Alimentação durante a fase inicial da gestação

Vicente TalamantesSara Mateu Chaler
01-Ago-2018 (há 7 anos 8 meses 7 dias)

Introdução

As porcas reprodutoras hiper prolíficas atuais, caracterizam-se por um aumento do tamanho da ninhada, uma maior dispersão do peso dos leitões ao nascimento, maior envergadura, maior percentagem de massa magra e menor capacidade de ingestão.

Estas alterações obrigam a rever os requisitos nutricionais e as estratégias de alimentação na gestação. A maior parte das necessidades são para a manutenção e o crescimento da porca e uma parte mínima para o desenvolvimento fetal.

Durante a primeira fase da gestação a alimentação deve ter como foco os seguintes aspetos:

Recuperar a condição corporal

É importante fazer a estimativa da condição corporal das porcas. A forma ideal de o fazer é pesá-las ao desmame. No entanto, uma vez que a maioria das explorações não dispõe de condições para o fazer, a medição da espessura da gordura dorsal no ponto P2 proporciona uma ideia aproximada do estado dos animais.

Uma vez estimada a condição corporal, aplicam-se diferentes curvas de alimentação segundo o número de parto e o estado corporal. No final desta primeira etapa as porcas devem apresentar uma condição corporal adequada e homogénea para assim continuar com uma curva de alimentação que dependa unicamente do número de parto.

<p>Gr&aacute;fico1. Simula&ccedil;&atilde;o da curva de alimenta&ccedil;&atilde;o durante a gesta&ccedil;&atilde;o. Fonte: Simulador Optifeed Model.</p>

Maximizar a sobrevivência embrionária

Ainda que a bibliografia recente não indique que níveis altos de alimentação durante o inicio da gestação tenham efeitos negativos no tamanho da ninhada das nulíparas, dados australianos (Langendijk, 2015) sugerem que um plano alto de alimentação durante os 3-4 primeiros dias após a inseminação apresenta efeitos negativos na sobrevivência embrionária. Se se sobrealimenta a porca durante estes primeiros dias, a quantidade de progesterona que passa para a circulação sistémica e é destruída pelo fígado, é superior à quantidade que passa diretamente do ovário ao corno uterino. Após estes dias, o aumento da alimentação favorece que a passagem direta de progesterona do ovário ao corno uterino seja superior à quantidade destruída a nível sistémico pelo fígado; ajudando à manutenção da gestação e sobrevivência embrionária.

<p>Imagem&nbsp;1.&nbsp;Esquema da passagem de progesterona a partir do ov&aacute;rio.</p>

Por isso, daremos o alimento necessário para a recuperação das porcas durante os primeiros 28 dias, mas no caso das nulíparas, recomenda-se um nível de alimentação baixo durante os 3-4 primeiros dias depois da cobrição.

Favorecer o desenvolvimento placentário

Uma vez implantados os embriões, por volta do 14º dia, os fatores limitantes para um correto desenvolvimento fetal são o tamanho dos cornos uterinos, a boa vascularização e a qualidade da placenta.

Quanto maior o número de embriões, menor a superfície de implantação de cada placenta e diminui o fluxo sanguíneo por feto (gráfico 2).

<p>Gr&aacute;fica 2. O fluxo sangu&iacute;neo uterino total adapta-se ao tamanho da ninhada, mas n&atilde;o o suficiente para manter o fluxo sangu&iacute;neo por leit&atilde;o. (P&egrave;re, 2000)</p>

O tamanho da placenta condicionará o peso dos leitões (Ilustração 4), por isso, para melhorar a qualidade dos leitões devemos incidir sobre a qualidade da placenta. Um desenvolvimento placentário insuficiente leva a que muitos dos embriões experimentem um atraso do crescimento intrauterino, menor peso ao nascimento e uma diminuição do ganho médio diário durante a lactação.

<p>Gr&aacute;fica 3. Tanto no&nbsp;grupo de controlo (CTR) como no&nbsp;grupo ligado (LIG), grupo ao qual se encerrou um&nbsp;oviducto, o peso dos fetos &eacute; dependente do peso da&nbsp;placenta. (Town, 2005).</p>

A placenta é completamente funcional aos 35 dias de gestação, momento em que se diferencia a gestação embrionária da fetal. É fundamental alimentar corretamente as porcas durante o período embrionário para conseguir um maior tamanho de placenta, maior irrigação e assim leitões mais homogéneos, de maior tamanho e qualidade.

Hoving et al., en 2012 demonstram como um aumento da ração neste período, aumenta o comprimento da placenta, principalmente a partir de 40 cm de comprimento. (gráfico 3)

<p>Gr&aacute;fica 4. O&nbsp;aumento do&nbsp;plano de alimenta&ccedil;&atilde;o&nbsp;de porcas reprodutoras do grupo alto (HIGH,H), melhora o&nbsp;tamanho&nbsp;da&nbsp;placenta em porcas de primeiro parto relativamente &agrave;s&nbsp;porcas do&nbsp;grupo de controlo (Control, CTR). (Hoving L. S., 2012).</p>

Conclusões