John Mackinnon. Veterinário consultor de suinos. Reino Unido
17-Dez-2009 (há 16 anos 5 meses 12 dias)
É lógico supôr que qualquer factor que irrite ou inflame o sistema
respiratório provoque a resposta fisiológica de espirrar ou tossir, ou
ambas. De facto, nem todas as doenças das vias respiratórias produzem
estes sinais clínicos esperados. Por exemplo, nos porcos a broncopneumonia crónica
é observada com mais frequência como uma ausência de crescimento
que como surtos de tosse e dificuldade respiratória. Portanto a tosse,
geralmente, indica que qualquer agressão que a provoca encontra-se nas
suas etapas precoces.
A menos que se identifique que porcos estão a tossir pela primeira vez,
a impressão durante a observação é que uma determinada
percentagem da população de porcos afetados está sempre a tossir.
Esta proporção não será necessariamente constituida pelos
mesmos porcos em cada observação já que, à medida
que passa o tempo, uns porcos recuperam e outros são afectados. O padrão
da tosse pode, portanto, facilitar uma informação que será de utilidade
para realizar um diagnóstico.
Um surto de tosse repentino e generalizado pode indicar uma agressão do
meio ambiente ou a aparição súbita de um organismo patogénico
muito contagioso e infeccioso. Por outro lado, uma tosse constante em grupos de
porcos podería indicar um problema mais antigo. A tosse é uma importante
reacção reflexa de defesa cuja finalidade é expulsar as secreções
inflamatórias e corpos estranhos do tracto respiratório. Se o mecanismo
de tossir é suprimido por qualquer motivo, o sistema não livra da
infecção e a situação torna-se crónica. Ainda que
seja alarmante e é indicadora de doença, a tosse é um sinal
de que se estão a ser produzidas respostas fisiológicas normais e não
deve ser considerada isoladamente como algo mau.
Tabela 1. Agentes infecciosos patogénicos que estão associados normalmente
com a tosse ou a dificuldade respiratória nos porcos (os mais frequentes
e mais importantes são mostrados em negrito).
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Bactérias
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Micoplasmas
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Vírus
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Acinetobacter
Actinobacillus
Arcanobacterium
Bordetella
Haemophilus
Klebsiella
Pasteurella
Salmonella
Streptococcus
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M.
hyorhinis
M. hyopneumoniae
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Gripe
suina
PRRS
Coronavirus respiratório
PCV2
Citomegalovirus suino
Doença de Aujeszky
Febre suina clássica
Febre suina africana
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Além dos agentes patogénicos, há que ter em conta a existência
de outros factores que de vez em quando podem provocar tosse nos porcos (tabela
2).
Tabela 2. Outras causas de tosse ou dispneia em porcos
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Parasitas
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Outras
patologias
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Ambiente
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Ascaris
Metastrongylus
Toxoplasma
Chlamydia
Pneumocystis
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Anemia
Insuficiência cardíaca
Síndrome de stress suino
Hérnia diafragmática
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Stress
por calor
Gases do esterco
Intoxicação por nitrato
Pó
Endotoxinas bacterianas
Esporos fúngicos
Fumonisina
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A infecção com
Ascaris suum é frequentemente associada
com a tosse já que provoca uma inflamação eosinofílica
do pulmão quando na terceira fase do ciclo vital a larva migra através
do tecido pulmonar. A migração das larvas também pode agir como
um factor desencadeante de infecções bacterianas que de outro modo
estariam latentes.
Os porcos anémicos podem apresentar dificuldade respiratória durante a
sua luta por compensar a falta de oxigénio produzida pela redução
de glóbulos vermelhos circulantes e, portanto, de hemoglobina e serão também
mais propensos à inalação de matérias estranhas que
por sua vez podem provocar a tosse. Se houver insuficiência cardíaca,
as secreções respiratórias soltam-se do pulmão com
mais dificuldade e pode desenvolver-se uma "tosse cardiaca". No entanto, isto
é mais provável que esteja associado a um porco específico
e de forma ocasional.
São relativamente frequentes as causas ambientais da tosse. Foram observadas
explorações onde se produz tosse em porcos de engorda mas com uma
patología visível reduzida para ser observada no momento do abate. Nestas
situações, uma irritação grave das vías aéreas, junto
com a supressão dos mecanismos de defesa microscópicos do pulmão,
dá lugar à tosse. As causas mais frequentes deste efeito combinado são
as condições de calor e o pó. Outros contaminantes associados
com o pó e transportados pelo ar, como endotoxinas bacterianas e esporos
de fungos, pioram as coisas. Portanto, o procedimento para resolver o problema
dos porcos que tossem deve ser sempre multifactorial.