura existente sobre a persistência de coronavírus humano e veterinário em superfícies inanimadas, bem como estratégias de inactivação com agentes biocidas utilizados para desinfecção química.
Os coronavírus humanos podem permanecer infecciosos em superfícies inanimadas em temperatura ambiente por até 9 dias. A uma temperatura de 30° C ou mais, a duração da persistência é menor. Foi demonstrado que os coronavírus veterinários conseguem persistir por até 28 dias. Portanto, a contaminação da superfície em ambientes sanitários é uma fonte potencial de transmissão viral. Não foram encontrados dados sobre a transmissibilidade dos coronavírus de superfícies contaminadas.
A OMS recomenda aplicar preferencialmente desinfetantes para as mãos à base de álcool para descontaminação das mãos, após a remoção das luvas. Foram avaliadas, em testes de suspensão contra SARS-CoV e MERS-CoV, duas formulações recomendadas pela OMS (baseadas em 80% de etanol ou 75% de 2-propanol) e ambas foram descritas como muito eficazes.
A análise de 22 estudos revela que os coronavírus humanos como o coronavírus do Síndrome Respiratório Agudo Severo (SARS), o coronavírus do Síndrome Respiratório do Médio Oriente (MERS) e os coronavírus humanos endémicos (HCoV) podem persistir em superfícies inanimadas como metal, vidro ou plástico até 9 días, mas podem ser inactivados de maneira eficiente através de procedimentos de desinfecção de superfícies utilizando etanol a 62–71%, peróxido de hidrogénio a 0,5% ou hipoclorito de sódio a 0,1% por 1 minuto. Outros agentes biocidas como o cloreto de benzalcónio a 0,05–0,2% ou o digluconato de clorhexidina a 0,02% são menos eficientes. Espera-se um efeito semelhante contra o SARS-CoV-2.
Como na actualidade não há terapias específicas disponíveis para o SARS-CoV-2, a contenção precoce e a prevenção de uma maior propagação serão cruciais para deter o surto em curso e controlar este novo agente infeccioso.