Efeito do processamento tecnológico e composição da dieta no valor nutricional

Ester Vinyeta
03-Abr-2017 (há 9 anos 5 dias)

Na produção de suínos o custo das rações tem um grande impacto no custo total de produção. Maximizar a utilização de nutrientes da dieta faz parte das estratégias que podem utilizar-se para reduzir o impacto dos altos custos das matérias primas. Neste artigo vamos centrar-nos nos efeitos do processamento hidrotérmico como estratégia para aumentar o valor nutricional das dietas.

O tratamento hidrotérmico [acondicionado com vapor seguido de uma compactação (granulação) com ou sem expansão ou extrusão] das dietas para porcos resulta, na maioria dos casos, numa melhoria da eficiência produtiva tanto em leitões como nas etapas seguintes da engorda. Rojas e Stein (2016) propõem uma melhoria do índice de conversão que oscila entre 4-12% como resultado da granulação de das dietas, comparando com dietas em farinha. Na tabela 1 citam-se alguns estudos que ilustram essas melhorias.

Tabela 1. Melhorias no índice de conversão em porcos devido à granulação das dietas

    Índice de conversão
Referência   farinha granulado dif. %
Wondra et al., 1995 porcos engorda 3,37 3,14 6,6%
Millet et al., 2012 porcos engorda 2,58 2,45 5,0%
Xing et al, 2004 leitões 1,303 1,212 7,0%
Lundblat et al., 2011 leitões 1,32 1,23 6,8%
Ulens et al., 2015 leitões 1,54 1,29 16,1%

O tratamento hidrotérmico das dietas para porcos resulta na maioria dos casos numa melhoria da digestibilidade da energia e dos nutrientes. Outros efeitos positivos são o aumento da ingestão, especialmente em leitões, e uma redução das perdas de ração nos comedouros e fossas.

Para a maioria dos porcos o coeficiente de digestibilidade da energia varia entre 70-90%. Grande parte desta variação deve-se à presença de fibra na dieta: quanto mais fibra, menor digestibilidade da energia. Outros fatores de variação são o processamento tecnológico das dietas e o peso vivo ou fase de desenvolvimento do animal.

Considera-se que a granulação aumenta a digestibilidade da energia em cerca de 1%, ainda que a melhoria possa ser maior dependendo das propriedades químicas e físicas (tamanho da partícula) das dietas. Noblet e Van Milgen (2004) mostraram que a melhoria na digestibilidade ao granular a dieta se deve principalmente a um aumento da digestibilidade da gordura (em dietas com milho ou colza full-fat) e, como consequência, o valor de energia destes ingredientes depende do tratamento tecnológico (Tabela 2).

Tabela 2. Efeitos da granulação no coeficiente de digestibilidade (%) da gordura e energia em porcos de engorda.

Item Farinha Granulado melhoria abs.
Dietas milho-soja
Gordura 61 77 16
Energia 88,4 90,3 1,9
Dietas trigo-soja-colza full-fat (moenda grossa)
Gordura 27 84 57
Energia 73,1 87,4 14,3
Dietas trigo-soja-colza full-fat (moenda fina)
Gordura 81 86 5
Energia 85,5 87,6 2,1

Processamentos mais intensos tais como expansão ou extrusão, com ou sem granulação posterior, podem ter efeitos adicionais na eficiência produtiva. Lundblad et al (2012) verificaram que um tratamento hidrotérmico melhorava a digestibilidade ileal do amido em porcos (29,5kg peso vivo) comparando com a ração em farinha, e também aumentava a digestibilidade ileal de alguns aminoácidos como a lisina, arginina, isoleucina e treonina. No caso da lisina, a melhoria foi superior em dietas expandidas e extrusionadas do que em dietas apenas granuladas.

Os efeitos negativos de um elevado teor em fibra indigestível nas dietas podem reduzir-se com um tratamento de granulação e acentuar essa melhoria com extrusão, resultando numa maior solubilização da fibra dietética e fermentação da mesma.

Recentemente, os resultados de um estudo de Rojas et al (2016) em que se comparavam os efeitos de diferentes intensidades de processamento hidrotérmico (farinha, granulação, extrusão e extrusão + granulação) em três tipos de dietas com níveis baixo, médio e alto de fibra dietética em porcos em crescimento permitem concluir que:

<p>Figura 1: Efeitos dos n&iacute;veis de fibra e&nbsp;do&nbsp;tratamento tecnol&oacute;gico no&nbsp;valor da&nbsp;energia metaboliz&aacute;vel&nbsp;(EM), kcal/kg MS (Rojas et al, 2016)</p>

 

Conclusões

 

Considerações sobre tratamento hidrotérmico