“Porcas fantasma” e os outros 8 erros mais frequentes ao processar dados (1/2)

Inmaculada DíazElena VizcaínoM.A. de AndrésMaría Aparicio ArnayCarlos Piñeiro
07-Nov-2016 (há 9 anos 5 meses)

Actualmente praticamente todas as explorações usam programas informáticos de gestão de dados produtivos. Estes programas são ferramentas muito úteis tanto para facilitar o trabalho diário como para monitorizar e analisar os dados da exploração. Mas, para que possam cumprir a sua função, é essencial o tipo de dados que se utilizam, a sua fiabilidade e processamento.

É muito frequente cometer alguns dos seguintes erros:

1. Processar dados atrasados. És um dos erros mais frequentes e que gera um primeiro problema com os relatórios de controlo do trabalho (listas de trabalho, fichas de porcas, avisos de animais atrasados, etc.). Essa informação é valiosa se for recebida a tempo, caso contrário perde muito do interesse. Além disso, pode ser ainda pior quando é necessário analisar um problema e não se têm os dados que explicam essa situação, já que não foram introduzidos nem processados quando eram necessários. É uma situação muito frequente e muito frustrante para o produtor e o veterinário.
 

2. Processar dados impossíveis. É denominado controlar a integridade da base de dados. Em certos casos, há pacotes de software que permitem a introdução de dados improváveis ou mesmo impossíveis, sendo, talvez, esta a causa mais frequente de se gerarem análises tendenciosas ou enviesadas para diferentes variáveis (taxa de partos, desmamados por porca ou por porca e ano, dias não produtivos, etc.).

Naturalmente, convém eleger um software que NÃO permita a introdução deste tipo de informação. As mais frequentes são:

Porcas fantasma

3. Manter as ‘porcas fantasma’. Denominam-se assim as porcas que são eliminadas fisicamente da exploração (por morte ou envio para o matadouro) mas não se dão baixa no software. Assim, a partir desse momento, continuam a acumular a sua "presença", que é apenas virtual, e enviesam os cálculos feitos com base no censo ou com base em cobrições, partos ou desmames, dependendo do momento em que são dadas como baixa. Convém procurá-las e dá-las como baixa periodicamente com base principalmente em dias sem actividade ou ultrapassados desde um acontecimento determinado.

Porcas lactantes não desmamadas desde 50 dias
Identidade Parto Genéticas Dias desde Pavilhão-Sala-Cela
3261 7 GEN2 70 FARROW-2-7
5440 1 GEN2 67 FARROW-9-5
3158 8 GEN2 65 FARROW-2-11
Porcas desmamadas não cobertas desde 50 dias
Identidade Parto Genéticas Dias desde Pavilhão-Sala-Cela
3058 8 GEN2 129 E-E
3083 8 GEN2 129 E-E
5076 2 GEN2 129 E-E
5325 1 GEN2 129 E-E
3356 6 GEN2 98 E-E
3419 6 GEN2 70 E-E
2148 1 GEN2 70 E-E
5395 1 GEN2 70 E-E
1391 9 GCG1 70 E-E

Figuras 1 e 2. Exploração que tem porcas paridas ou desmamadas desde há mais de 50 dias sem nenhum acontecimento posterior.

 

4. Taxas de partos de 100 % em nulíparas. Há explorações onde as porcas são adicionadas ao efectivo quando têm o primeiro parto, o que explica esse índice. Ainda que a situação mais frequente é adicionar ao efectivo as porcas à primeira cobrição, ambas as situações são indesejáveis já que não permitem conhecer nada da porca durante o periodo prévio, pelo que se perderá informação valiosíssima em relação ao periodo de adaptação, influência da idade à primeira cobrição e inclusive perdas de gestação em nulíparas, que por outro lado costuma ser o grupo mais afectado para esse indicador.