Que esperar de futuro no uso dos antibióticos e na luta contra as resistências?

Miguel Ángel Higuera
20-Set-2017 (há 8 anos 6 meses 19 dias)

O uso dos antibióticos tanto em medicina humana como em veterinária está em mira pela ameaça que é o aprecimento e desenvolvimento de resistências. A União Europeia enfrentou o desafio com uma estratégia própria, cujos "frutos" começam a ver luz. O que é que vai acontecer com os antibióticos na União Europeia? Reveremos a situação actual e o que é esperado.

1.- Legislação em desenvolvimento

Actualmente, está a ser revista a legislação comunitária sobre medicamentos veterinários e rações medicamentosas.

A proposta para a regulação dos medicamentos veterinários está a ser trabalhada desde 2014. Paralelamente está a ser revista a proposta de lei para a modificação do Regulamento de rações medicadas que afectará a sua produção, colocação no mercado e uso.

As resistências aos antimicrobianos (RAM) são, globalmente, um sério problema. O uso irresponsável em medicina humana e veterinária pode contribuir para o desenvolvimento de RAM. Estas novas propostas de legislação derivam da Estratégia da Comissão para lutar contra esta ameaça e são muito actuais como medidas para controlar este problema. Este debate confirma a necessidade de dispôr de um critério científico claro para poder estabelecer medidas realistas e eficientes.

Relativamente à legislação de medicamentos veterinários, o debate centra-se em:

Em rações medicadas, os pontos principais do debate são:

2.- Controlo do consumo de antibióticos

Um dos principais assuntos é o uso excessivo de antibióticos. Devido a isso, é elaborado anualmente um relatório, com participação voluntária, para recolher o volume de vendas de antimicrobianos na UE. É o relatório ESVAC com dados de 2010 (19 países), 2011 (25 países), 2012 (26 países), 2013 (26 países) e 2014 (29 países).

A evolução das vendas totais em tonelada de princípio activo e os mg/PCU dos países que participam no relatório ESVAC pode ver-se nas seguintes tabelas.

Evolución de las ventas totales de antimicrobianos respecto a los países analizados en el informe ESVAC

Evolución de las ventas de antimicrobianos en mg/PCU en los países analizados en el informe ESVAC

Relativamente ao consumo por unidade PCU, a média dos países incluídos no relatório ESVAC foi de 107,84 mg/PCU

A unidade mg/PCU é um sistema para poder comparar a utilização de antimicrobianos entre países, posto que compara os mg de princípio activo vendidos para o mercado interno desse país com as unidades de produto animal produzido. No caso dos suínos, a PCU (Population Correction Unit) é obtida do somatório do censo médio de reprodutoras e de animais produzidos para abate, estimando um peso médio de 240 e 65 kg respectivamente. A estes dados há que subtrair ou somar, a importação e/ou exportação de leitões e porcos de abate.

3.- Revisão legislativa actual

A legislação da UE sobre medicamentos veterinários, incluindo antibióticos, tem por objectivo garantir um alto nível de protecção da saúde e promover o funcionamento do mercado interno, ajudando a fomentar a inovação. As mais importantes são:

4.- Conclusão

A luta contra as resistências a antimicrobianos pôs em foco o consumo de antibióticos, em particular, e de antimicrobianos em general. Conforme a Estratégia da Comissão Europeia para lutar contra as resistências, vão ser modificadas legislações de medicamentos veterinários e rações medicadas. O objectivo é apostar por um uso responsável dos antibióticos com uma dupla finalidade: reduzir, se possível, as resistências a antimicrobianos e dispor de antibióticos eficientes durante muito tempo. Os antibióticos são e serão necessários portanto há que fazer um esforço para os preservar.