Xie Z, Pang D, Yuan H, Jiao H, Lu C, Wang K, et al. (2018) Genetically modified pigs are protected from classical swine fever virus. PLoS Pathog 14(12): e1007193. https://doi.org/10.1371/journal.ppat.1007193
29-Jan-2019 (há 7 anos 2 meses 9 dias)A Peste Suína Clássica (PSC) é uma doença muito prejudicial e causa perdas económicas significativas na indústria suína. Pesquisadores da Universidade de Jilin, na China, desenvolveram porcos geneticamente modificados, protegidos contra o vírus da PSC.
Durante o estudo, os pesquisadores selecionaram pequenos RNAs antivirais (shRNAs) que foram inseridos no locus Rosa26 suíno (pRosa26) através de inserção mediada por CRISPR / Cas9. Por último, foram produzidos porcos transgénicos anti-PSCV (TG) através de transferência nuclear somática.
Posteriormente foram realizadas experiências com animais com um modo de infecção "por contacto". Os porcos foram distribuidos ao acaso por duas salas separadas e cada sala incluia porcos não TG infectados com o vírus da PSC (NTG-In), três porcos NTG e três porcos TG. Após três dias de aclimatação, os porcos NTG-In foram desafiados com PSCV através de injecção intramuscular, enquanto que os outros porcos alojados não foram injectados, de modo a ser imitada a propagação natural do PSCV por co-habitação. Durante o curso da infecção, os sintomas clínicos associados a PSCV (incluindo letargia e hemorragia), mortalidade e virémia foram controlados e registados diariamente. Os resultados mostraram que todos os porcos NTG desenvolveram sinais típicos de infecção por PSCV, com uma taxa de mortalidade de 100%. Ainda que tenham também sido observados sintomas clínicos associados com o PSCV nos porcos TG, estes não foram graves e os níveis de vírus no sangue foram mais baixos.
Em particular, os ensaios de desafio viral in vitro e in vivo demostraram além disso que estes porcos TG podem limitar eficazmente a replicação do PSCV e reduzir os sinais clínicos e a mortalidade associados ao vírus e a resistência à doença pode ser transmitida de maneira estável à geração F1.
Em conjunto, o estudo demonstrou que a tecnologia de interferência por ARN (ARNi) que combina a tecnologia CRISPR/Cas9 oferecia a possibilidade de produzir animais TG com uma melhor resistência à infecção viral.
O uso destes porcos TG reduz as perdas económicas relacionadas com a PSC e esta estratégia antiviral pode ser útil para futuras investigações antivirais.