Num artigo prévio constatou-se a necessidade de controlar a dispersão de peso vivo (PV) gerada ao longo do ciclo produtivo, bem como as implicações mais importantes registadas no final da engorda e que afectam a eficiência produtiva.
Em dois artigos consecutivos abordaremos estratégias estritamente produtivas e de maneio, destinadas a reduzir a variabilidade do PV dos leitões durante e à saída das baterias. Neste primeiro artigo abordam-se questões como a segregação de animais e o conforto ambiental. No seguinte abordaremos a alimentação e o espaço de comedouro.
Não se deve esquecer a importância dos aspectos sanitários ainda que não se incluam nestes artigos. Por um lado, seguir as normas de biossegurança externa e interna e, por outro praticar um vazio sanitário restrito são aspectos básicos para controlar o aparecimento de agentes patogénicos e/ou a recirculação dos já existentes. Além disso, o sistema de produção usado também tem um papel muito importante, pois não é o mesmo umas baterias de um ciclo fechado que de um S2 de uma exploração "três fases"; o controlo sanitário costuma-se simplificar ou complicar neste último caso dependendo do número de explorações de origem e da homogeneidade sanitária dos leitões.
A importância de realizar um bom maneio na maternidade
Um bom peso e homogeneidade dos leitões ao desmame ou, o que é o mesmo, à entrada nas baterias, é primordial ao ser o ponto de partida. O que aconteceu durante a lactação, na maternidade, é de grande relevância e entre os possíveis factores a ter em conta desde uma idade muito precoce, destacam-se:

Figura 1. Leitões na lactação artificial. Foto cedida por Antonio Caballero.
O interesse de segregar os leitões pelo seu peso ao desmame
Segregar os leitões ao desmame de acordo com o seu PV tem como objectivo, fundamentalmente, reduzir a variabilidade do PV dentro dos grupos das baterias, esperando mantê-lo mais ou menos constante. Não obstante, e de acordo com resultados próprios (Jordà et al., 2015), a redução do coeficiente de variação (CV) do lote que se consegue ao início das baterias, aumenta posteriormente até valores similares aos que se obteriam sem segregar os animais. Assim, na figura 2, compara-se a evolução do CV ao longo da transición em dois grupos de animais: um em que se segregaram os leitões por peso ao desmame (convencional) e outro em que se implementou uma estratégia de socialização precoce e se desmamaram ninhadas inteiras (social) não se misturando animais após o desmame. Não dispomos do controlo negativo neste ensaio (não socializados e não segregados) mas outros estudos sugerem que o efeito seria muito similar (apresentariam, no final, um CV similar ao tratamento convencional).
Variabilidade nas baterias (28-64 dias)

Figura 2. Apesar do esforço de segregar os leitões no início da transição, o CV tende a aumentar até níveis parecidos a leitões em que não houve segregação (Jordà et. al, 2015).
Dispor de um ambiente e conforto adequados
Exercer um bom controlo das condições ambientais e da densidade de animais nos parques é fundamental (figuras 3 e 4). Um exemplo típico dá-se nas explorações que decidem mudar a genética clássica para porcas hiperprolífica. Se não se redimensionam adequadamente os parques de desmame/transição, a densidade aumenta prejudicando os objectivos produtivos e afectando, além disso, a homogeneidade dos animais do lote. De igual modo variações importantes no número de porcas desmamadas por semana podem conduzir-nos a problemas pontuais similares.

Figura 3. Sala de baterias com um bom nível de conforto (foto cedida por Laia Blavi).

Figura 4. Exemplo de parques de baterias com uma óptima densidade (foto cedida por Antonio Caballero).
Algumas indicações, para assegurar um bom ambiente e conforto aos animais e que contribuiríam para a homogeneidade de PV do lote, podem ser:
Como conclusão podemos dizer que, ainda que a dispersão nos "venha" da maternidade e seja determinante na dispersão final na engorda, nas baterias podemos tomar medidas de maneio ou relacionadas com as condições de produção que permitiriam corrigir, em parte, esta dispersão.