Biossegurança no controlo do PRRSv

Gerard E. Martin VallsIván Díaz Luque
22-Ago-2018 (há 7 anos 7 meses 17 dias)

O controlo do vírus do Síndroma Reprodutivo e Respiratório Suíno (PRRSv) é um dos maiores desafios da produção suína mundial. A falta de vacinas universais, em conjunto com uma patogénese e epidemiologia complexas, obriga a pensar no seu controlo tendo um foco multifactorial. Portanto, o controlo do PRRS baseia-se em quatro pilares, todos com o mesmo valor e importância: 1) Diagnóstico e monitorização, 2) Imunidade, 3) Maneio e 4) Biossegurança. Este último, a biossegurança, define-se como o grupo de medidas implementadas para reduzir a entrada de agentes patogénicos na exploração (biossegurança externa) e para reduzir a sua disseminação uma vez tenham entrado (biossegurança interna). Em muitos casos, a implementação de medidas de biossegurança implica um alteração no maneio da exploração, investimentos nas instalações e mudanças no fluxo das rotinas de trabalho; contudo, as medidas de biossegurança devem ser entendidas como um investimento e não como um custo. Além disso, os resultados da sua implementação têm que ser avaliados a médio/longo prazo; esperar resultados a curto prazo pode levar à frustração e, inclusive, ao abandono de sua implementação. Para evitar esta situação indesejável, cada medida de biossegurança deve-se associar a um objectivo e, portanto, a um resultado futuro e mensurável.

A biossegurança pode ser entendida como uma avaliação de riscos. Os riscos principais para a introdução lateral de PRRSv são os animais de reposição e o sémen, mas não nos podemos esquecer do transporte, das visitas nem do ambiente envolvente. Portanto, as medidas relacionadas com o estatuto sanitário da exploração de origem dos animais de reposição e do sémen, as quarentenas, os cais de carga, as normas para visitantes e trabalhar de forma colectiva com as explorações vizinhas pode reduzir o risco de introdução do PRRSv. No que diz respeito à disseminação do PRRSv dentro da exploração, pode ver-se favorecida pela adaptação incorrecta das marrãs e das porcas, por uma limpeza e desinfecção deficientes das instalações, pelo incorrecto movimento dos trabalhadores durante a realização das suas tarefas, pela falta de planificação dos lotes, por uma má implementação do "tudo dentro-tudo fora", por uma política inapropriada de adopções e pelo uso de agulhas "partilhadas" nos tratamentos. Desde este ponto de vista, qualquer medida de maneio destinada a pôr ordem no fluxo de trabalho e para monitorizar o estatuto da imunização, reduzirá este risco.

Biossegurança no controlo do PRRSv

O desenho de um protocolo de biossegurança para controlar o PRRSv deve adaptar-se individualmente a cada exploração; o que é prioritário e o que não é? depende dos riscos e do estatuto de PRRSv da exploração:

Finalmente, de acordo com a nossa experiência, nenhuma das medidas prévias tem sentido se o pessoal da exploração não acreditar na utilidade da biossegurança. Por isso é essencial dar formação em biossegurança aos trabalhadores, reforçando a sua importância no controlo do PRRS e no de outras doenças.