A cevada (Hordeum vulgare) é uma herbácea monocotiledónea de ciclo vegetativo anual da família de gramíneas com grande adaptabilidade a diferentes solos e zonas climáticas. No passado era usada cevada hexástica (cevada forrageira) para ração animal e cevada dística (cevada cervejeira) para produção de cerveja, mas actualmente a produção de cevada hexástica foi reduzida em favor da cevada dística, uma vez que pode ser utilizada tanto para a indústria cervejeira como para a alimentação animal.

O grão é composto de aproximadamente 3,8% de germe, 18,1% de farelo (pericarpo e testa) e 78,1% de endosperma (incluindo aleurona). A cevada contém níveis relativamente altos de proteínas e minerais em comparação com outros cereais, como milho e sorgo, e baixo teor de lipídos. O grão de cevada tem um teor de açúcar entre 1,5 e 2,5, principalmente na forma de açúcares solúveis (sacarose e rafinose), mas difere basicamente do resto dos cereais mais usados em ração para suínos pelo seu baixo teor de fibra pouco lignificada, que pode ser o dobro do milho, sorgo, trigo ou centeio (mais como aveia). A característica diferencial da fibra de cevada é que a maior parte é composta de ß-glucanos e pentosanos, que variam dependendo do clima e das condições de cultura. De facto, o seu valor energético (EM / kg) é menor que o do trigo e do milho.
Produção e comércio
Produção
Comércio
Estudo comparativo dos valores nutricionais
Os sistemas utilizados na comparação são FEDNA (Espanha), CVB (Holanda), INRA (França), NRC (EUA) e Brasileiro.
| FEDNA | CVB | INRA | NRC | Brasil | |
| MS (%) | 88,9-89,9 | 86,7 | 86,7 | 89,9 | 87,1 |
| Valor energético (kcal/kg) | |||||
| Proteína bruta (%) | 9,6-11,3 | 10 | 10,1 | 11,33 | 10,8 |
| Extracto etéreo (%) | 1,7 | 1,8 | 1,8 | 2,11 | 1,7 |
| Fibra bruta (%) | 4,7 | 4,3 | 4,6 | 3,9 | 4,25 |
| Amido (%) | 52,5-51,9 | 52,8-54,0 | 52,2 | 50,21 | 52,1 |
| Açúcares (%) | 1,6 | 2,3 | 2,1 | - | - |
| ED crescimento | 33151-33702 | - | 3070 | 3150 | 3106 |
| EM crescimento | 32301-32702 | - | 2970 | 3073 | 3019 |
| EN crescimento | 23251-23452 | 2390 | 2280 | 2327 | 2305 |
| EN porcas | 23751-23952 | 2390 | 2320 | 2327 | 2380 |
| Valor proteico | |||||
| Digestibilidade proteína bruta (%) | 78 | 74 | 75 | 79 | 79,5 |
| Composição aminoácidos (% PB) | |||||
| Lys | 3,6 | 3,6 | 3,8 | 4,5 | 3,8 |
| Met | 1,64 | 1,7 | 1,7 | 2,3 | 1,67 |
| Met + Cys | 3,83 | 3,9 | 4 | 5,2 | 4,07 |
| Tre | 3,31 | 3,4 | 3,4 | 4,1 | 3,33 |
| Trp | 1,2 | 1,2 | 1,2 | 1,5 | 1,2 |
| Ile | 3,5 | 3,5 | 3,6 | 4,2 | 3,33 |
| Val | 4,9 | 4,9 | 5,1 | 5,9 | 4,44 |
| Arg | 4,91 | 4,9 | 4,8 | 6,0 | 4,91 |
| Digestibilidade ileal standartizada (% PB) | |||||
| Lys | 78 | 76 | 75 | 75 | 73,7 |
| Met | 84 | 82 | 84 | 82 | 82 |
| Met + Cys | 82 | 80 | 84 | 81 | 82 |
| Tre | 79 | 79 | 75 | 76 | 74,3 |
| Trp | 80 | 77 | 79 | 82 | 76,9 |
| Ile | 81 | 82 | 81 | 79 | 80,6 |
| Val | 80 | 80 | 80 | 80 | 78,9 |
| Arg | 83 | 84 | 83 | 85 | 83,3 |
| Minerais (%) | |||||
| Ca | 0,06 | 0,05 | 0,07 | 0,06 | 0,05 |
| P | 0,32 | 0,31 | 0,34 | 0,35 | 0,35 |
| P fítico | 0,21 | 0,23 | 0,187 | 0,22 | 0,2 |
| P disponível | 0,11 | - | - | - | 0,15 |
| P digestível | 0,10 | 0,11 | 0,11 | 0,158 | - |
| Na | 0,02 | 0,01 | 0,01 | 0,02 | 0,02 |
| Cl | 0,12 | 0,1 | 0,11 | 0,12 | 0,12 |
| K | 0,4 | 0,49 | 0,48 | 0,38 | 0,43 |
| Mg | 0,1 | 0,12 | 0,11 | 0,14 | 0,13 |
1Cevada dística nacional espanhola com um conteúdo de proteína bruta de 9,6%
2Cevada dística nacional espanhola com um conteúdo de proteína bruta de 11,3%
À diferença do resto das tabelas, a FEDNA diferencia claramente entre duas qualidades de cevada classificadas em função do conteúdo em proteína enquanto que CVB, INRA e o Brasil consideram apenas uma qualidade de cevada com valores intermédios (10,0-10,8%) à excepção de NRC que se equipara ao alto intervalo de FEDNA como valor único de proteína (11,3%). Este facto está muito ligado a que NRC dá o valor de fibra mais baixo seguido do Brasil, INRA e CVB com uma correlação negativa (r2 = -0,83) muito acentuada entre o conteúdo de proteína e fibra (à excepção da cevada de alto conteúdo proteico para FEDNA que considera um valor fixo para o conteúdo em fibra). A mesma relação, ainda que menos marcada (r2 = 0,56), é observada entre o conteúdo em proteína e amido.
Estas relações têm um impacto directo na estimativa do valor da energia líquida (EN), uma vez que a clara correlação positiva entre o teor de amido e a EN é evidente (com excepção da IRNA que estima a energia baixa EN para valores amido elevados em comparação com o resto dos sistemas de avaliação). Note-se que, ao contrário do resto dos sistemas de avaliação, NRC dá valores mais elevados de proteína para a cevada (15% em relação a FEDNA de baixo teor de proteína e o mesmo valor para proteína elevada) e gordura (20%), mas menor para a fibra (20%) sendo a cevada um cereal fibroso. Em relação ao valor energético, tanto o INRA quanto o NRC, estimam a EN entre 2 e 3% menor que a FEDNA, enquanto o BRASIL e a CVB são apenas ligeiramente superiores (0,2 e 0,5%).
Em termos de aminoácidos totais, tendo como referência a lisina, pode-se observar que, enquanto o FEDNA e o CVB apresentam valores semelhantes, o INRA e o Brasil apresentam um aumento de 5% no teor de lisina. Mais extremo é o caso do NRC que tem um valor de lisina 20% maior. Os valores para o resto dos aminoácidos totais são bastante proporcionais à lisina. O coeficiente de digestibilidade da lisina varia entre 74% (Brasil) e 78% (FEDNA), permanecendo os demais sistemas de avaliação (CVB, INRA e NRC) em níveis intermédios de 75-76%. Excepcionalmente, o INRA fornece valores superiores de digestibilidade dos aminoácidos sulfurados e o NRC fornece um coeficiente de digestibilidade mais alto do triptofano.
Descobertas recentes
Referências
Foreing Agricultural Service. USDA. https://apps.fas.usda.gov/psdonline/app/index.html
FEDNA: http://www.fundacionfedna.org/
FND. CVB Feed Table 2016. http://www.cvbdiervoeding.nl
INRA. Sauvant D, Perez, J, y Tran G, 2004, Tables de composition et de valeur nutritive des matières premières destinées aux animaux d'élevage,
NRC 1982. United States-Canadian Tables of Feed Composition: Nutritional Data for United States and Canadian Feeds, Third Revision.
Rostagno, H,S, 2017, Tablas Brasileñas para aves y cerdos, Composición de Alimentos y Requerimientos Nutricionales, 4° Ed,